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Questão de Português — Pontuação — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsPontuação
Código
qg540878
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE-RS
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Técnico do Ministério Público
Leia o texto a seguir para responder à questão

Texto 2

Do burnout ao propósito: a nova jornada
psicológica nas organizações

Caminho consiste em abordagens preventivas, que
fomentem um ciclo virtuoso de produtividade,
comprometimento e bem-estar

Clécio Branco

O trabalho sempre ocupou um lugar central em nossas vidas – mas raramente a saúde de quem trabalha foi tratada com a mesma importância. Isso começa a mudar, ainda que lentamente. Agora, até mesmo a linguagem normativa dá sinais de transformação: a nova redação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que entra em vigor neste mês, passa a reconhecer os riscos psicossociais – como ansiedade, estresse e depressão – como parte da realidade que precisa ser cuidada no ambiente laboral.

Esse avanço regulatório é consequência de um cenário que já vinha se agravando: o crescimento dos transtornos mentais associados ao trabalho, os altos índices de afastamento e a dificuldade de retenção e engajamento dos profissionais. O adoecimento psíquico se tornou, infelizmente, uma marca da era contemporânea.

Desde os primórdios da industrialização, o bem-estar dos trabalhadores foi negligenciado. Os departamentos de pessoal, no passado, limitavam-se à lógica da produtividade. A saúde mental só passou a ser levada a sério quando os impactos econômicos do esgotamento se tornaram evidentes.

Hoje, a transformação é mais profunda. Vivemos na chamada sociedade do desempenho, em que a pressão não vem apenas do chefe: ela está internalizada. Cada profissional tornou-se gestor de si mesmo, cobrando-se o tempo todo, respondendo a e-mails no jantar, gerenciando metas pessoais como se fosse uma empresa. O telefone celular se transformou no símbolo dessa vigilância constante, dissolvendo as fronteiras entre tempo de trabalho e tempo de vida.

Nesse contexto, o trabalho deixou de ser apenas atividade e passou a ser identidade. E isso trouxe consequências. Condições como burnout, déficit de atenção e ansiedade crônica têm se tornado comuns – não por fragilidade individual, mas por estruturas que não reconhecem limites humanos.

As novas gerações não se reconhecem mais nos modelos tradicionais. A ideia de uma carreira estável numa única empresa parece anacrônica. Ganha espaço uma busca por propósito, por coerência entre o que se faz e o que se acredita. O trabalhador contemporâneo quer mais do que salário: quer sentido, autonomia e saúde emocional.

Esse cenário exige um novo olhar das empresas. A "ecosofia", proposta pelo filósofo Félix Guattari, oferece uma chave de leitura interessante ao propor o cuidado simultâneo com três dimensões: o ambiente, as relações sociais e o mundo interno de cada pessoa. Negligenciar uma dessas esferas compromete o sistema como um todo.

A saúde no trabalho, portanto, não pode mais ser pensada apenas como ergonomia ou ergonomia emocional. É preciso ir além dos benefícios pontuais e promover uma mudança cultural real – onde cuidar da mente não seja exceção, mas prática cotidiana.

Apesar do avanço tecnológico, as relações de trabalho não acompanharam essa evolução. Elas se tornaram mais líquidas, mais impessoais e, muitas vezes, mais desumanas. Normas como a NR-17 já apontavam para fatores biopsicossociais, mas a mudança necessária não virá apenas por meio da legislação.

Sem saúde, a realização pessoal torna-se inviável; sem realização, o engajamento sustentável é impossível. O caminho consiste em políticas eficazes de saúde ocupacional, com abordagens preventivas, que fomentem um ciclo virtuoso de produtividade, comprometimento e bem-estar nas organizações.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/05/doburnout-ao-proposito-a-nova-jornada-psicologica-nasorganizacoes.shtml. Acesso em: 30 jun. 2025.
Assinale a alternativa em que o uso de vírgula(s) é opcional do ponto de vista sintático.
  1. A“[...] três dimensões: o ambiente, as relações sociais e o mundo interno de cada pessoa.”.
  2. B“Desde os primórdios da industrialização, o bem-estar dos trabalhadores foi negligenciado.”.
  3. C“[...] a nova redação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que entra em vigor neste mês, passa a reconhecer os riscos psicossociais [...]”.
  4. D“Hoje, a transformação é mais profunda.”.
  5. E“Normas como a NR-17 já apontavam para fatores biopsicossociais, mas a mudança necessária não virá apenas por meio da legislação.”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “Hoje, a transformação é mais profunda.”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso facultativo da vírgula: adjunto adverbial curto anteposto

Gabarito: letra D. A vírgula em "Hoje, a transformação é mais profunda" é facultativa porque isola um adjunto adverbial de tempo curto (uma única palavra) deslocado para o início da oração. A regra que decide a questão: adjunto adverbial de até duas palavras, anteposto ao verbo, pode ser separado por vírgula — a norma não obriga. As demais alternativas apresentam vírgulas obrigatórias por função sintática específica (enumeração, adjunto adverbial longo, oração adjetiva explicativa, oração coordenada adversativa).

