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Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
qg541836
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista - Cirurgião Cabeça-Pescoço
Um homem feodérmico de 31 anos foi internado com doença de Crohn grave, em estado nutricional precário. Em uma acutização anterior da doença, apresentou estenose intestinal extensa, tendo sido ressecados 60 cm de íleo terminal. Os exames laboratoriais mostraram deficiência de ferro, vitamina B12, vitamina D, vitamina K, cálcio, magnésio e ácido fólico, além de hipoalbuminemia. O paciente estava anêmico e com sarcopenia; conseguia ingerir alimentos por via oral, porém apresentava hiporexia. A conduta de primeira linha para restabelecer o estado nutricional desse paciente é
  1. Ainsistir com a dieta oral, por meio de alimentos toleráveis e assistência psicológica.
  2. Baumentar as doses dos medicamentos e acrescentar suplementos nutricionais orais.
  3. Cdieta enteral por meio de cateter nasoentérico e aporte dos nutrientes necessários.
  4. Ddieta parenteral e transfusões de hemácias, até se alcançar o equilíbrio nutricional.
  5. Erealizar jejunostomia para nutrição eficaz.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — dieta enteral por meio de cateter nasoentérico e aporte dos nutrientes necessários.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Suporte nutricional na doença de Crohn grave

Gabarito: letra C. Em paciente com doença de Crohn grave, desnutrido, sarcopênico e com hiporexia, a conduta de primeira linha para restabelecer o estado nutricional é a dieta enteral por sonda nasoentérica, pois o trato gastrointestinal é funcional e a nutrição enteral é mais fisiológica, associa-se a menos complicações infecciosas e metabólicas e tem menor custo que a parenteral — princípio consagrado de que "se o intestino funciona, use-o". A via oral isolada é insuficiente pela hiporexia, e a parenteral fica reservada para quando a enteral é contraindicada ou insuficiente.

O suporte nutricional é pilar no manejo da doença inflamatória intestinal (DII), especialmente na doença de Crohn, em que a desnutrição é frequente e agrava o prognóstico. Neste paciente, vários fatores se somam: doença grave em atividade, ressecção de 60 cm de íleo terminal (que compromete a absorção de vitamina B12 e sais biliares), deficiências múltiplas (ferro, B12, vitamina D, vitamina K, cálcio, magnésio, ácido fólico), hipoalbuminemia, anemia e sarcopenia. A hiporexia impede que a via oral atinja as metas calórico-proteicas, e a sarcopenia é marcador de gravidade — cada dia de déficit nutricional piora o balanço nitrogenado e a imunidade.

A nutrição enteral (NE) é a via preferencial quando o trato digestório é funcional e há impossibilidade ou insuficiência da via oral. Ela preserva a integridade da mucosa intestinal, estimula o fluxo esplâncnico e a imunidade local, e tem menor risco de complicações infecciosas e metabólicas que a nutrição parenteral (NP). As contraindicações à NE são situações como íleo paralítico, isquemia intestinal, instabilidade hemodinâmica com vasopressores em doses altas, obstrução intestinal, vômitos intratáveis, diarreia grave e peritonite — nenhuma presente no caso. A NP fica para quando a NE é impossível ou insuficiente (ex.: falência intestinal, fístula de alto débito, íleo prolongado).

A escolha da via também considera a fisiopatologia da doença de Crohn: a doença ileal extensa ou ressecada leva à má absorção de vitamina B12 (suplementação parenteral) e de gorduras/sais biliares (podendo necessitar de triglicerídeos de cadeia média). A dieta enteral pode ser administrada com fórmula polimérica ou semielementar, e deve ser complementada com reposição específica das deficiências — ferro, B12 parenteral, cálcio, vitamina D, magnésio, ácido fólico e vitaminas lipossolúveis. A NE também tem papel terapêutico na doença de Crohn do intestino delgado, podendo induzir remissão, especialmente em crianças.

A pegadinha central desta questão é a hierarquia das vias de suporte nutricional: o candidato pode ser tentado a escolher a parenteral por achar que a doença grave exige "pular" o intestino, mas o princípio é exatamente o oposto — se o intestino funciona, a enteral é a primeira escolha. A via oral, embora sempre desejável, é insuficiente aqui pela hiporexia e pelo estado grave. A alternativa correta combina a via enteral com o aporte dos nutrientes necessários, o que é a conduta de primeira linha.

Guarde a hierarquia: via oral → suplementação oral → nutrição enteral → nutrição parenteral. A decisão entre enteral e parenteral depende da funcionalidade do trato gastrointestinal, não da gravidade da doença. É exatamente esse critério que separa as alternativas.

