Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — INSTITUTO AOCP 2025
Português›Funções morfossintáticas da palavra SE
Código
qg540941
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE-RS
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Técnico do Ministério Público - Informática
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Proibir celulares nas escolas é só o começo: desafio
maior é preparar jovens para interagirem de forma
saudável tanto no mundo real quanto no virtual
Stéphanie Habrich
Fundadora e diretora-executiva dos jornais Joca e Tino Econômico
O início do ano letivo trouxe polêmica com a lei que
baniu celulares nas escolas. A pausa forçada no uso
das telas gera resistência, mas levanta uma questão
importante: isso realmente criará um ambiente de
aprendizado mais saudável?
A ciência mostra benefícios claros dessa restrição:
maior concentração e foco, redução da ansiedade,
melhora na interação social e no contato humano.
Além disso, combater o cyberbullying e incentivar
atividades
físicas
significativos.
e culturais são ganhos
O “detox digital” também pode
fortalecer o senso crítico e a autonomia dos
estudantes.
Essa mudança, porém, exige acolhimento e
conscientização. É essencial ouvir as preocupações
dos alunos e explicar os benefícios. Pais e
professores também precisam entender os impactos
do uso excessivo da tecnologia, promovendo debates
sobre saúde mental e dependência digital.
Pesquisas indicam que o excesso de telas
compromete habilidades cognitivas essenciais, como
memória e criatividade, além de estar associado a
transtornos do sono e aumento da impulsividade.
Escolas que já adotaram essa medida ao redor do
mundo notam melhores resultados acadêmicos e
maior engajamento em atividades extracurriculares.
Claro, a tecnologia é indispensável no mundo atual
e pode ser uma grande aliada no aprendizado. O
desafio está no equilíbrio entre seus benefícios e a
necessidade
de
desenvolver
habilidades
interpessoais e emocionais. Cabe aos adultos orientar
crianças e jovens no uso seguro e responsável das
telas.
A educação midiática é um caminho essencial
nessa jornada. Ensinar a diferenciar informações
confiáveis de fake news fortalece o pensamento
crítico e reduz a vulnerabilidade à desinformação.
Esse processo começa cedo e se torna fundamental
para a autonomia intelectual dos estudantes.
O afastamento do celular nas escolas também
resgata o aprendizado ativo, incentivando a resolução
de problemas, a colaboração em projetos e o
desenvolvimento da criatividade sem distrações
digitais.
A aprendizagem significativa acontece
quando há espaço para reflexão, troca de ideias e
experimentação.
Reduzir o uso de celulares contribui para um futuro
mais saudável, tanto para os estudantes quanto para
seus relacionamentos. Mais do que proibir a
tecnologia, trata-se de construir um ambiente que
desenvolva habilidades essenciais para a vida e o
mercado de trabalho, como empatia, resiliência e
argumentação.
A discussão sobre o uso de celulares nas escolas
vai além de evitar distrações em salas de aula. É uma
oportunidade de repensar o papel da escola e o tipo
de sociedade que queremos construir. A proibição é
apenas o começo: o verdadeiro desafio está em
preparar os jovens para interagirem de forma
saudável tanto no mundo real quanto no virtual.
Os jornais Joca e Tino Econômico, voltados ao
público
infantojuvenil
e
seus
educadores,
acompanham temas atuais como o “brain rot” — ou
“apodrecimento cerebral”—, causado pelo consumo
excessivo de conteúdos digitais de baixa qualidade.
Afinal, informação sem reflexão é só ruído.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/03/desconectar-para
conectar.shtml. Acesso em: 26 mar. 2025.
Em relação aos termos destacados em “[...] trata-se de construir um ambiente que desenvolva habilidades essenciais para a vida e o mercado de trabalho [...]”, assinale a alternativa correta.
AO item “que” é um pronome relativo que se refere à palavra “ambiente”.
BO item “que” é um pronome interrogativo, como em “Que horas são?”.
CO item “que” pode ser substituído por “onde” sem que isso gere prejuízos à estrutura sintática do excerto.
DO item “se” pode ser anteposto ao verbo “trata” sem que isso infrinja as regras de colocação pronominal da norma-padrão.
EO item “se” indica que a oração está na voz passiva.
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GabaritoA — O item “que” é um pronome relativo que se refere à palavra “ambiente”.
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Funções do "que" e do "se" no excerto
Gabarito: letra A. No trecho "[...] trata-se de construir um ambiente que desenvolva habilidades essenciais para a vida e o mercado de trabalho [...]", o "que" é pronome relativo e retoma o substantivo "ambiente", como se comprova pela possibilidade de substituição por "o qual": "um ambiente o qual desenvolva habilidades". As demais alternativas erram ao classificar o "que" como interrogativo, ao propor a troca por "onde" (que exigiria ideia de lugar) e ao tratar o "se" como partícula apassivadora ou passível de próclise obrigatória.
