Questão de Português — Pontuação — INSTITUTO AOCP 2025
Português›Pontuação
Código
qg540948
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE-RS
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Técnico do Ministério Público - Informática
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Proibir celulares nas escolas é só o começo: desafio
maior é preparar jovens para interagirem de forma
saudável tanto no mundo real quanto no virtual
Stéphanie Habrich
Fundadora e diretora-executiva dos jornais Joca e Tino Econômico
O início do ano letivo trouxe polêmica com a lei que
baniu celulares nas escolas. A pausa forçada no uso
das telas gera resistência, mas levanta uma questão
importante: isso realmente criará um ambiente de
aprendizado mais saudável?
A ciência mostra benefícios claros dessa restrição:
maior concentração e foco, redução da ansiedade,
melhora na interação social e no contato humano.
Além disso, combater o cyberbullying e incentivar
atividades
físicas
significativos.
e culturais são ganhos
O “detox digital” também pode
fortalecer o senso crítico e a autonomia dos
estudantes.
Essa mudança, porém, exige acolhimento e
conscientização. É essencial ouvir as preocupações
dos alunos e explicar os benefícios. Pais e
professores também precisam entender os impactos
do uso excessivo da tecnologia, promovendo debates
sobre saúde mental e dependência digital.
Pesquisas indicam que o excesso de telas
compromete habilidades cognitivas essenciais, como
memória e criatividade, além de estar associado a
transtornos do sono e aumento da impulsividade.
Escolas que já adotaram essa medida ao redor do
mundo notam melhores resultados acadêmicos e
maior engajamento em atividades extracurriculares.
Claro, a tecnologia é indispensável no mundo atual
e pode ser uma grande aliada no aprendizado. O
desafio está no equilíbrio entre seus benefícios e a
necessidade
de
desenvolver
habilidades
interpessoais e emocionais. Cabe aos adultos orientar
crianças e jovens no uso seguro e responsável das
telas.
A educação midiática é um caminho essencial
nessa jornada. Ensinar a diferenciar informações
confiáveis de fake news fortalece o pensamento
crítico e reduz a vulnerabilidade à desinformação.
Esse processo começa cedo e se torna fundamental
para a autonomia intelectual dos estudantes.
O afastamento do celular nas escolas também
resgata o aprendizado ativo, incentivando a resolução
de problemas, a colaboração em projetos e o
desenvolvimento da criatividade sem distrações
digitais.
A aprendizagem significativa acontece
quando há espaço para reflexão, troca de ideias e
experimentação.
Reduzir o uso de celulares contribui para um futuro
mais saudável, tanto para os estudantes quanto para
seus relacionamentos. Mais do que proibir a
tecnologia, trata-se de construir um ambiente que
desenvolva habilidades essenciais para a vida e o
mercado de trabalho, como empatia, resiliência e
argumentação.
A discussão sobre o uso de celulares nas escolas
vai além de evitar distrações em salas de aula. É uma
oportunidade de repensar o papel da escola e o tipo
de sociedade que queremos construir. A proibição é
apenas o começo: o verdadeiro desafio está em
preparar os jovens para interagirem de forma
saudável tanto no mundo real quanto no virtual.
Os jornais Joca e Tino Econômico, voltados ao
público
infantojuvenil
e
seus
educadores,
acompanham temas atuais como o “brain rot” — ou
“apodrecimento cerebral”—, causado pelo consumo
excessivo de conteúdos digitais de baixa qualidade.
Afinal, informação sem reflexão é só ruído.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/03/desconectar-para
conectar.shtml. Acesso em: 26 mar. 2025.
Assinale a alternativa que analisa corretamente o emprego dos sinais de pontuação no texto.
AEm “A pausa forçada no uso das telas gera resistência, mas levanta uma questão importante [...]”, o uso da vírgula é facultativo.
BEm “[...] temas atuais como o ‘brain rot’ — ou ‘apodrecimento cerebral’ — [...]”, os travessões têm a função de isolar uma informação essencial do ponto de vista sintático.
CEm “Os jornais Joca e Tino Econômico [...] acompanham temas atuais como o ‘brain rot’ [...]”, as aspas utilizadas na expressão destacada indicam ironia por parte da autora.
DEm “A proibição é apenas o começo: o verdadeiro desafio está em preparar os jovens [...]”, a substituição dos dois pontos por ponto final tornaria o excerto agramatical.
EEm “Reduzir o uso de celulares contribui para um futuro mais saudável, tanto para os estudantes quanto para seus relacionamentos.”, o uso da vírgula é facultativo.
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GabaritoE — Em “Reduzir o uso de celulares contribui para um futuro mais saudável, tanto para os estudantes quanto para seus relacionamentos.”, o uso da vírgula é facultativo.
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Pontuação: vírgula facultativa em estruturas correlatas
Gabarito: letra E. A alternativa E é a única correta porque a vírgula em “Reduzir o uso de celulares contribui para um futuro mais saudável, tanto para os estudantes quanto para seus relacionamentos” é facultativa: ela separa uma locução conjuntiva correlata que inicia um adjunto adverbial deslocado, e sua retirada não prejudica a gramaticalidade nem o sentido do período. As demais alternativas erram ao classificar o uso da vírgula como facultativo onde ele é obrigatório, ao atribuir função incorreta aos travessões, ao confundir o valor das aspas e ao afirmar que a troca de dois-pontos por ponto final tornaria o trecho agramatical.
O comando pede que se analise corretamente o emprego dos sinais de pontuação — ou seja, exige conhecimento da função normativa de cada sinal no contexto específico do texto. Não se trata de interpretar o conteúdo, mas de aplicar as regras de pontuação da norma culta ao que está escrito. Para resolver, é preciso testar cada afirmação contra a regra gramatical e contra o trecho citado.
