Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg541842
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista - Cirurgião Cabeça-Pescoço
Paciente apresenta aumento de volume cervical após tireoidectomia. Ao exame: hematoma expansivo com dispneia progressiva, estridor e queda de saturação de oxigênio. Qual medida clínica ou cirúrgica imediata e correta deve ser realizada?
AAbertura imediata da ferida com evacuação do hematoma e, se falha, traqueostomia de emergência.
BCurativo compressivo e oxigenoterapia por máscara facial, garantindo maior aporte de oxigênio.
CIntubação orotraqueal e encaminhamento para o bloco cirúrgico.
DAplicação local de compressa fria e observação.
EManter cabeceira elevada e oxigenoterapia por cateter nasal.
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GabaritoA — Abertura imediata da ferida com evacuação do hematoma e, se falha, traqueostomia de emergência.
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Hematoma cervical pós-tireoidectomia: manejo da via aérea
Gabarito: letra A. O hematoma cervical expansivo após tireoidectomia, com dispneia progressiva, estridor e queda de saturação, configura emergência cirúrgica com risco iminente de obstrução de via aérea. A conduta imediata é a abertura da ferida no leito, com evacuação do hematoma e, se necessário, traqueostomia de emergência — conduta que prioriza a descompressão rápida e o controle da via aérea, conforme o manejo de urgência descrito na literatura cirúrgica.
O hematoma cervical é uma das complicações mais temidas da tireoidectomia, pois o sangramento no leito cirúrgico, contido pela fáscia cervical, comprime a traqueia e a laringe, levando a obstrução de via aérea superior. O quadro clínico clássico inclui aumento de volume cervical, dor, disfagia, dispneia progressiva, estridor e, nos casos graves, queda da saturação de oxigênio. O exame clínico seriado é fundamental para identificar precocemente essa complicação, e o manejo deve ser a exploração cirúrgica em caráter de urgência. Pacientes com manifestações ameaçadoras à vida podem necessitar de punção imediata do hematoma ainda no leito, seguida de abertura da ferida e evacuação do coágulo, o que alivia a compressão e restabelece a via aérea. Se a descompressão não for suficiente ou houver lesão associada, a traqueostomia de emergência é o passo seguinte para garantir a ventilação.
A razão para essa conduta agressiva é a fisiopatologia: o hematoma expansivo comprime estruturas cervicais, e a tentativa de intubação orotraqueal pode ser difícil ou impossível devido à deformidade anatômica e ao edema. Além disso, a simples oxigenoterapia ou medidas conservadoras não resolvem a causa mecânica da obstrução. A abertura imediata da ferida é uma medida que pode ser realizada no leito, sem necessidade de transporte ao centro cirúrgico, e que salva vidas ao descomprimir a via aérea. A traqueostomia, por sua vez, é reservada para os casos em que a descompressão não é suficiente ou quando há lesão laríngea ou traqueal associada.
Na prática, o algoritmo é: reconhecer o quadro → abrir a ferida e evacuar o hematoma → avaliar a via aérea → se necessário, traqueostomia de emergência. Essa sequência é o padrão-ouro no manejo do hematoma cervical pós-tireoidectomia, e a banca explora exatamente a diferença entre a conduta correta e as medidas paliativas ou tardias.
A pegadinha desta questão está em distinguir a emergência cirúrgica imediata das medidas de suporte que, embora pareçam razoáveis, não tratam a causa e podem levar à perda da via aérea. O candidato que opta por curativo compressivo, compressa fria ou apenas oxigenoterapia demonstra não compreender a gravidade do quadro e a necessidade de intervenção cirúrgica urgente. A intubação orotraqueal, embora seja uma medida de suporte avançado, não é a primeira escolha, pois a deformidade cervical pode dificultar o procedimento e o tempo para realizá-lo pode ser maior do que o disponível. A conduta correta é a descompressão imediata, que pode ser feita no leito, e a traqueostomia como recurso adicional.
Guarde o critério decisivo: hematoma cervical expansivo com sinais de obstrução de via aérea = abertura imediata da ferida + traqueostomia se necessário. É essa a fronteira que separa a alternativa correta das demais.
1Reconhecer sinais de alarme
2Abrir ferida e evacuar hematoma
3Avaliar via aérea
4Traqueostomia se necessário
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A abertura imediata da ferida com evacuação do hematoma é a medida inicial que descomprime a via aérea e pode ser realizada no leito, sem transporte. Se a descompressão não for suficiente ou houver lesão associada, a traqueostomia de emergência garante a via aérea definitiva. Essa conduta está alinhada com o manejo de urgência do hematoma cervical pós-tireoidectomia, que prioriza a descompressão rápida e o controle da via aérea.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Curativo compressivo e oxigenoterapia por máscara facial são medidas paliativas que não tratam a causa mecânica da obstrução. O curativo compressivo pode até piorar a compressão, e a oxigenoterapia não resolve a obstrução física da via aérea. Em um quadro de hematoma expansivo com estridor e queda de saturação, a conduta deve ser cirúrgica imediata, não suporte.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A intubação orotraqueal pode ser difícil ou impossível devido à deformidade cervical causada pelo hematoma, e o tempo para realizá-la pode ser maior do que o disponível. Além disso, a intubação não trata a causa (o hematoma) e pode agravar a obstrução se houver edema ou deslocamento das estruturas. A prioridade é a descompressão cirúrgica, não a intubação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Aplicar compressa fria e observar é uma conduta conservadora que não resolve a obstrução de via aérea. O hematoma expansivo é uma emergência que requer intervenção imediata; a observação pode levar à perda da via aérea e à parada respiratória. Não há tempo para medidas paliativas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Manter a cabeceira elevada e oxigenoterapia por cateter nasal são medidas de conforto e suporte que não tratam a causa da obstrução. A cabeceira elevada pode até facilitar a respiração, mas não descomprime a via aérea obstruída pelo hematoma. A conduta correta é a intervenção cirúrgica imediata.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre medidas de suporte (oxigenoterapia, compressa fria, cabeceira elevada) e a conduta cirúrgica de emergência. O candidato que não reconhece a gravidade do hematoma cervical expansivo pode optar por uma medida paliativa, perdendo tempo precioso. Lembre-se: estridor + queda de saturação = obstrução iminente = abertura imediata da ferida.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de complicações pós-operatórias, identifique os sinais de alarme (dispneia, estridor, queda de saturação) e associe à conduta mais invasiva e imediata. Hematoma cervical pós-tireoidectomia é uma emergência cirúrgica — a resposta quase sempre envolve abertura da ferida e/ou traqueostomia.