Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2025
Medicina›Oncologia
Código
qg541841
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista - Cirurgião Cabeça-Pescoço
Paciente submetido à cirurgia oncológica cervicofacial com esvaziamento seletivo apresenta síndrome do ombro caído no pós-operatório. Qual intervenção explica melhor a origem e a prevenção dessa complicação?
ALesão do nervo frênico durante o esvaziamento. Prevenção: reparo microcirúrgico do nervo frênico.
BLesão do VII nervo craniano na porção extracraniana. Prevenção: realizar esvaziamento sem uso de cautério.
CComprometimento plexo braquial por posicionamento do paciente. Prevenção: atenção e cuidado com a posição do paciente durante o ato cirúrgico.
DLesão do X nervo craniano na bainha carotídea. Prevenção: evitar manipulação da bainha carotídea.
ELesão do XI nervo craniano durante dissecção do nível II/III. Prevenção: identificação e preservação do ramo motor do XI e técnicas cirúrgicas que favoreçam sua conservação.
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GabaritoE — Lesão do XI nervo craniano durante dissecção do nível II/III. Prevenção: identificação e preservação do ramo motor do XI e técnicas cirúrgicas que favoreçam sua conservação.
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Síndrome do ombro caído após esvaziamento cervical
Gabarito: letra E. A síndrome do ombro caído (ou ombro congelado pós-cirúrgico) é causada pela lesão do nervo acessório (XI par craniano), que inerva o músculo trapézio, durante a dissecção dos níveis II e III do pescoço. A prevenção consiste na identificação e preservação do ramo motor do XI par e no uso de técnicas cirúrgicas que favoreçam sua conservação.
O esvaziamento cervical seletivo é um procedimento cirúrgico realizado no tratamento de neoplasias de cabeça e pescoço, que consiste na remoção dos linfonodos das cadeias cervicais. Durante a dissecção dos níveis II e III (regiões da cadeia jugular superior e média), o nervo acessório espinhal (XI par craniano) está anatomicamente próximo e pode ser lesado, seja por secção direta, tração ou desvascularização. Esse nervo é responsável pela inervação motora do músculo esternocleidomastóideo e do músculo trapézio. A lesão do ramo que inerva o trapézio resulta em fraqueza e atrofia desse músculo, levando à síndrome do ombro caído, caracterizada por dor, limitação da abdução do ombro e queda do mesmo.
A prevenção dessa complicação é um dos pilares da cirurgia oncológica de cabeça e pescoço. O cirurgião deve identificar o nervo acessório precocemente, geralmente no nível II, e preservá-lo ao longo de toda a dissecção. Técnicas como a dissecção cuidadosa, o uso de eletrocautério com moderação próximo ao nervo e a preservação do ramo motor são fundamentais. Quando a lesão ocorre, o tratamento pode envolver fisioterapia, analgesia e, em casos selecionados, procedimentos de reabilitação cirúrgica, mas a prevenção é sempre o melhor caminho.
É importante distinguir a síndrome do ombro caído de outras complicações neurológicas do esvaziamento cervical. A lesão do nervo frênico (alternativa A) causaria paralisia do hemidiafragma, não do ombro. A lesão do nervo facial (VII par) na porção extracraniana (alternativa B) causaria paralisia facial. O comprometimento do plexo braquial (alternativa C) poderia ocorrer por posicionamento inadequado, mas não é a causa clássica da síndrome do ombro caído nesse contexto. A lesão do nervo vago (X par) na bainha carotídea (alternativa D) causaria disfonia e disfagia, não a síndrome do ombro.
A banca explora a confusão entre os nervos cranianos e suas funções. O aluno deve memorizar que o XI par (acessório) é o nervo do trapézio e do esternocleidomastóideo, e que sua lesão no esvaziamento cervical leva à síndrome do ombro caído. A alternativa correta é a que associa corretamente o nervo lesado, o nível cervical e a medida preventiva.
Síndrome do ombro caído: Causa (Lesão do XI par (acessório), Inerva o trapézio, Dissecção níveis II/III); Prevenção (Identificar o nervo precocemente, Preservar o ramo motor, Dissecção cuidadosa); Diagnóstico diferencial (Frênico → paralisia diafragmática, Facial (VII) → paralisia facial, Vago (X) → disfonia/disfagia, Plexo braquial → lesão do membro)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O nervo frênico (originado de C3-C5) inerva o diafragma. Sua lesão causaria paralisia diafragmática, com elevação do hemidiafragma e desconforto respiratório, não a síndrome do ombro caído. O reparo microcirúrgico do nervo frênico não é a prevenção dessa complicação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O VII nervo craniano (facial) inerva a musculatura da mímica facial. Sua lesão na porção extracraniana causaria paralisia facial periférica, não a síndrome do ombro caído. A prevenção citada (evitar cautério) não é específica para essa complicação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O comprometimento do plexo braquial por posicionamento pode causar lesão neurológica no membro superior, mas não é a causa clássica da síndrome do ombro caído após esvaziamento cervical. A prevenção citada (posicionamento) é importante, mas não explica a origem da complicação descrita.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O X nervo craniano (vago) passa pela bainha carotídea e inerva estruturas torácicas e abdominais. Sua lesão causaria disfonia, disfagia e alterações cardiovasculares, não a síndrome do ombro caído. Evitar a manipulação da bainha carotídea é uma medida preventiva para lesão do vago, não para a síndrome do ombro.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A síndrome do ombro caído é causada pela lesão do XI nervo craniano (acessório), que inerva o músculo trapézio. Durante a dissecção dos níveis II e III do pescoço, o nervo acessório está em risco. A prevenção consiste na identificação e preservação do ramo motor do XI par e no uso de técnicas cirúrgicas que favoreçam sua conservação, como a dissecção cuidadosa e a identificação precoce do nervo.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de complicações em cirurgia de cabeça e pescoço, associe cada nervo craniano à sua função e ao quadro clínico resultante de sua lesão. O XI par (acessório) → trapézio → ombro caído. O X par (vago) → disfonia/disfagia. O VII par (facial) → paralisia facial. O frênico → paralisia diafragmática. Essa associação direta resolve a maioria das questões.