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Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — INSTITUTO AOCP 2025

MedicinaEnvenenamentos e Acidentes
Código
qg541870
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Cirurgião Geral - HPSJ
Em um acidente automobilístico, um homem de 23 anos teve lesão de face e pescoço, com fraturas múltiplas de ossos da face, incluindo mandíbula. Ele foi levado ao hospital com dor na face e pescoço; tinha dificuldade para falar devido a edema da língua. Ao examinar o pescoço, percebeu-se aumento do perímetro cervical. A conduta correta para prevenir obstrução de vias aéreas é
  1. Amanter o paciente em observação contínua.
  2. Bsedar e introduzir um tubo por via nasotraqueal.
  3. Centubar por via orotraqueal com broncoscópio.
  4. Drealizar traqueostomia sob anestesia local.
  5. Epuncionar a cricoide com agulha grossa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — realizar traqueostomia sob anestesia local.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma de face e pescoço: manejo da via aérea

Gabarito: letra D. Em paciente com fraturas múltiplas de face, edema de língua e aumento do perímetro cervical, há risco iminente de obstrução de via aérea superior. A conduta mais segura e definitiva para prevenir essa obstrução é a traqueostomia sob anestesia local, pois permite acesso cirúrgico direto à traqueia, contornando a obstrução causada pelo edema e pelas fraturas. A intubação orotraqueal ou nasotraqueal pode ser difícil ou impossível devido à deformidade anatômica e ao edema, e a punção cricoide (cricotireoidostomia por agulha) é uma medida temporária de emergência, não a conduta preventiva ideal neste cenário.

O trauma de face e pescoço com fraturas múltiplas, especialmente de mandíbula, associado a edema de língua e aumento do perímetro cervical, configura um quadro de via aérea difícil e risco iminente de obstrução. O edema de língua, que causa disfonia, e o aumento do perímetro cervical (sugerindo hematoma ou enfisema) podem comprimir ou distorcer a anatomia das vias aéreas superiores, tornando a laringoscopia e a intubação traqueal convencionais arriscadas ou inviáveis. Nesse contexto, a traqueostomia é o procedimento de escolha para estabelecer uma via aérea definitiva e segura, pois cria um acesso cirúrgico direto à traqueia, abaixo do ponto de obstrução. A realização sob anestesia local é preferível, pois o paciente pode manter a ventilação espontânea durante o procedimento, evitando o colapso total da via aérea que poderia ocorrer com a indução anestésica e a paralisia muscular.

A decisão entre as diferentes técnicas de manejo de via aérea depende da urgência, da anatomia do paciente e dos recursos disponíveis. A cricotireoidostomia (punção ou incisão da membrana cricotireoidea) é uma alternativa rápida em situações de emergência extrema, mas é considerada uma medida temporária, com maior risco de complicações (como estenose subglótica) se mantida por longo prazo. A intubação orotraqueal ou nasotraqueal pode ser tentada, mas em casos de fraturas de face e edema importante, a manipulação pode agravar o sangramento, deslocar fragmentos ósseos ou ser tecnicamente impossível. A traqueostomia eletiva, por sua vez, é o procedimento definitivo que oferece maior segurança e controle da via aérea em pacientes com obstrução iminente ou estabelecida.

Na prática, a sequência de manejo da via aérea em trauma segue uma hierarquia: primeiro, tenta-se a ventilação com máscara e bolsa-válvula; se não for possível, parte-se para a intubação orotraqueal; se esta falhar ou for contraindicada, considera-se a via nasotraqueal, a máscara laríngea, a cricotireoidostomia e, por fim, a traqueostomia. No caso descrito, a presença de fraturas múltiplas de face e edema de língua contraindica a intubação orotraqueal e nasotraqueal, pois há risco de lesão adicional e falha na passagem do tubo. A traqueostomia, realizada sob anestesia local, é a conduta mais adequada para prevenir a obstrução iminente das vias aéreas.

A pegadinha desta questão está em confundir a traqueostomia (procedimento cirúrgico definitivo) com a cricotireoidostomia (procedimento de emergência temporário) ou com a intubação (que pode ser inviável em face de deformidades anatômicas). A banca explora a tendência de escolher a opção mais "rápida" ou "menos invasiva", mas o contexto clínico de fraturas múltiplas e edema de língua exige uma via aérea definitiva e segura, que é a traqueostomia. Além disso, a anestesia local é destacada para evitar o colapso da via aérea durante a indução anestésica.

Guarde a distinção entre os procedimentos de via aérea: a traqueostomia é a abertura cirúrgica da traqueia, definitiva; a cricotireoidostomia é a abertura da membrana cricotireoidea, temporária; a intubação é a passagem de um tubo pela boca ou nariz até a traqueia, que pode ser difícil em traumas de face. É exatamente essa fronteira que as alternativas exploram.

  1. 1Ventilação com máscara
  2. 2Intubação orotraqueal
  3. 3Intubação nasotraqueal
  4. 4Máscara laríngea
  5. 5Cricotireoidostomia
  6. 6Traqueostomia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Manter o paciente em observação contínua é uma conduta passiva e inadequada diante de um risco iminente de obstrução de vias aéreas. O paciente já apresenta sinais de obstrução (edema de língua, aumento do perímetro cervical) e a observação não previne a obstrução, apenas a detecta quando já ocorreu. A conduta deve ser ativa e preventiva, estabelecendo uma via aérea definitiva.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sedar e introduzir um tubo por via nasotraqueal é uma opção de intubação, mas é contraindicada em casos de fraturas de face, especialmente de mandíbula e ossos da face, pois a passagem do tubo pode deslocar fragmentos ósseos, causar sangramento ou lesar estruturas. Além disso, a sedação pode levar ao colapso da via aérea em um paciente com obstrução iminente, tornando o procedimento ainda mais arriscado. A via nasotraqueal também pode ser dificultada por deformidades anatômicas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Entubar por via orotraqueal com broncoscópio é uma técnica avançada, mas também é contraindicada em fraturas múltiplas de face, pois a laringoscopia e a passagem do tubo podem ser impossíveis ou perigosas devido à deformidade e ao edema. O broncoscópio pode auxiliar na visualização, mas não elimina o risco de lesão ou falha na intubação. A traqueostomia é a opção mais segura e definitiva neste cenário.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Realizar traqueostomia sob anestesia local é a conduta correta para prevenir a obstrução de vias aéreas em paciente com fraturas múltiplas de face, edema de língua e aumento do perímetro cervical. A traqueostomia cria uma via aérea cirúrgica definitiva, contornando a obstrução causada pelo edema e pelas fraturas. A anestesia local permite que o paciente mantenha a ventilação espontânea durante o procedimento, evitando o colapso total da via aérea que poderia ocorrer com a indução anestésica. É o procedimento de escolha em casos de via aérea difícil com obstrução iminente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Puncionar a cricoide com agulha grossa (cricotireoidostomia por punção) é uma medida de emergência temporária, indicada em situações de obstrução total e imediata da via aérea, quando não há tempo para uma traqueostomia. No caso descrito, o paciente ainda está consciente e com respiração espontânea, e a conduta preventiva deve ser a traqueostomia, que é definitiva. A punção com agulha é uma solução de curto prazo, com risco de complicações como estenose subglótica, e não é a conduta ideal para prevenir a obstrução.

Gabarito: letra D.

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