O comando da questão
A questão pede que você analise funções morfossintáticas — ou seja, a classe e a função que as palavras "que" e "se" exercem no contexto específico do excerto. Não se trata de interpretação de sentido, mas de gramática aplicada ao texto: você precisa identificar, com base na estrutura da oração, qual é o papel de cada partícula. O comando "assinale a alternativa correta" exige que você teste cada afirmação contra o trecho, verificando se a classificação proposta é verdadeira.
O trecho em análise
"[...] trata-se de construir um ambiente que desenvolva habilidades essenciais para a vida e o mercado de trabalho [...]"
Aqui, temos:
"trata-se": verbo "tratar" na forma pronominal (verbo essencialmente pronominal, pois "tratar-se de" significa "ser a respeito de"). O "se" é parte integrante do verbo — não pode ser retirado sem alterar o sentido, e não indica voz passiva nem indeterminação do sujeito.
"que": inicia a oração "que desenvolva habilidades...", que caracteriza o substantivo "ambiente". Trata-se de uma oração subordinada adjetiva restritiva, e o "que" é pronome relativo, pois retoma o antecedente "ambiente" e exerce função sintática dentro da oração (aqui, função de sujeito: "o ambiente desenvolve habilidades").
A técnica para identificar o pronome relativo
O pronome relativo "que" sempre retoma um termo anterior (o antecedente) e pode ser substituído por "o qual", "a qual", "os quais" ou "as quais". No trecho, a substituição funciona perfeitamente:
"um ambiente que desenvolva" → "um ambiente o qual desenvolva"
Além disso, o "que" inicia uma oração adjetiva, que funciona como adjunto adnominal do antecedente. Essa é a prova definitiva de que se trata de pronome relativo.
Análise das alternativas
"que" no excerto
1Pronome relativo
Retoma "ambiente"
Substituível por "o qual"
Inicia oração subordinada adjetiva restritiva
2Não é
Interrogativo (pergunta direta/indireta)
"onde" (exige ideia de lugar)
3"se" no excerto
Parte integrante do verbo "tratar-se"
Verbo essencialmente pronominal
Não pode ser retirado
Não é
Partícula apassivadora (verbo transitivo direto)
Passível de próclise no início da frase
ênclise obrigatória
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmação está correta. O "que" é pronome relativo e se refere à palavra "ambiente". Como vimos, a substituição por "o qual" confirma: "um ambiente o qual desenvolva habilidades". O pronome relativo retoma o antecedente e introduz uma oração subordinada adjetiva.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao classificar o "que" como pronome interrogativo. O pronome interrogativo aparece em perguntas diretas ou indiretas, como em "Que horas são?" (pergunta direta) ou "Não sei que horas são" (pergunta indireta). No excerto, não há qualquer ideia de pergunta: o "que" apenas retoma "ambiente". A banca tenta confundir o candidato com um uso conhecido do "que", mas que não se aplica ao contexto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que o "que" pode ser substituído por "onde" sem prejuízo. O pronome relativo "onde" só pode ser usado quando o antecedente indica lugar (ex.: "a escola onde estudo"). No trecho, o antecedente é "ambiente" — que, embora possa remeter a um espaço físico, aqui tem sentido figurado ("ambiente" = contexto, conjunto de condições). Além disso, a troca por "onde" alteraria a estrutura sintática, pois "onde" exerce função de adjunto adverbial de lugar, enquanto o "que" exerce função de sujeito. Portanto, a substituição não é possível sem prejuízo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que o "se" pode ser anteposto ao verbo "trata" sem infringir as regras de colocação pronominal. No trecho, temos a locução verbal "trata-se de construir". A próclise ("se trata de construir") seria facultativa apenas se houvesse palavra atrativa (como advérbio, pronome relativo, etc.) antes do verbo. No início absoluto da oração, a ênclise é obrigatória — não se inicia frase com pronome oblíquo átono. Portanto, "Se trata de construir" é incorreto na norma-padrão. A banca explora a confusão entre a próclise facultativa em locuções verbais com infinitivo (ex.: "pode-se dizer" ou "se pode dizer") e a regra de não iniciar frase com pronome átono.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que o "se" indica voz passiva. No trecho, o "se" é parte integrante do verbo "tratar-se", pois o verbo "tratar" no sentido de "ser a respeito de" é essencialmente pronominal — não existe "trata de construir" sem o "se". A partícula apassivadora (PA) ocorre com verbos transitivos diretos (ex.: "vendem-se casas"), o que não é o caso aqui. O "se" não pode ser retirado, e a oração não pode ser convertida em voz passiva analítica ("um ambiente é desenvolvido") sem alterar completamente o sentido.
Conclusão
A questão testa sua capacidade de identificar a função das partículas no contexto. Para o "que", a chave é verificar se ele retoma um antecedente (pronome relativo) ou se introduz uma pergunta (interrogativo). Para o "se", é essencial reconhecer os verbos pronominais, em que o "se" é parte integrante, e não confundir com a partícula apassivadora. Gabarito: letra A.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar o "que", tente substituí-lo por "o qual/a qual". Se funcionar, é pronome relativo. Ao analisar o "se", verifique se o verbo existe sem ele: se não existir, é parte integrante do verbo.