Paciente dá entrada na unidade de emergência com queixa de tontura intensa, associada a náuseas e vômitos. Nega outras queixas. Ao exame, apresenta sacada corretiva à esquerda quando avaliado o lado direito, além de nistagmo horizontal à esquerda e ausência de skew deviattion. Sem outros achados nas demais etapas do exame.Para o caso em questão, qual alternativa melhor contempla, respectivamente, a hipótese diagnóstica e o tratamento?
ANeurite vestibular; suporte.
BAVC de fossa posterior; trombólise.
CSíndrome de Ménière; suporte + betaistina.
DMigrânea vestibular; suporte.
EVPPB; manobra de Epley.
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GabaritoA — Neurite vestibular; suporte.
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Síndrome vestibular aguda: neurite vestibular × AVC de fossa posterior
Gabarito: letra A. O quadro descrito — vertigem aguda de início súbito, náuseas e vômitos, com nistagmo horizontal unidirecional, sacada corretiva à esquerda ao avaliar o lado direito e ausência de skew deviation — é o padrão clássico de neurite vestibular, uma síndrome vestibular aguda de origem periférica. O tratamento é de suporte, com sintomáticos e reabilitação vestibular, e não há indicação de trombólise, manobra de Epley ou betaistina. A chave do diagnóstico está no exame HINTS, que diferencia a causa periférica da central (AVC de fossa posterior).
A síndrome vestibular aguda (SVA) é definida como um episódio de vertigem de início rápido, náuseas, vômitos e desequilíbrio, com duração de dias a semanas. O grande desafio na emergência é diferenciar a causa periférica — representada principalmente pela neurite vestibular — da causa central, que é o acidente vascular cerebral (AVC) de fossa posterior. Essa distinção é crítica porque o AVC de fossa posterior é uma emergência neurológica com janela terapêutica estreita, enquanto a neurite vestibular é uma condição benigna e autolimitada.
O exame HINTS (Head Impulse Test, Nystagmus, Test of Skew) é o instrumento clínico mais sensível para essa diferenciação. Ele avalia três parâmetros: o teste do impulso cefálico (head impulse test), as características do nistagmo e a presença de skew deviation. Na neurite vestibular, o head impulse test é anormal (sacada corretiva) no lado afetado, o nistagmo é horizontal e unidirecional, e não há skew deviation. No AVC de fossa posterior, o head impulse test é normal, o nistagmo pode ser vertical, bidirecional ou mudar de direção com o olhar, e frequentemente há skew deviation. No caso apresentado, o paciente tem sacada corretiva à esquerda quando avaliado o lado direito (head impulse test anormal à direita), nistagmo horizontal à esquerda e ausência de skew deviation — exatamente o padrão periférico.
A neurite vestibular é causada por uma infecção viral do nervo vestibular, levando a uma perda unilateral aguda da função vestibular. O paciente apresenta vertigem intensa e contínua, náuseas e vômitos, mas sem sintomas auditivos (hipoacusia, zumbido) e sem outros déficits neurológicos. O tratamento é de suporte: hidratação, antieméticos, anti-histamínicos ou benzodiazepínicos para alívio sintomático, e reabilitação vestibular precoce. O prognóstico é bom, com melhora gradual em dias a semanas.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que o exame HINTS é o elemento decisivo. O candidato que não domina esse exame pode confundir a neurite vestibular com AVC de fossa posterior, VPPB ou doença de Ménière. A VPPB, por exemplo, é desencadeada por mudanças de posição e causa ataques breves (menos de 1 minuto), com nistagmo torcional vertical — não se encaixa no quadro de vertigem contínua. A doença de Ménière cursa com sintomas auditivos flutuantes (perda auditiva, zumbido, plenitude) e crises de 20 minutos a 12 horas. A migrânea vestibular geralmente tem outros sintomas associados, como cefaleia e fotofobia. O AVC de fossa posterior, por sua vez, teria um HINTS sugestivo de etiologia central.
