Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg541879
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Cirurgião Geral - HPSJ
Um homem leucodérmico, 69 anos de idade, obeso e em tratamento para diabetes melito, foi operado de hérnia inguinal indireta direita. No décimo dia pós-operatório, ele retornou ao consultório com dor na região operada. Ao exame físico, a região inguinal estava inflamada, dolorosa e com rubor, calor e edema intensos, estendendo-se a todo o escroto e períneo. Pequenas manchas brancoamareladas eram vistas em toda a região inflamada. Foi puncionada a região inguinal e aspirado um líquido purulento escuro e fétido. A conduta adequada nesse caso é
Ainiciar antibioticoterapia de amplo espectro, inclusive para anaeróbios, e rever o paciente no dia seguinte para verificar o efeito do antibiótico.
Binternar o paciente e, sob anestesia, abrir a ferida cirúrgica e lavar a região até voltar líquido limpo, seguido de antibioticoterapia e observação.
Ciniciar antibioticoterapia de amplo espectro, inclusive para anaeróbios, abrir a incisão cirúrgica e colocar um dreno de borracha largo na região.
Dinternar o paciente no setor de cuidados intensivos para controle hidroeletrolítico e metabólico e acompanhar a evolução sob antibioticoterapia.
Einternar o paciente e abrir toda a região inguinoescrotal e perineal amplamente com desbridamento do tecido necrosado e antibioticoterapia.
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GabaritoE — internar o paciente e abrir toda a região inguinoescrotal e perineal amplamente com desbridamento do tecido necrosado e antibioticoterapia.
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Gangrena de Fournier: conduta cirúrgica de urgência
Gabarito: letra E. O quadro descrito — infecção necrosante de evolução rápida atingindo região inguinal, escroto e períneo, com líquido purulento fétido e manchas branco-amareladas (necrose) em paciente diabético — é uma fasceíte necrosante do períneo (gangrena de Fournier), uma emergência cirúrgica. A conduta é internação, desbridamento cirúrgico amplo e imediato de todo o tecido necrosado, associado a antibioticoterapia de amplo espectro — exatamente o que a alternativa E descreve.
A gangrena de Fournier é uma infecção polimicrobiana necrosante dos tecidos moles do períneo e genitália, que progride rapidamente ao longo das fáscias, com alta mortalidade se não tratada precocemente. O desbridamento cirúrgico é o pilar do tratamento: a antibioticoterapia isolada não penetra adequadamente nos tecidos necróticos, e a demora no desbridamento está associada a pior prognóstico. O paciente diabético é particularmente suscetível, pois a hiperglicemia compromete a função dos neutrófilos e a microcirculação, favorecendo a proliferação bacteriana e a necrose tecidual.
O diagnóstico é essencialmente clínico: dor desproporcional ao exame, edema, crepitação, bolhas, necrose cutânea e secreção fétida. A presença de manchas branco-amareladas na região inflamada indica necrose tecidual já estabelecida, e o líquido purulento escuro e fétido sugere infecção por anaeróbios, comuns nesse quadro. Exames de imagem podem auxiliar, mas não devem retardar o tratamento cirúrgico quando o diagnóstico clínico é claro.
A conduta se divide em três pilares simultâneos: (1) desbridamento cirúrgico amplo e imediato, removendo todo o tecido necrosado até áreas viáveis, com reavaliações seriadas em 24-48h; (2) antibioticoterapia de amplo espectro com cobertura para gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios; (3) suporte intensivo com controle hemodinâmico, hidroeletrolítico e glicêmico. A alternativa E contempla os dois primeiros e mais importantes, sendo a resposta correta.
A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar como uma infecção de ferida operatória comum, com antibiótico e drenagem simples. No entanto, a extensão ao escroto e períneo, a necrose visível e o líquido fétido indicam fasceíte necrosante, que exige desbridamento cirúrgico agressivo — não apenas abertura e drenagem da ferida. Guarde este critério: infecção necrosante de períneo = desbridamento cirúrgico amplo + antibiótico, e é nele que as alternativas se dividem.
1Internação imediata
2Desbridamento cirúrgico amplo
3Antibioticoterapia de amplo espectro
4Suporte intensivo (UTI)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Apenas antibioticoterapia e reavaliação no dia seguinte é conduta inadequada e perigosa. Na fasceíte necrosante, o antibiótico é adjuvante — não alcança tecidos necróticos avasculares, e a demora no desbridamento permite progressão da infecção, sepse e morte. A conduta exige intervenção cirúrgica imediata, não observação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Abrir a ferida e lavar até líquido limpo é insuficiente. O desbridamento exige remoção de todo o tecido necrosado, não apenas lavagem. A irrigação não remove tecido desvitalizado, que serve de meio de cultura para bactérias e impede a penetração de antibióticos. Além disso, a extensão ao escroto e períneo exige abertura ampla de toda a região, não apenas da incisão cirúrgica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Embora inclua antibiótico e abertura da incisão com dreno, a conduta é insuficiente. A gangrena de Fournier exige desbridamento amplo de toda a área necrosada, não apenas abertura e drenagem da ferida operatória. A colocação de um dreno de borracha não substitui a remoção cirúrgica do tecido necrótico, que é o passo fundamental para controlar a infecção.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Internação em UTI com suporte e antibiótico, sem desbridamento cirúrgico, é conduta inadequada. O suporte intensivo é importante, mas não trata a causa: o tecido necrótico permanece como fonte de infecção e toxinas, levando à falência múltipla de órgãos. O desbridamento cirúrgico é o tratamento definitivo e não pode ser adiado.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa contempla exatamente a conduta correta: internação, abertura ampla da região inguinoescrotal e perineal com desbridamento do tecido necrosado e antibioticoterapia. O desbridamento cirúrgico amplo é o pilar do tratamento da gangrena de Fournier, removendo todo o tecido desvitalizado e controlando a fonte de infecção. A antibioticoterapia de amplo espectro complementa o tratamento, cobrindo os agentes polimicrobianos típicos, incluindo anaeróbios.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre uma infecção de ferida operatória comum e uma fasceíte necrosante. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa C (antibiótico + dreno), que parece razoável, mas a extensão ao escroto e períneo, a necrose visível e o líquido fétido são sinais de alarme que exigem desbridamento cirúrgico amplo — não apenas drenagem. Lembre-se: necrose + fétido + extensão rápida = desbridamento cirúrgico imediato.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, diante de um quadro de infecção de partes moles com sinais de necrose (manchas escuras, bolhas, crepitação, secreção fétida), a resposta quase sempre envolve desbridamento cirúrgico amplo + antibiótico de amplo espectro. Se a alternativa não incluir desbridamento, ela está errada — mesmo que inclua antibiótico, dreno ou UTI.