Recém-nascido será submetido, no 2º dia vida, a triagem auditiva neonatal universal. Considerando esse contexto, assinale a alternativa correta.
ACaso o recém-nascido tenha estadia em UTI neonatal, deve fazer o exame de emissões otoacústicas isolado.
BSe houver falha na TANU, é obrigatório, pelo protocolo atual, pesquisar toxoplasmose.
CQuando realizado o potencial evocado auditivo de tronco encefálico, latências absolutas prolongadas indicam perda auditiva do tipo condutiva.
DEm caso de 2 falhas consecutivas no protocolo de testagem, não é necessária uma avaliação por um médico otorrinolaringologista.
ECaso haja perda auditiva profunda, está descartada indicação de implante coclear.
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GabaritoC — Quando realizado o potencial evocado auditivo de tronco encefálico, latências absolutas prolongadas indicam perda auditiva do tipo condutiva.
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Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU) e o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico
Gabarito: letra C. No potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE), latências absolutas prolongadas indicam perda auditiva do tipo condutiva, pois o atraso na condução do estímulo sonoro pela orelha média e interna retarda o aparecimento das respostas neurais. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta frente ao protocolo de triagem auditiva neonatal.
A triagem auditiva neonatal universal (TANU) é a estratégia de rastreamento da deficiência auditiva em recém-nascidos, realizada idealmente no primeiro mês de vida, com o objetivo de identificar precocemente alterações auditivas e permitir intervenção oportuna. O método de triagem mais utilizado é o das emissões otoacústicas evocadas (EOA), que avaliam a função da orelha interna (cóclea), especificamente das células ciliadas externas. Quando o recém-nascido apresenta fatores de risco para perda auditiva (como permanência em UTI neonatal por mais de 5 dias, uso de ototóxicos, hiperbilirrubinemia, história familiar de surdez, infecções congênitas, entre outros), o protocolo recomenda a realização do PEATE como teste de triagem, pois ele avalia a via auditiva desde a orelha interna até o tronco encefálico, sendo mais sensível para detectar perdas retrococleares e neuropatias auditivas.
O PEATE registra a atividade elétrica gerada ao longo da via auditiva após um estímulo sonoro, gerando um traçado com ondas características (I, III e V são as mais analisadas). As latências absolutas representam o tempo que o estímulo leva para percorrer cada porção da via auditiva. Na perda condutiva, há um atraso na transmissão do som pela orelha externa e/ou média (ex.: otite média, malformação de orelha média), o que prolonga as latências de todas as ondas, mas preserva os intervalos interpicos (diferença entre as latências de ondas sucessivas). Já na perda neurossensorial, as latências podem estar normais ou prolongadas, mas os intervalos interpicos costumam estar alterados quando há comprometimento retrococlear. Essa distinção é fundamental para a interpretação correta do exame.
Na prática, o protocolo de triagem segue uma lógica: o recém-nascido sem fatores de risco faz EOA; se falhar, repete-se a EOA; se falhar novamente, encaminha-se para avaliação otorrinolaringológica e audiológica completa. O recém-nascido com fatores de risco (como UTI neonatal) já faz PEATE diretamente, pois as EOA isoladas não detectam neuropatia auditiva ou perdas retrococleares. A falha na triagem não implica, por si só, pesquisa de toxoplasmose — essa investigação é direcionada quando há suspeita clínica ou fatores de risco específicos para infecções congênitas. E a perda auditiva profunda, longe de descartar o implante coclear, é justamente uma das principais indicações para esse procedimento, que visa restaurar a audição quando o aparelho auditivo convencional não é suficiente.
A pegadinha da banca está em inverter o raciocínio sobre as latências do PEATE e em simplificar demais as condutas do protocolo. O candidato que decora que "latência prolongada = perda neurossensorial" erra a questão, pois o prolongamento absoluto é característico da perda condutiva. Além disso, é preciso lembrar que a TANU não é um exame isolado, mas um processo que envolve triagem, diagnóstico e intervenção, com fluxos específicos para cada situação.