O comando

A questão pede que você identifique o uso de vírgula opcional do ponto de vista sintático. Isso significa: a vírgula pode ser retirada sem violar nenhuma regra gramatical e sem alterar o sentido da frase. Não se trata de escolher a frase "mais bonita" ou "mais enfática", mas de reconhecer onde a norma permite (mas não exige) o uso do sinal. É uma questão de gramática normativa aplicada ao texto, não de interpretação.

A regra que decide

A gramática estabelece que o adjunto adverbial deslocado (fora de sua posição natural, que é o final da oração) deve ser separado por vírgula quando for longo (três ou mais palavras). Quando o adjunto é curto (uma ou duas palavras), a vírgula é facultativa: pode-se usá-la para dar ênfase ou pausa, mas sua omissão não torna a frase incorreta.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver um adjunto adverbial no início da frase, pergunte: quantas palavras ele tem? Se for curto (1 ou 2), a vírgula é opcional; se for longo (3+), é obrigatória. Essa é a chave da questão.

Análise das alternativas

Vírgula após adjunto adverbial anteposto
  • 1Curto (1–2 palavras)
    • Facultativa (ênfase/pausa)
  • 2Longo (3+ palavras)
    • Obrigatória
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A vírgula em "três dimensões: o ambiente, as relações sociais e o mundo interno de cada pessoa" é obrigatória porque separa termos coordenados em enumeração (elementos de mesma função sintática). A regra: em uma série enumerativa, os itens são separados por vírgula (exceto o último, que pode vir após "e"). Retirar a vírgula entre "ambiente" e "as relações sociais" quebraria a estrutura da enumeração. Erro: troca de conceito — confunde enumeração com uso facultativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Em "Desde os primórdios da industrialização, o bem-estar dos trabalhadores foi negligenciado", a vírgula é obrigatória porque o adjunto adverbial "Desde os primórdios da industrialização" é longo (5 palavras) e está anteposto ao verbo. A regra: adjunto adverbial com três ou mais palavras, deslocado para o início, exige vírgula. Erro: troca de conceito — confunde adjunto longo (obrigatório) com curto (facultativo).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Em "a nova redação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que entra em vigor neste mês, passa a reconhecer os riscos psicossociais", as vírgulas isolam uma oração adjetiva explicativa ("que entra em vigor neste mês"). Essa oração acrescenta uma informação acessória sobre o substantivo "NR-1" e, por ser explicativa, exige vírgulas. Retirá-las transformaria a oração em restritiva, alterando o sentido (passaria a indicar que há mais de uma NR-1, e apenas a que entra em vigor neste mês reconhece os riscos). Erro: troca de conceito — confunde oração explicativa (obrigatória) com uso facultativo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Em "Hoje, a transformação é mais profunda", a vírgula isola o adjunto adverbial de tempo "Hoje", que é curto (uma palavra) e está anteposto ao verbo. Conforme a regra, adjunto adverbial curto deslocado admite vírgula facultativa: pode-se escrever "Hoje a transformação é mais profunda" sem prejuízo gramatical ou de sentido. A vírgula aqui é apenas um recurso de ênfase/pausa, não uma exigência sintática. É a única alternativa em que a vírgula pode ser retirada sem violar a norma.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Em "Normas como a NR-17 já apontavam para fatores biopsicossociais, mas a mudança necessária não virá apenas por meio da legislação", a vírgula antes de "mas" é obrigatória porque separa uma oração coordenada sindética adversativa. A conjunção "mas" inicia a oração que expressa oposição à anterior, e a vírgula é exigida nesse tipo de estrutura. Retirá-la tornaria o período confuso e gramaticalmente incorreto. Erro: troca de conceito — confunde oração adversativa (obrigatória) com uso facultativo.

Conclusão

A questão testa a distinção entre vírgula obrigatória (por função sintática: enumeração, adjunto longo, oração explicativa, oração adversativa) e vírgula facultativa (adjunto curto anteposto). A única alternativa em que a vírgula é dispensável é a D, pois "Hoje" é um adjunto adverbial curto. Gabarito: letra D.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura casos obrigatórios com o facultativo; o candidato pode achar que toda vírgula após adjunto é obrigatória, mas a regra do adjunto curto é a exceção que resolve a questão.

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