Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2025
Medicina›Oncologia
Código
qg541845
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista - Cirurgião Cabeça-Pescoço
Em relação ao carcinoma epidermoide da cavidade oral, assinale a alternativa correta sobre fatores prognósticos.
ATamanho tumoral (T) e presença de invasão linfovascular não influenciam sobrevida.
BPresença de tumor multicêntrico sempre indica metástase a distância.
CTaxa de recidiva locorregional não está correlacionada com status nodal.
DEsvaziamento cervical está indicado apenas nos casos com metástase clinicamente detectável.
EMargem cirúrgica microscópica positiva (R1) está associada a pior prognóstico e indica adjuvância.
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GabaritoE — Margem cirúrgica microscópica positiva (R1) está associada a pior prognóstico e indica adjuvância.
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Carcinoma epidermoide da cavidade oral: fatores prognósticos
Gabarito: letra E. A margem cirúrgica microscópica positiva (R1) é um fator prognóstico adverso bem estabelecido, associado a maior risco de recidiva local e pior sobrevida, sendo indicação formal de tratamento adjuvante (radioterapia, com ou sem quimioterapia) no carcinoma epidermoide de cavidade oral. As demais alternativas contêm afirmações incorretas sobre fatores prognósticos, como a negação da influência do tamanho tumoral e da invasão linfovascular, ou a indicação restritiva de esvaziamento cervical apenas para metástases clinicamente detectáveis.
O carcinoma epidermoide (ou espinocelular) da cavidade oral é a neoplasia maligna mais comum da boca, fortemente associada ao tabagismo e ao etilismo. Seu comportamento biológico é agressivo, com potencial de invasão local, disseminação linfática regional e, em fases avançadas, metástases à distância. O prognóstico é determinado por um conjunto de fatores que refletem a agressividade tumoral e a extensão da doença no momento do diagnóstico.
Entre os principais fatores prognósticos, destacam-se: o estadiamento TNM (tamanho tumoral T, comprometimento linfonodal N e metástases M), a profundidade de invasão, a invasão perineural, a invasão linfovascular, o grau de diferenciação histológica e o status das margens cirúrgicas. A presença de margens comprometidas (R1) ou positivas é um dos fatores mais fortemente associados à recidiva local, reduzindo a sobrevida livre de doença e a sobrevida global. Por isso, a ressecção com margens livres é o objetivo primordial da cirurgia, e, quando não alcançada, a terapia adjuvante (radioterapia, frequentemente associada à quimioterapia com platina) é recomendada para reduzir o risco de recorrência.
O esvaziamento cervical, por sua vez, não se restringe aos casos com metástase clinicamente detectável. Em tumores com risco intermediário ou alto de metástase oculta (como aqueles com profundidade de invasão > 2 mm, T2 ou maiores, ou localizações de alto risco), o esvaziamento cervical eletivo (profilático) é indicado, mesmo na ausência de linfonodos clinicamente comprometidos. Essa conduta baseia-se na alta taxa de metástase oculta e no impacto prognóstico do controle regional.
A recidiva locorregional está diretamente correlacionada com o status nodal: pacientes com linfonodos comprometidos (N+) apresentam maior risco de recorrência e pior prognóstico. O tamanho tumoral (T) e a invasão linfovascular são fatores prognósticos independentes, influenciando a sobrevida. A presença de tumor multicêntrico (múltiplos focos tumorais) não indica, por si só, metástase à distância; refere-se a múltiplos tumores primários ou focos satélites, com implicações locorregionais, mas não define doença metastática sistêmica.
A compreensão desses fatores é essencial para a decisão terapêutica e para a estimativa prognóstica individualizada. A seguir, analisamos cada alternativa, destacando o erro específico de cada uma.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o tamanho tumoral (T) e a presença de invasão linfovascular não influenciam a sobrevida. Isso é falso: ambos são fatores prognósticos independentes e bem estabelecidos. O tamanho tumoral é componente do estadiamento TNM, e tumores maiores (T3/T4) têm pior prognóstico. A invasão linfovascular (presença de células tumorais em vasos linfáticos ou sanguíneos) está associada a maior risco de metástases linfonodais e à distância, reduzindo a sobrevida. A alternativa nega exatamente o que a literatura oncológica confirma.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a presença de tumor multicêntrico sempre indica metástase à distância. Isso é incorreto: tumor multicêntrico refere-se à presença de múltiplos focos tumorais primários ou satélites, geralmente relacionados a fatores etiológicos como tabagismo e etilismo (carcinogênese de campo). Não há relação direta com metástase à distância, que é definida pela presença de doença em sítios distantes (M1). A palavra "sempre" torna a afirmação ainda mais incorreta, pois generaliza uma situação que não tem essa implicação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a taxa de recidiva locorregional não está correlacionada com o status nodal. Isso é falso: o comprometimento linfonodal (N+) é um dos principais fatores de risco para recidiva locorregional. Pacientes com linfonodos positivos têm maior probabilidade de recorrência local e regional, além de pior sobrevida. O status nodal é componente central do estadiamento e da estratificação de risco, influenciando diretamente a indicação de adjuvância.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o esvaziamento cervical está indicado apenas nos casos com metástase clinicamente detectável. Isso é incorreto: o esvaziamento cervical eletivo (profilático) é indicado em tumores com risco intermediário ou alto de metástase oculta, mesmo sem linfonodos clinicamente comprometidos. Critérios como profundidade de invasão > 2 mm, tamanho tumoral ≥ T2, ou localizações de alto risco (como língua e assoalho de boca) justificam o esvaziamento eletivo, pois a taxa de metástase oculta pode chegar a 30-40%. A conduta restritiva proposta pela alternativa deixaria de tratar pacientes com doença subclínica, comprometendo o controle regional e a sobrevida.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a margem cirúrgica microscópica positiva (R1) está associada a pior prognóstico e indica adjuvância. Isso está correto: margens comprometidas (R1) ou positivas são fator de risco independente para recidiva local, reduzindo a sobrevida. A ressecção com margens livres é o objetivo da cirurgia, e, quando não alcançada, a terapia adjuvante (radioterapia, com ou sem quimioterapia) é recomendada para reduzir o risco de recorrência. Essa conduta é consenso na oncologia de cabeça e pescoço, baseada em estudos que demonstram melhora do controle local e da sobrevida com a adjuvância em margens positivas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o esvaziamento cervical terapêutico (para metástases clinicamente detectáveis) e o esvaziamento eletivo (profilático, para metástases ocultas). A alternativa D parece plausível, mas ignora a indicação do esvaziamento eletivo em tumores de risco, que é uma conduta fundamental no manejo do carcinoma epidermoide de cavidade oral. Fique atento: a presença de linfonodos clinicamente negativos não exclui a necessidade de esvaziamento cervical em tumores com profundidade de invasão > 2 mm ou T2+.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre fatores prognósticos em oncologia, lembre-se do mnemônico "TNM + M": Tamanho (T), Nódulos (N), Metástases (M), e os fatores histológicos: Margens, Invasão perineural, Invasão linfovascular, Profundidade de invasão e Grau de diferenciação. Esses são os pilares que a banca costuma cobrar. Quando uma alternativa negar a influência de qualquer um desses fatores, ela estará incorreta.