Guarde a fronteira entre latência absoluta (tempo de cada onda) e intervalo interpico (diferença entre ondas): é exatamente nela que as alternativas se dividem. A alternativa C explora corretamente essa distinção, enquanto as demais confundem condutas e conceitos.
Critério
Perda Condutiva
Perda Neurossensorial
Latências absolutas no PEATE
Prolongadas
Normais ou prolongadas
Intervalos interpicos
Normais
Alterados (se comprometimento retrococlear)
Local da lesão
Orelha externa/média
Orelha interna ou via retrococlear
PEATE (potencial evocado auditivo)
1Perda condutiva
Latências absolutas prolongadas
Intervalos interpicos preservados
2Perda neurossensorial
Latências normais ou prolongadas
Intervalos interpicos alterados
3Perda retrococlear
Comprometimento da via neural
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o recém-nascido com estadia em UTI neonatal deve fazer apenas o exame de emissões otoacústicas isolado. Isso está errado: o protocolo recomenda que recém-nascidos com fatores de risco para perda auditiva, como a permanência em UTI neonatal, realizem o PEATE como teste de triagem, pois as EOA isoladas não detectam neuropatia auditiva nem perdas retrococleares. A EOA avalia apenas a cóclea, enquanto o PEATE avalia toda a via auditiva até o tronco encefálico. O erro está em subestimar o risco e indicar um exame menos sensível para essa população.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que, se houver falha na TANU, é obrigatório pesquisar toxoplasmose. Isso está errado: a falha na triagem auditiva indica a necessidade de repetir o exame ou encaminhar para avaliação otorrinolaringológica e audiológica completa, mas não implica, por si só, a pesquisa de toxoplasmose. A investigação de toxoplasmose (e outras infecções congênitas) é direcionada quando há suspeita clínica ou fatores de risco específicos, como achados ao exame físico, alterações laboratoriais ou história materna. O erro está em generalizar uma conduta que é específica para situações de risco.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que, no PEATE, latências absolutas prolongadas indicam perda auditiva do tipo condutiva. Isso está correto: na perda condutiva, há um atraso na transmissão do som pela orelha externa e/ou média, o que prolonga as latências de todas as ondas do PEATE, mas preserva os intervalos interpicos. Esse padrão é característico e permite diferenciar a perda condutiva da neurossensorial. A alternativa espelha exatamente o conceito fisiopatológico do exame.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que, em caso de 2 falhas consecutivas no protocolo de testagem, não é necessária uma avaliação por um médico otorrinolaringologista. Isso está errado: o protocolo de triagem auditiva neonatal prevê que, após duas falhas consecutivas (seja na EOA ou no PEATE), o recém-nascido deve ser encaminhado para avaliação otorrinolaringológica e audiológica completa, para diagnóstico definitivo e intervenção precoce. O erro está em negar a necessidade de avaliação especializada, o que contraria o fluxo de cuidado estabelecido.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que, caso haja perda auditiva profunda, está descartada a indicação de implante coclear. Isso está errado: a perda auditiva profunda é, na verdade, uma das principais indicações para o implante coclear, especialmente quando o aparelho de amplificação sonora individual (AASI) não proporciona benefício adequado. O implante coclear é um dispositivo eletrônico que estimula diretamente o nervo auditivo, sendo indicado justamente nos casos de perda severa a profunda. O erro está em inverter a lógica da indicação do procedimento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter o raciocínio sobre as latências do PEATE e simplificar demais as condutas do protocolo. O candidato que decora que "latência prolongada = perda neurossensorial" erra a questão, pois o prolongamento absoluto é característico da perda condutiva. Além disso, é preciso lembrar que a TANU não é um exame isolado, mas um processo que envolve triagem, diagnóstico e intervenção, com fluxos específicos para cada situação. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela comparativa entre perda condutiva e neurossensorial no PEATE: na condutiva, latências absolutas prolongadas com intervalos interpicos normais; na neurossensorial, latências podem estar normais ou prolongadas, mas os intervalos interpicos costumam estar alterados quando há comprometimento retrococlear. Essa distinção é a chave para questões sobre PEATE.