Paciente hipertenso queixa-se de ronco noturno, associado a sonolência diurna e queda da produtividade. Ao exame, apresentou: IMC 35, Angle classe I, Mallampati IV, amigdalas grau I, conchas nasais eutróficas, septo nasal centrado. Realizou exame de polissonografia, que mostrou apneia obstrutiva do sono IAH 32.Considerando esse contexto, assinale a alternativa que apresenta a classificação da doença e o tratamento.
AÉ uma apneia obstrutiva do sono moderada. Deve-se estimular perda ponderal e indicar aparelho de pressão positiva (PAP).
BÉ uma apneia obstrutiva do sono grave. Deve-se estimular perda ponderal e indicar aparelho de pressão positiva (PAP).
CÉ uma apneia obstrutiva do sono moderada. Indicar cirurgia de avanço mandibular.
DÉ uma apneia obstrutiva do sono grave. Uvulopalatofaringoplastia é a primeira opção para o caso.
EÉ uma apneia obstrutiva do sono leve. A perda ponderal é suficiente para o tratamento.
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GabaritoB — É uma apneia obstrutiva do sono grave. Deve-se estimular perda ponderal e indicar aparelho de pressão positiva (PAP).
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Apneia Obstrutiva do Sono: classificação e tratamento
Gabarito: letra B. O paciente apresenta IAH (índice de apneia-hipopneia) de 32 eventos por hora, o que o classifica como apneia obstrutiva do sono (AOS) grave (IAH ≥ 30). O tratamento de primeira linha para AOS moderada a grave é o CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas), associado a medidas comportamentais como a perda ponderal — exatamente o que a alternativa B descreve.
A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio respiratório do sono caracterizado por episódios repetidos de colapso parcial ou completo das vias aéreas superiores durante o sono, resultando em apneias (pausas respiratórias ≥ 10 segundos no adulto) e hipopneias (redução do fluxo aéreo com dessaturação ou despertares). Esses eventos levam a fragmentação do sono, hipoxemia intermitente e ativação simpática, manifestando-se clinicamente como ronco, sonolência diurna excessiva, cefaleia matinal e queda da produtividade — sintomas presentes no paciente do enunciado.
A classificação da gravidade da AOS é feita pelo IAH, que representa o número de apneias e hipopneias por hora de sono. Os pontos de corte são: leve (IAH 5–14), moderada (IAH 15–29) e grave (IAH ≥ 30). O paciente tem IAH 32, portanto, AOS grave. É importante notar que a classificação independe dos achados do exame físico (Mallampati, amígdalas, etc.) — esses dados ajudam a identificar o sítio de obstrução e a planejar o tratamento, mas não alteram a classificação de gravidade, que é definida exclusivamente pela polissonografia.
O tratamento da AOS é escalonado e depende da gravidade. Para casos moderados a graves, o tratamento de escolha é o CPAP (continuous positive airway pressure), que funciona como uma "tala pneumática" mantendo as vias aéreas superiores abertas durante o sono. Além do CPAP, medidas comportamentais são fundamentais e devem ser sempre estimuladas: perda ponderal (a obesidade é o principal fator de risco modificável), posicionamento em decúbito lateral, higiene do sono e evitar álcool e sedativos. O paciente do caso tem IMC 35 (obesidade grau I), o que reforça a importância da perda de peso como adjuvante.
As opções cirúrgicas (como avanço mandibular, uvulopalatofaringoplastia, amigdalectomia) são reservadas para casos selecionados, geralmente quando há hipertrofia amigdaliana significativa, obstrução em nível orofaríngeo bem definido, ou quando o paciente não tolera ou não adere ao CPAP. No caso apresentado, as amígdalas são grau I (pequenas), o que torna a cirurgia de vias aéreas superiores uma opção menos atrativa. A cirurgia de avanço mandibular é indicada para pacientes com retrognatia ou obstrução em nível de base de língua, não sendo a primeira opção neste caso.
A pegadinha central desta questão está na classificação de gravidade: o candidato pode confundir o IAH 32 com AOS moderada (por estar "próximo" do limite de 30), mas o ponto de corte é claro — IAH ≥ 30 é grave. Além disso, a banca explora a associação automática entre "cirurgia" e "caso grave", quando na verdade o CPAP é o tratamento de primeira linha para AOS moderada a grave, e a cirurgia é opção para casos selecionados. Guarde a fronteira: IAH 15–29 = moderada; IAH ≥ 30 = grave — é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra na classificação: IAH 32 é grave, não moderada. O tratamento descrito (perda ponderal + PAP) está correto, mas a classificação está errada, o que invalida a alternativa.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Classifica corretamente como grave (IAH 32 ≥ 30) e indica o tratamento adequado: perda ponderal (medida comportamental essencial, dado o IMC 35) e PAP (pressão positiva), que é o tratamento de escolha para AOS moderada a grave. A alternativa espelha exatamente a conduta recomendada pelas diretrizes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra na classificação (IAH 32 é grave, não moderada) e no tratamento: a cirurgia de avanço mandibular não é a primeira opção para AOS grave. O CPAP é o tratamento inicial; a cirurgia é reservada para casos selecionados, como retrognatia ou falha/ intolerância ao CPAP.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Acerta na classificação (grave), mas erra no tratamento: a uvulopalatofaringoplastia (UPFP) não é a primeira opção para AOS grave. A UPFP é uma cirurgia de vias aéreas superiores com eficácia variável e não é indicada como tratamento inicial — o CPAP é o padrão-ouro. Além disso, o paciente tem amígdalas grau I, o que torna a UPFP menos indicada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra na classificação (IAH 32 é grave, não leve) e no tratamento: a perda ponderal isolada não é suficiente para tratar AOS grave. Embora seja uma medida importante e sempre recomendada, o tratamento de escolha para AOS grave é o CPAP, com a perda de peso como adjuvante.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os pontos de corte do IAH. O candidato vê "32" e pode achar que é moderada (por estar perto de 30), mas a regra é rígida: IAH ≥ 30 = grave. Outra armadilha é associar "caso grave" a "cirurgia", quando na verdade o CPAP é o tratamento de primeira linha para AOS moderada a grave — a cirurgia é opção para casos selecionados, não a primeira escolha. Com treino, você fixa esses limites e não cai mais.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de AOS, decore a tríade: IAH 5–14 (leve), 15–29 (moderada), ≥ 30 (grave). E lembre: CPAP é o tratamento de escolha para moderada a grave; perda ponderal é sempre adjuvante; cirurgia é para casos selecionados. Monte essa tabela mental e resolva as questões com rapidez.