Paciente de 35 anos apresenta queixa de paralisia facial súbita, associada a zumbido à direita. Ao exame, obsevou-se à direita: abolição das rugas frontais da testa, rebaixamento da ponta da sobrancelha, pálpebra inferior caída, abolição do sulco nasolabial, lábio superior e inferior desabados. A paralisia foi classificada como House-Brackmann V. Além disso, foram notadas lesões de aspecto vesicular em pavilhão auricular à direita.Com base nessas informações, assinale a alternativa que melhor contempla a suspeita diagnóstica, a etiologia e o tratamento para esse caso.
AParalisia facial central por um AVC isquêmico, causado por um trombo arterial. Tratar com trombólise imediata.
BParalisia facial periférica por síndrome de Ramsay Hunt, causada pelo vírus varicela-zóster. Tratar com antivirais, suporte e cuidados oculares.
CParalisia facial periférica por síndrome de Melkersson-Rosenthal, causada por auto-anticorpos. Tratar com corticoterapia em dose imunossupressora.
DParalisia facial periférica por síndrome de Bell, causada pelo vírus herpes simples tipo I. Tratar com antivirais, suporte e cuidados oculares.
EParalisia facial central por um Schwannoma do nervo facial, de causa neoplásica. Tratar com ressecção cirúrgica.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Paralisia facial periférica por síndrome de Ramsay Hunt, causada pelo vírus varicela-zóster. Tratar com antivirais, suporte e cuidados oculares.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Paralisia facial periférica: síndrome de Ramsay Hunt
Gabarito: letra B. O quadro descrito — paralisia facial periférica súbita (acometendo toda a hemiface, incluindo a fronte) associada a zumbido e lesões vesiculares no pavilhão auricular — é a apresentação clássica da síndrome de Ramsay Hunt, causada pela reativação do vírus varicela-zóster (VVZ) no gânglio geniculado do nervo facial. O tratamento combina antivirais (aciclovir ou valaciclovir), suporte e cuidados oculares.
A paralisia facial é um dos diagnósticos diferenciais mais cobrados em otorrinolaringologia e neurologia, e a chave para resolvê-la está em dois eixos: (1) distinguir a paralisia periférica da central e (2) identificar a etiologia específica. No caso, a presença de vesículas no ouvido é o dado que fecha o diagnóstico.
Paralisia periférica × central. A paralisia facial periférica compromete toda a hemiface ipsilateral à lesão do nervo facial (VII par), incluindo a fronte — por isso o paciente perde as rugas frontais e não consegue fechar o olho (sinal de Bell). Isso ocorre porque a porção superior do núcleo do nervo facial recebe inervação de ambos os hemisférios cerebrais; logo, uma lesão central (no neurônio motor superior) poupa a fronte, comprometendo apenas o andar inferior da hemiface contralateral. No enunciado, a abolição das rugas frontais e a pálpebra inferior caída confirmam o comprometimento periférico — o que já afasta as alternativas A e E, que falam em paralisia central.
Etiologias da paralisia facial periférica. As principais causas são:
Etiologia
Agente / mecanismo
Característica distintiva
Síndrome de Ramsay Hunt
Reativação do vírus varicela-zóster no gânglio geniculado
Provável reativação do herpes simples tipo I (idiopática)
Paralisia facial sem vesículas; mais comum; geralmente autolimitada
Síndrome de Melkersson-Rosenthal
Genética/inflamatória (não autoimune clássica)
Tríade: paralisia facial recorrente, língua fissurada (escrotal) e edema orofacial
Neoplasias (ex.: schwannoma)
Tumor do nervo facial
Paralisia de instalação progressiva, não súbita
A síndrome de Ramsay Hunt é definida pelo envolvimento do nervo facial ou auditivo com paralisia facial ipsilateral, lesões de herpes-zóster no ouvido externo, membrana timpânica e/ou nos dois terços anteriores da língua, podendo levar a vertigem, zumbido, otalgia e surdez. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o tratamento precoce com antivirais (idealmente nas primeiras 72 horas) melhora o prognóstico de recuperação do nervo.
Tratamento. O manejo da Ramsay Hunt envolve: (1) antivirais (aciclovir 800 mg 5×/dia por 7–10 dias, ou valaciclovir 1 g 3×/dia), frequentemente associados a corticoides para reduzir a inflamação do nervo; (2) cuidados oculares — lubrificação, proteção do olho (pois a lagoftalmo pode causar ceratite de exposição); e (3) suporte — analgesia, repouso e acompanhamento otorrinolaringológico. A alternativa B contempla exatamente esses três pilares.
A pegadinha central desta questão é a troca de etiologias: a banca oferece a paralisia de Bell (herpes simples) como distrator, mas a presença de vesículas no pavilhão auricular é o sinal patognomônico que diferencia a Ramsay Hunt da Bell. Guarde a fronteira: vesícula no ouvido = Ramsay Hunt (VVZ); sem vesícula = Bell (HSV-1).
Paralisia facial periférica: Ramsay Hunt (VVZ) (Vesículas no pavilhão auricular, Zumbido, otalgia, vertigem, Tratamento: antivirais + corticoide); Bell (HSV-1) (Sem vesículas, Mais comum, autolimitada); Melkersson-Rosenthal (Tríade: paralisia + língua fissurada + edema); Schwannoma (Instalação progressiva, Tratamento: ressecção cirúrgica); Paralisia facial central (Poupa a fronte, AVC isquêmico)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao classificar como paralisia facial central por AVC isquêmico. O comprometimento da fronte (abolição das rugas frontais) e a presença de vesículas no pavilhão auricular afastam completamente a hipótese de AVC: na paralisia central, a fronte é poupada (inervação bilateral) e não há lesões vesiculares. Além disso, a instalação súbita com zumbido e vesículas aponta para reativação viral, não para trombo arterial.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta em todos os elementos: paralisia facial periférica (comprometimento de toda a hemiface, incluindo fronte), síndrome de Ramsay Hunt (paralisia + vesículas auriculares + zumbido), etiologia viral pelo VVZ e tratamento com antivirais, suporte e cuidados oculares. É a única alternativa que amarra corretamente os três pilares pedidos: diagnóstico, etiologia e tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao atribuir a síndrome de Melkersson-Rosenthal como causa. Essa síndrome é caracterizada pela tríade clássica de paralisia facial recorrente, língua fissurada (escrotal) e edema orofacial — nenhum desses elementos está presente no caso. Além disso, sua etiologia não é por auto-anticorpos (é uma condição genética/inflamatória), e o tratamento com corticoterapia imunossupressora não é a conduta de primeira linha para o quadro agudo descrito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao diagnosticar paralisia de Bell (causada pelo herpes simples tipo I). Embora a paralisia de Bell seja a causa mais comum de paralisia facial periférica, ela não apresenta lesões vesiculares — a presença de vesículas no pavilhão auricular é o diferencial que aponta para a síndrome de Ramsay Hunt (VVZ). O tratamento com antivirais, suporte e cuidados oculares está correto, mas a etiologia e o diagnóstico estão trocados.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao classificar como paralisia facial central por schwannoma do nervo facial. O schwannoma é um tumor que causa paralisia de instalação progressiva, não súbita, e não explica as lesões vesiculares. Além disso, a paralisia é periférica (compromete a fronte), não central. A ressecção cirúrgica não é a conduta inicial para um quadro viral agudo como o descrito.