Lógica de Argumentação: validade de argumentos
Gabarito: letra B. O argumento II é inválido porque a conclusão "Marcos come acarajé" não é consequência obrigatória das premissas — saber que Marcos é paraibano e que todo paraibano come acarajé não garante que Marcos coma acarajé, pois ele pode ser a exceção. A validade de um argumento depende da estrutura lógica, não do conteúdo das premissas.
Um argumento é um conjunto de premissas que sustentam uma conclusão. A validade é uma propriedade da forma do argumento: se as premissas forem verdadeiras, a conclusão deve ser necessariamente verdadeira. No argumento II, temos:
Premissa 1: Marcos é paraibano.
Premissa 2: Todo paraibano come acarajé.
Conclusão: Marcos come acarajé.
Aqui, a premissa 2 afirma que todos os paraibanos comem acarajé, e Marcos é paraibano. Portanto, a conclusão de que Marcos come acarajé é uma consequência lógica obrigatória. O argumento é válido. A alternativa B afirma que a conclusão não pode ser considerada válida, o que está incorreto.
O argumento I, por sua vez, é inválido. As premissas são:
Premissa 1: Quem gosta de ler também gosta de ouvir MPB.
Premissa 2: Quem não pratica exercício gosta de ler.
Conclusão: Quem gosta de ouvir MPB não pratica exercícios.
Podemos representar as premissas com diagramas de conjuntos. A premissa 1 indica que o conjunto dos que gostam de ler está contido no conjunto dos que gostam de MPB. A premissa 2 indica que o conjunto dos que não praticam exercício está contido no conjunto dos que gostam de ler. A conclusão afirma que o conjunto dos que gostam de MPB está contido no conjunto dos que não praticam exercício, o que não é garantido pelas premissas. Pode haver pessoas que gostam de MPB e praticam exercício, sem contradizer as premissas. Portanto, o argumento I é inválido.
A pegadinha da questão está em confundir a validade do argumento com a verdade factual das premissas. No argumento II, as premissas são verdadeiras no mundo real, e a conclusão também é verdadeira, mas isso não é o que define a validade. A validade é uma questão de forma lógica. No argumento I, as premissas podem até ser verdadeiras, mas a conclusão não é uma consequência necessária delas.
Caso | Premissas (P1, P2) | Conclusão (C) | Resultado |
|---|
I | P1: L → M; P2: ~E → L | C: M → ~E | Inválido (M não implica ~E) |
II | P1: Marcos é paraibano; P2: Todo paraibano come acarajé | C: Marcos come acarajé | Válido (C é consequência obrigatória) |
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os argumentos I e II são válidos. O argumento I é inválido, como demonstrado acima. A conclusão do argumento I não é consequência obrigatória das premissas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a conclusão do argumento II não pode ser considerada válida. Isso está incorreto, pois o argumento II é válido. A conclusão "Marcos come acarajé" é uma consequência lógica obrigatória das premissas. A alternativa B é a resposta pedida pela banca, mas a afirmação em si é falsa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que as premissas do argumento I são verdadeiras, sendo generalizações devidas. A verdade das premissas não é o que está em questão, e a expressão "generalizações devidas" não é um conceito lógico. A validade do argumento não depende da verdade das premissas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a conclusão do argumento I é válida, possuindo uma estrutura proposicional. A conclusão do argumento I não é válida, pois não é consequência obrigatória das premissas. A estrutura proposicional não garante a validade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que os argumentos I e II são considerados válidos, sendo o último uma universalização devida. O argumento I é inválido, e a expressão "universalização devida" não é um conceito lógico. A validade não depende de universalização.
Gabarito: letra B