O texto-base é um artigo de opinião sobre a proibição de celulares nas escolas. A questão não depende do tema nem da tese, mas de trechos isolados que ilustram usos de vírgula, travessão, aspas e dois-pontos. A resposta mora na análise sintática de cada excerto, não na compreensão global do texto.
A técnica central é distinguir vírgula obrigatória de vírgula facultativa. A vírgula é obrigatória quando separa orações coordenadas assindéticas ou sindéticas (exceto as aditivas com “e”), quando isola termos intercalados (aposto, vocativo, adjunto deslocado) e quando separa elementos de uma enumeração. É facultativa quando marca uma pausa que pode ser suprimida sem prejuízo sintático — como ocorre com adjuntos adverbiais de pequena extensão deslocados ou com locuções conjuntivas correlatas que iniciam um termo deslocado.
No trecho da alternativa E, a estrutura é: “Reduzir o uso de celulares contribui para um futuro mais saudável, tanto para os estudantes quanto para seus relacionamentos.” A oração principal é “Reduzir o uso de celulares contribui para um futuro mais saudável”. O segmento “tanto para os estudantes quanto para seus relacionamentos” é um adjunto adverbial de companhia/abrangência deslocado para o final, introduzido pela locução correlata “tanto... quanto”. A vírgula antes dessa locução é facultativa: pode-se escrever “contribui para um futuro mais saudável tanto para os estudantes quanto para seus relacionamentos” sem qualquer prejuízo gramatical. A pausa apenas reforça a ênfase, mas não é exigida pela sintaxe.
PEGA ESSA DICA!
Para saber se a vírgula é facultativa, retire-a mentalmente e verifique se a frase continua gramatical e semanticamente íntegra. Se sim, o uso é facultativo; se a estrutura quebra ou o sentido muda, é obrigatória.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Em “A pausa forçada no uso das telas gera resistência, mas levanta uma questão importante [...]”, a vírgula é obrigatória, não facultativa. Ela separa duas orações coordenadas sindéticas adversativas unidas pela conjunção “mas”. A regra é clara: emprega-se vírgula antes das conjunções adversativas (“mas”, “porém”, “contudo”, “todavia”) que ligam orações. Retirar a vírgula tornaria o período agramatical: “gera resistência mas levanta uma questão importante” — sem a pausa, a leitura fica comprometida e a estrutura coordenada perde a marcação. A alternativa erra ao classificar como facultativo um uso obrigatório.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Em “[...] temas atuais como o ‘brain rot’ — ou ‘apodrecimento cerebral’ — [...]”, os travessões isolam uma informação acessória, não essencial. O trecho “ou ‘apodrecimento cerebral’” é uma explicação — uma glosa que traduz o termo em inglês. Sintaticamente, trata-se de um aposto explicativo ou de uma intercalação, termo que pode ser retirado sem prejuízo da estrutura: “temas atuais como o ‘brain rot’” continua íntegro. A alternativa afirma que a informação é “essencial do ponto de vista sintático”, o que é falso: os travessões, assim como vírgulas e parênteses, isolam justamente elementos acessórios e suprimíveis. O erro é classificar como essencial o que é acessório.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Em “Os jornais Joca e Tino Econômico [...] acompanham temas atuais como o ‘brain rot’ [...]”, as aspas em “brain rot” não indicam ironia. O termo é um estrangeirismo — expressão em inglês citada literalmente, inclusive com a tradução entre travessões logo em seguida. As aspas marcam que a palavra é estrangeira, destacando-a do texto em português. Não há qualquer tom irônico: a autora usa o termo técnico de forma neutra, explicando-o em seguida. A alternativa erra ao atribuir valor irônico a um uso que é de citação de estrangeirismo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Em “A proibição é apenas o começo: o verdadeiro desafio está em preparar os jovens [...]”, os dois-pontos introduzem uma explicação/esclarecimento do que foi dito antes. A substituição por ponto final não tornaria o excerto agramatical: “A proibição é apenas o começo. O verdadeiro desafio está em preparar os jovens [...]” é uma sequência perfeitamente gramatical — apenas transforma uma relação de explicação em dois períodos independentes. A alternativa afirma o contrário, errando ao confundir mudança de pontuação com erro gramatical. Trocar dois-pontos por ponto final é sempre possível quando a segunda oração é completa; o que muda é apenas o efeito de sentido (mais ou menos coesão), não a correção.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Em “Reduzir o uso de celulares contribui para um futuro mais saudável, tanto para os estudantes quanto para seus relacionamentos.”, a vírgula é facultativa. O segmento “tanto para os estudantes quanto para seus relacionamentos” é um adjunto adverbial deslocado, introduzido pela locução correlata “tanto... quanto”. A vírgula marca uma pausa enfática, mas sua retirada não prejudica a estrutura: “contribui para um futuro mais saudável tanto para os estudantes quanto para seus relacionamentos” permanece gramatical e com o mesmo sentido. Trata-se de um caso de vírgula facultativa, pois o termo deslocado é de pequena extensão e a pausa não é exigida pela sintaxe.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura casos obrigatórios e facultativos. A alternativa A tenta fazer o candidato acreditar que a vírgula antes de “mas” é dispensável — mas ela é obrigatória. A E acerta justamente por apontar um caso em que a pausa é opcional.
A regra de ouro para esta questão: vírgula antes de conjunção adversativa é obrigatória; vírgula antes de locução correlata deslocada é facultativa. Teste sempre a retirada do sinal — se a frase continua íntegra, o uso é facultativo; se quebra, é obrigatório.