O carcinoma de nasofaringe pode trazer muitas consequências para os pacientes. Acerca dessa condição, assinale a alternativa correta.
ANo continente americano, concentra-se a maior incidência e mortalidade.
BO papilomavírus humano é um dos vírus mais frequentemente associado a essa condição.
CA tomografia é o exame de escolha para avaliar a extensão na nasofaringe.
DO tratamento cirúrgico costuma ser a primeira escolha de tratamento.
EOs locais mais comuns de metástases a distância são ossos, pulmão e fígado.
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GabaritoE — Os locais mais comuns de metástases a distância são ossos, pulmão e fígado.
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Carcinoma de nasofaringe: epidemiologia, etiologia, diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra E. O carcinoma de nasofaringe (CNF) é uma neoplasia maligna que se origina no epitélio da nasofaringe, com distribuição geográfica peculiar — é endêmico no Sudeste Asiático e no Norte da África, e não nas Américas. A alternativa correta afirma que os locais mais comuns de metástases à distância são ossos, pulmão e fígado, o que está de acordo com o padrão de disseminação hematogênica dessa neoplasia. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a maior incidência e mortalidade não se concentram no continente americano; o vírus mais frequentemente associado é o Epstein-Barr (EBV), e não o papilomavírus humano (HPV); a ressonância magnética é o exame de escolha para avaliar a extensão local na nasofaringe; e o tratamento de primeira escolha é a radioterapia, com ou sem quimioterapia, e não a cirurgia.
O carcinoma de nasofaringe é um tumor maligno que se desenvolve no revestimento epitelial da nasofaringe, a porção superior da faringe, atrás da cavidade nasal. É uma neoplasia com características epidemiológicas e clínicas bem distintas dos demais carcinomas de cabeça e pescoço. A compreensão dessas particularidades é essencial para o manejo adequado e para responder questões de prova sobre o tema.
Epidemiologia: O CNF tem uma distribuição geográfica marcante. A maior incidência mundial ocorre no Sudeste Asiático, especialmente no sul da China, além de regiões do Norte da África e do Ártico (Alasca, Groenlândia). No continente americano, a incidência é baixa, com exceção de algumas populações específicas, como os esquimós. Portanto, a afirmação de que as Américas concentram a maior incidência e mortalidade é incorreta.
Etiologia: O fator etiológico mais fortemente associado ao CNF é o vírus Epstein-Barr (EBV), um herpesvírus. A associação é tão estreita que a presença do EBV é utilizada como marcador diagnóstico e prognóstico, especialmente nos tipos não queratinizantes (tipos II e III da classificação da OMS). O papilomavírus humano (HPV) está mais associado a outros carcinomas de cabeça e pescoço, como os de orofaringe (amígdalas e base de língua), e não ao CNF. Outros fatores de risco incluem consumo de alimentos preservados em sal, tabagismo e etilismo, e predisposição genética.
Diagnóstico por imagem: Para avaliar a extensão local do tumor na nasofaringe, o exame de escolha é a ressonância magnética (RM), devido à sua superioridade na avaliação de partes moles, permitindo visualizar com precisão a extensão tumoral, o envolvimento de estruturas adjacentes e a invasão da base do crânio. A tomografia computadorizada (TC) é útil para avaliar erosão óssea e metástases cervicais, mas a RM é preferida para a avaliação local. O estadiamento também inclui a avaliação de metástases à distância, geralmente com PET-CT ou cintilografia óssea.
Tratamento: O tratamento de primeira escolha para o CNF é a radioterapia, frequentemente associada à quimioterapia (quimiorradioterapia), especialmente nos estádios avançados. A cirurgia é reservada para casos específicos, como doença residual ou recidiva local após radioterapia, ou para linfonodos cervicais residuais. A ressecção cirúrgica primária é difícil devido à localização anatômica profunda e à proximidade de estruturas nobres, como a base do crânio e os nervos cranianos.
Metástases à distância: O CNF tem um padrão de disseminação hematogênica característico. Os locais mais comuns de metástases à distância são ossos, pulmão e fígado. Essa informação é consistente com o comportamento biológico do tumor e é um dado clássico em oncologia. A presença de metástases à distância define o estádio IVC e tem implicações prognósticas importantes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o CNF e outros tumores de cabeça e pescoço. O candidato pode associar o HPV ao CNF, mas o vírus correto é o EBV. Da mesma forma, pode pensar que a TC é o exame padrão para avaliar a extensão local, mas a RM é superior. E pode achar que a cirurgia é o tratamento inicial, quando a radioterapia é a pedra angular. Fique atento a essas trocas clássicas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que no continente americano se concentra a maior incidência e mortalidade do CNF. Isso é falso. A maior incidência e mortalidade ocorrem no Sudeste Asiático (sul da China) e no Norte da África. Nas Américas, a incidência é baixa, exceto em populações específicas como os esquimós do Alasca. A banca inverte a distribuição geográfica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o papilomavírus humano (HPV) é um dos vírus mais frequentemente associados ao CNF. O vírus mais fortemente associado é o Epstein-Barr (EBV). O HPV está mais relacionado a outros carcinomas de cabeça e pescoço, como os de orofaringe. A banca troca o EBV pelo HPV.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a tomografia é o exame de escolha para avaliar a extensão na nasofaringe. O exame de escolha é a ressonância magnética (RM), que tem melhor resolução para partes moles e avaliação da base do crânio. A TC é útil para avaliar erosão óssea, mas não é o exame de escolha para a extensão local. A banca troca a RM pela TC.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o tratamento cirúrgico costuma ser a primeira escolha. O tratamento de primeira escolha é a radioterapia, com ou sem quimioterapia (quimiorradioterapia). A cirurgia é reservada para casos de doença residual ou recidiva, ou para linfonodos residuais. A banca troca a radioterapia pela cirurgia.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que os locais mais comuns de metástases à distância são ossos, pulmão e fígado. Isso está correto. O CNF tem predileção por esses sítios metastáticos, o que é um dado clássico e consistente com o comportamento biológico do tumor. Essa é a única alternativa que apresenta uma afirmação verdadeira.