Questão de Biologia — Origem e evolução da vida — INSTITUTO AOCP 2025
Biologia›Origem e evolução da vida
Código
qg539889
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-PB
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor EBTT - Ciências Biológicas
De acordo com a teoria endossimbiótica – atualmente o modelo evolutivo mais aceito para explicar a presença das mitocôndrias e dos cloroplastos como organelas subcelulares em células eucarióticas –, estas surgiram a partir de organismos procariontes ancestrais simbiontes que foram incorporados por uma célula eucariótica primitiva, estabelecendo uma relação de simbiose estável e funcional. Entre as evidências moleculares e estruturais que robustamente sustentam essa teoria, destaca-se a
Acapacidade de sintetizar ATP por meio da fosforilação oxidativa associada à cadeia transportadora de elétrons.
Bpresença de parede celular residual, morfologicamente análoga à observada em bactérias gram-negativas.
Ccomposição química da dupla membrana, resultante da internalização do procarionte ancestral pela célula eucariótica hospedeira.
Dpresença de genoma próprio, constituído por DNA circular e ribossomos 70S, que possibilitam a síntese proteica e a replicação semiautônoma.
Epresença de sistemas enzimáticos especializados no metabolismo aeróbio para promover a oxidação completa da glicose.
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GabaritoD — presença de genoma próprio, constituído por DNA circular e ribossomos 70S, que possibilitam a síntese proteica e a replicação semiautônoma.
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Teoria endossimbiótica: as evidências que sustentam a origem de mitocôndrias e cloroplastos
Gabarito: letra D. A evidência molecular e estrutural mais robusta da teoria endossimbiótica é a presença de genoma próprio, constituído por DNA circular e ribossomos 70S, que conferem a essas organelas capacidade de síntese proteica e replicação semiautônoma — características herdadas de seus ancestrais procarióticos. Essa é a assinatura que as conecta diretamente às bactérias atuais.
A teoria endossimbiótica (ou simbiogênica) propõe que mitocôndrias e cloroplastos surgiram quando células eucarióticas primitivas englobaram bactérias ancestrais — no caso das mitocôndrias, bactérias púrpuras aeróbias; no caso dos cloroplastos, cianobactérias fotossintetizantes. A relação simbiótica tornou-se permanente, e os procariontes internalizados evoluíram para organelas essenciais. O que torna essa teoria tão aceita é justamente o conjunto de evidências que apontam para a origem bacteriana dessas organelas.
As principais evidências são:
DNA próprio e circular, semelhante ao DNA bacteriano, e não ao DNA linear e associado a histonas do núcleo eucariótico;
Ribossomos 70S, idênticos aos de bactérias, e não os ribossomos 80S do citoplasma eucariótico;
Capacidade de autoduplicação por fissão binária, como os procariontes;
Dupla membrana, sendo a interna quimicamente semelhante à membrana de bactérias (com cardiolipina, por exemplo), enquanto a externa lembra a membrana da célula hospedeira;
Síntese de algumas proteínas próprias, usando a maquinaria bacteriana.
A pegadinha da questão está em distinguir o que é evidência da origem endossimbiótica do que é apenas função da organela. Todas as alternativas descrevem características verdadeiras de mitocôndrias e cloroplastos, mas apenas uma delas é uma evidência direta da ancestralidade procariótica.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A capacidade de sintetizar ATP por fosforilação oxidativa é uma função da mitocôndria, não uma evidência de sua origem bacteriana. Qualquer organela poderia ter essa função sem ter sido um procarionte ancestral. A banca explora a confusão entre função e evidência evolutiva.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A presença de parede celular residual, análoga à de bactérias gram-negativas, não é uma característica de mitocôndrias ou cloroplastos atuais. Essas organelas não possuem parede celular — ela foi perdida durante a evolução da relação simbiótica. A alternativa inventa uma estrutura que não existe nessas organelas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A composição química da dupla membrana é uma evidência, mas a descrição está invertida: a membrana interna é que é semelhante à membrana bacteriana (rica em cardiolipina), enquanto a membrana externa lembra a membrana da célula hospedeira. A alternativa afirma que a dupla membrana resulta da internalização, o que é verdadeiro, mas não especifica corretamente a composição química — e, mais importante, não é a evidência mais robusta citada pela teoria.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A presença de genoma próprio (DNA circular) e ribossomos 70S é a evidência mais forte e específica da teoria endossimbiótica. Essas características são exclusivas de procariontes e não são encontradas em outras organelas eucarióticas. A capacidade de replicação semiautônoma e síntese proteica com maquinaria bacteriana reforça a origem procariótica. É exatamente isso que a alternativa descreve.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A presença de sistemas enzimáticos para o metabolismo aeróbio é uma função da mitocôndria, não uma evidência de origem endossimbiótica. Além disso, a oxidação completa da glicose envolve também o citosol (glicólise), não apenas a mitocôndria. A alternativa confunde função com evidência evolutiva.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca evidência da origem por função da organela. As alternativas A e E descrevem funções reais (produção de ATP, metabolismo aeróbio), mas que não provam a ancestralidade bacteriana. A C inverte a composição das membranas. A B inventa uma parede celular que não existe. A única que aponta uma característica exclusivamente procariótica é a D — DNA circular e ribossomos 70S. Fique atento: quando a questão perguntar sobre endossimbiose, procure por características de bactéria, não por funções metabólicas.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar as evidências da endossimbiose, lembre-se do mnemônico "DNA-Ribossomo-Duplicação": DNA circular, ribossomos 70S e capacidade de autoduplicação. Essas três são as provas mais cobradas. E desconfie de alternativas que citam apenas funções (ATP, respiração, fotossíntese) — elas descrevem o que a organela faz, não de onde ela veio.