Via de suporte nutricional

Indicação

Contraindicação principal

Observação no caso

Via oral isolada

Paciente com ingestão adequada

Hiporexia/ingestão insuficiente

Insuficiente (hiporexia + sarcopenia)

Suplementação oral

Ingestão oral parcial, mas viável

Incapacidade de atingir metas por via oral

Insuficiente (hiporexia limita aceitação)

Nutrição enteral (sonda nasoentérica)

TGI funcional e via oral insuficiente

Íleo paralítico, isquemia, obstrução, instabilidade hemodinâmica

Primeira linha (TGI funcional)

Nutrição parenteral

TGI não funcional ou NE insuficiente

TGI funcional (preferir enteral)

Reservada (não há contraindicação à NE)

Jejunostomia

Acesso enteral de longo prazo (cirúrgico)

Necessidade de acesso imediato/agudo

Invasiva e desnecessária no caso agudo

1Hierarquia das vias
Via oral
Suplemento oral
Nutrição enteral
Nutrição parenteral
2Critério decisivo
Intestino funcional → enteral
Intestino não funcional → parenteral
3Contraindicações à enteral
Íleo paralítico
Isquemia intestinal
Obstrução
Peritonite
4Crohn: particularidades
Ressecção ileal → B12 parenteral
Doença ileal → má absorção de gorduras
Suporte nutricional (DII)
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Suporte nutricional (DII): Hierarquia das vias (Via oral, Suplemento oral, Nutrição enteral, Nutrição parenteral); Critério decisivo (Intestino funcional → enteral, Intestino não funcional → parenteral); Contraindicações à enteral (Íleo paralítico, Isquemia intestinal, Obstrução, Peritonite); Crohn: particularidades (Ressecção ileal → B12 parenteral, Doença ileal → má absorção de gorduras)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Insistir apenas com dieta oral e assistência psicológica é insuficiente. O paciente tem hiporexia e doença grave com sarcopenia — a ingestão oral espontânea não alcançará as metas nutricionais necessárias para reverter o catabolismo. A assistência psicológica pode ser coadjuvante, mas não é a conduta de primeira linha para restabelecer o estado nutricional.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Aumentar doses de medicamentos e acrescentar suplementos nutricionais orais também é insuficiente. Os suplementos orais são úteis quando o paciente consegue ingerir volume adequado, mas a hiporexia limita a aceitação. Além disso, a conduta de primeira linha para suporte nutricional pleno em paciente grave desnutrido é a via enteral, não apenas suplementação oral.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A dieta enteral por cateter nasoentérico é a conduta de primeira linha. O trato gastrointestinal é funcional (não há contraindicação à NE), e a NE é mais fisiológica, com menos complicações infecciosas e metabólicas que a NP. O aporte dos nutrientes necessários — incluindo reposição de ferro, B12 parenteral, cálcio, vitamina D, magnésio, ácido fólico e vitaminas lipossolúveis — é parte essencial do manejo. A NE também pode ter papel terapêutico na doença de Crohn do intestino delgado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A dieta parenteral como primeira linha é inadequada. A NP é reservada para quando a via enteral é contraindicada ou insuficiente (ex.: íleo paralítico, isquemia intestinal, obstrução, fístula de alto débito). Aqui o intestino funciona, então a enteral é preferível. As transfusões de hemácias não são a conduta de primeira linha para anemia em doença de Crohn — a reposição de ferro (e B12, se necessário) é o tratamento de base, reservando transfusão para anemia sintomática grave ou instabilidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A jejunostomia é um procedimento cirúrgico invasivo para acesso enteral de longo prazo, indicado quando o acesso nasal ou gástrico não é possível ou viável. Não é a conduta de primeira linha em paciente agudo internado, em que a sonda nasoentérica é menos invasiva, mais rápida e suficiente. A cirurgia na doença de Crohn é reservada para complicações (obstrução, perfuração, estenose fibrótica, hemorragia, megacólon tóxico) ou falência do tratamento clínico — não para acesso nutricional inicial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "gravidade da doença" e "via de suporte nutricional". O candidato pode achar que doença grave exige nutrição parenteral, mas o critério decisivo é a funcionalidade do intestino: se funciona, use a via enteral. A hiporexia não contraindica a enteral — apenas inviabiliza a via oral isolada.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, monte a hierarquia mental: via oral → suplemento oral → nutrição enteral → nutrição parenteral. Pergunte-se sempre: "o intestino funciona?" Se sim, a enteral vence a parenteral. Lembre-se também das particularidades da doença de Crohn: ressecção ileal → B12 parenteral; doença ileal extensa → má absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis.

Gabarito: letra C

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