Guarde o padrão do HINTS: é exatamente nele que as alternativas se dividem. A presença de head impulse test anormal + nistagmo unidirecional + ausência de skew deviation aponta para periferia (neurite vestibular); a tríade inversa (HIT normal, nistagmo central, skew presente) aponta para AVC de fossa posterior.
Síndrome vestibular aguda
1Periférica (neurite vestibular)
HIT anormal (sacada corretiva)
Nistagmo horizontal unidirecional
Sem skew deviation
Tratamento: suporte
2Central (AVC de fossa posterior)
HIT normal
Nistagmo vertical/bidirecional
Skew deviation presente
Tratamento: trombólise
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A neurite vestibular é a hipótese diagnóstica que melhor explica o quadro: vertigem aguda de início súbito, náuseas e vômitos, sem sintomas auditivos, com exame HINTS periférico (head impulse test anormal, nistagmo horizontal unidirecional, ausência de skew deviation). O tratamento é de suporte, com sintomáticos e reabilitação vestibular, pois a condição é benigna e autolimitada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O AVC de fossa posterior é a principal causa central de síndrome vestibular aguda, mas o exame HINTS do paciente é claramente periférico: head impulse test anormal, nistagmo horizontal unidirecional e ausência de skew deviation. No AVC de fossa posterior, o head impulse test é normal, o nistagmo tem características centrais (vertical, bidirecional ou que muda com o olhar) e frequentemente há skew deviation. Além disso, o paciente não apresenta outros déficits neurológicos. A trombólise seria indicada apenas se houvesse confirmação de AVC isquêmico, o que não é o caso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A doença de Ménière é uma vertigem episódica espontânea, com crises de 20 minutos a 12 horas, acompanhadas de sintomas auditivos flutuantes (perda auditiva neurossensorial, zumbido, plenitude aural). O paciente do caso não apresenta sintomas auditivos e tem um quadro de vertigem aguda contínua, não episódica. O tratamento com betaistina é discutível e não é o padrão para o quadro descrito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A migrânea vestibular é uma causa central comum de vertigem, mas geralmente não é o único sintoma — costuma vir acompanhada de cefaleia, fotofobia, fonofobia ou aura. O paciente nega outras queixas além da tontura, náuseas e vômitos, e o exame HINTS é periférico, não central. O tratamento de suporte isolado não é a melhor conduta para migrânea vestibular, que tem terapias específicas abortivas e preventivas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A VPPB é uma vertigem episódica desencadeada por mudanças de posição, com ataques breves (menos de 1 minuto) e nistagmo torcional vertical. O paciente tem vertigem aguda contínua, sem gatilho posicional, e o nistagmo é horizontal — não compatível com VPPB. A manobra de Epley é altamente efetiva para VPPB do canal posterior, mas não se aplica a este caso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as causas periférica e central da síndrome vestibular aguda. O candidato que não domina o exame HINTS pode achar que todo quadro de vertigem aguda com náuseas e vômitos é um AVC de fossa posterior (alternativa B) e indicar trombólise. Mas o HINTS é o divisor de águas: head impulse test anormal + nistagmo unidirecional + ausência de skew deviation = periferia (neurite vestibular). Decore a tríade periférica e a tríade central — é o que separa o diagnóstico e o tratamento.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar o HINTS, monte uma tabela mental comparando os três parâmetros entre neurite vestibular e AVC de fossa posterior:
Parâmetro
Neurite vestibular (periférico)
AVC de fossa posterior (central)
Head impulse test
Anormal (sacada corretiva)
Normal
Nistagmo
Horizontal, unidirecional
Vertical, bidirecional ou muda com o olhar
Skew deviation
Ausente
Presente
Na prova, ao ver vertigem aguda + HINTS periférico, pense em neurite vestibular e tratamento de suporte. Ao ver HINTS central, acione o protocolo de AVC.
Gabarito: letra A — neurite vestibular, com tratamento de suporte.