Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2025
Medicina›Oncologia
Código
qg541916
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Cirurgião Oncológico
Um homem feodérmico de 31 anos foi internado com doença de Crohn grave, em estado nutricional precário. Em uma acutização anterior da doença, apresentou estenose intestinal extensa, tendo sido ressecados 60 cm de íleo terminal. Os exames laboratoriais mostraram deficiência de ferro, vitamina B12, vitamina D, vitamina K, cálcio, magnésio e ácido fólico, além de hipoalbuminemia.O paciente estava anêmico e com sarcopenia; conseguia ingerir alimentos por via oral, porém apresentava hiporexia. A conduta de primeira linha para restabelecer o estado nutricional desse paciente é
Ainsistir com a dieta oral, por meio de alimentos toleráveis e assistência psicológica.
Baumentar as doses dos medicamentos e acrescentar suplementos nutricionais orais.
Cdieta enteral por meio de cateter nasoentérico e aporte dos nutrientes necessários.
Ddieta parenteral e transfusões de hemácias, até se alcançar o equilíbrio nutricional.
Erealizar jejunostomia para nutrição eficaz.
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GabaritoC — dieta enteral por meio de cateter nasoentérico e aporte dos nutrientes necessários.
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Suporte nutricional na doença de Crohn grave
Gabarito: letra C. Em paciente com doença de Crohn grave, desnutrição importante, sarcopenia e hiporexia, a conduta de primeira linha para restabelecer o estado nutricional é a dieta enteral por sonda nasoentérica, com aporte dos nutrientes necessários — pois a via oral é insuficiente (hiporexia) e a via parenteral é reservada para falência ou contraindicação da via enteral. Essa conduta segue o princípio da terapia nutricional: "se o intestino funciona, use-o".
A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica, transmural, que pode acometer qualquer segmento do trato gastrointestinal, mas com predileção pelo íleo terminal e cólon. No caso descrito, o paciente já foi submetido a ressecção de 60 cm de íleo terminal — o que explica a deficiência de vitamina B12 (absorvida exclusivamente no íleo terminal) e de sais biliares (que compromete a absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis A, D, E e K). A doença ativa aumenta o catabolismo proteico, gerando sarcopenia e hipoalbuminemia, e a hiporexia reduz a ingestão oral, criando um ciclo de desnutrição progressiva.
A terapia nutricional na DII tem papel coadjuvante importante no manejo, especialmente na doença de Crohn do intestino delgado. Em adultos, a nutrição enteral exclusiva pode induzir remissão da doença ativa, além de melhorar o estado nutricional. A via enteral é preferível à parenteral porque é mais fisiológica, mantém o trofismo da mucosa intestinal, tem menor risco de complicações infecciosas e é mais barata. A via parenteral fica reservada para situações de falência intestinal, obstrução intestinal completa, íleo paralítico, ou quando a via enteral não é tolerada ou é insuficiente.
Na prática, a conduta seria: internar o paciente, realizar avaliação nutricional completa (história alimentar, antropometria, exames laboratoriais), e iniciar dieta enteral por sonda nasoentérica, com fórmula polimérica ou oligomérica, em infusão contínua, progredindo conforme tolerância. Deve-se repor os nutrientes deficientes: ferro (via oral ou parenteral, dependendo da tolerância), vitamina B12 (parenteral, pois a ressecção ileal impede absorção oral), vitamina D, vitamina K, cálcio, magnésio e ácido fólico. A hipoalbuminemia e a anemia devem ser monitoradas, mas a transfusão de hemácias só é indicada em anemia sintomática ou grave, não como rotina.
A distinção crucial aqui é entre as vias de administração da nutrição: enteral (usando o trato gastrointestinal, por sonda ou ostomia) versus parenteral (intravenosa, sem passar pelo trato gastrointestinal). A regra de ouro da terapia nutricional é: "se o intestino funciona, use-o" — a via enteral é sempre preferida quando possível. A via parenteral é reservada para quando o trato gastrointestinal não pode ser usado (obstrução, íleo paralítico, má absorção grave, fístulas de alto débito, etc.).
A pegadinha da banca está em sugerir a via parenteral (letra D) como primeira linha, quando na verdade ela é segunda linha. O paciente tem o intestino funcionante (consegue ingerir alimentos por via oral, embora com hiporexia), então a via enteral é a escolha correta. A letra E (jejunostomia) é uma ostomia cirúrgica, que também é uma via enteral, mas é mais invasiva e não é primeira linha — a sonda nasoentérica é menos invasiva e suficiente.
Guarde a hierarquia das vias de nutrição: oral → enteral por sonda → parenteral. A via oral é a primeira escolha, mas quando é insuficiente (hiporexia, disfagia, etc.), parte-se para a enteral por sonda. A parenteral só quando a enteral é impossível ou insuficiente. É exatamente essa hierarquia que separa as alternativas desta questão.
1Via oral
2Enteral por sonda
3Parenteral
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Insistir na dieta oral com alimentos toleráveis e assistência psicológica é insuficiente. O paciente tem hiporexia e desnutrição grave (sarcopenia, hipoalbuminemia), e a ingestão oral não conseguirá suprir as necessidades nutricionais de forma adequada e rápida. A assistência psicológica pode ajudar na hiporexia, mas não é a conduta de primeira linha para restabelecer o estado nutricional — é um adjuvante, não o tratamento principal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Aumentar doses de medicamentos e acrescentar suplementos nutricionais orais também é insuficiente. Os suplementos orais podem ser úteis, mas em paciente com hiporexia e desnutrição grave, a ingestão oral (mesmo com suplementos) não garante o aporte calórico-proteico necessário. Além disso, aumentar doses de medicamentos não trata diretamente a desnutrição — trata a doença de base, mas não restabelece o estado nutricional de forma eficaz.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dieta enteral por cateter nasoentérico é a conduta de primeira linha. O paciente tem o trato gastrointestinal funcionante (ingeria alimentos por via oral), mas com hiporexia que impede ingestão adequada. A sonda nasoentérica permite administrar dieta enteral de forma controlada, garantindo o aporte de nutrientes necessários (calorias, proteínas, vitaminas, minerais). É menos invasiva que a parenteral, mais fisiológica, mantém o trofismo intestinal e tem menor risco de complicações. A via enteral é a preferida sempre que o intestino funciona.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dieta parenteral é segunda linha, não primeira. Ela é indicada quando a via enteral é impossível (obstrução intestinal, íleo paralítico, má absorção grave) ou insuficiente. Neste caso, o paciente tem o intestino funcionante, então a via enteral deve ser tentada primeiro. As transfusões de hemácias também não são rotina — só em anemia sintomática ou grave (Hb < 7 g/dL, ou < 8 g/dL em cardiopatas). A anemia do paciente é provavelmente multifatorial (deficiência de ferro, B12, folato, inflamação crônica) e deve ser tratada com reposição específica, não com transfusão de rotina.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A jejunostomia é uma ostomia cirúrgica de alimentação, que também é uma via enteral, mas é mais invasiva que a sonda nasoentérica. Ela é indicada quando a sonda nasoentérica não é possível (obstrução nasal, fraturas de base de crânio, etc.) ou em cirurgias de grande porte do trato gastrointestinal superior. Não é primeira linha — a sonda nasoentérica é menos invasiva, mais fácil de colocar e suficiente neste caso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato sugerindo a via parenteral (letra D) como primeira linha. A armadilha é associar desnutrição grave automaticamente à nutrição parenteral. Mas a regra é clara: se o intestino funciona, use a via enteral. A parenteral é reservada para falência ou contraindicação da via enteral. Lembre-se: "se o intestino funciona, use-o" — essa é a chave para não cair nessa pegadinha.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando a questão perguntar sobre a via de nutrição, siga esta hierarquia: 1º via oral, 2º enteral por sonda, 3º parenteral. A parenteral só quando a enteral é impossível ou insuficiente. E desconfie de alternativas que sugerem transfusão de hemácias como rotina — ela é exceção, não regra.