Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2025
Medicina›Oncologia
Código
qg541917
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Cirurgião Oncológico
Um homem de 61 anos, leucodérmico, com sobrepeso, história prévia de infarto do miocárdio, com implante de três stents, bem como hipertensão arterial controlada e diabetes melito em tratamento, procurou o serviço de urgência do hospital com dor intensa restrita ao flanco esquerdo e febre termometrada de 38 ºC. Ele nunca havia sentido dor semelhante. O apetite estava diminuído e o paciente havia defecado, na manhã daquele dia, com aspecto habitual das fezes. A hipótese diagnóstica mais provável para esse caso é
Ahérnia inguinal.
Blitíase urinária.
Cisquemia mesentérica.
Ddiverticulite aguda.
Ecâncer de cólon.
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GabaritoD — diverticulite aguda.
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Dor em flanco esquerdo com febre: diverticulite aguda
Gabarito: letra D. O quadro clínico — dor intensa restrita ao flanco esquerdo, febre, anorexia, em paciente idoso com comorbidades — é o padrão clássico de diverticulite aguda, especialmente quando se considera a localização típica do cólon sigmoide no quadrante inferior esquerdo. A presença de febre e a lateralidade da dor são os elementos que mais afastam as demais hipóteses, como litíase urinária (que costuma ter dor em cólica, irradiada para região inguinal) e isquemia mesentérica (que cursa com dor desproporcional ao exame físico e frequentemente com diarreia ou sangue nas fezes).
A diverticulite aguda é a inflamação de divertículos — pequenas bolsas que se formam na parede do cólon, mais comumente no sigmoide. Essas bolsas são resultado do aumento da pressão intraluminal, frequentemente associado a dieta pobre em fibras e constipação crônica. Quando um divertículo inflama, o paciente desenvolve dor abdominal, geralmente no quadrante inferior esquerdo (embora possa ser à direita em casos de divertículos no ceco ou cólon ascendente), acompanhada de febre, anorexia e alteração do hábito intestinal. O diagnóstico é essencialmente clínico, mas a tomografia computadorizada com contraste é o exame de escolha para confirmar e avaliar complicações como abscesso, perfuração ou fístula.
A apresentação clássica da diverticulite aguda é a tríade: dor no quadrante inferior esquerdo + febre + alteração do hábito intestinal. No caso descrito, o paciente tem dor em flanco esquerdo (que corresponde à topografia do cólon descendente e sigmoide), febre de 38 ºC e anorexia. A ausência de alteração no aspecto das fezes não exclui o diagnóstico, pois a constipação ou diarreia podem estar presentes, mas não são obrigatórias. O fato de o paciente ter defecado com aspecto habitual apenas indica que não há sangramento ou diarreia franca, o que ajuda a afastar outras causas, mas não exclui a diverticulite.
É importante diferenciar a diverticulite aguda de outras causas de dor abdominal aguda com febre. A litíase urinária (cólica renal) causa dor em flanco, mas tipicamente é uma dor em cólica, de forte intensidade, que irradia para a região inguinal e genitália, acompanhada de hematúria e sintomas urinários — a febre, quando presente, sugere infecção urinária associada (pielonefrite), mas não é o padrão típico. A isquemia mesentérica ocorre mais em pacientes idosos com doença aterosclerótica (como o paciente do caso, que já teve infarto e tem stents), mas a dor é tipicamente desproporcional ao exame físico (dor intensa com abdome pouco doloroso à palpação) e frequentemente acompanhada de diarreia sanguinolenta. A hérnia inguinal causa dor em região inguinal, não em flanco, e geralmente há abaulamento local. O câncer de cólon pode causar dor abdominal, mas é mais indolente, com perda de peso, anemia e alteração do hábito intestinal crônica — não costuma se apresentar com dor aguda e febre.
A banca explora a associação entre o histórico cardiovascular do paciente (infarto, stents) e a hipótese de isquemia mesentérica, que é um distrator forte. No entanto, a febre é o diferencial crucial: a isquemia mesentérica aguda raramente causa febre nas fases iniciais, enquanto a diverticulite aguda é um processo inflamatório/infeccioso que cursa com febre desde o início. Além disso, a dor da isquemia é mais difusa e desproporcional, enquanto a diverticulite tem localização mais definida no quadrante inferior esquerdo.
Guarde o critério decisivo: dor localizada no quadrante inferior esquerdo + febre = diverticulite aguda até prova em contrário. É essa combinação que separa a alternativa correta das demais.
Dor QIE + febre: Diverticulite aguda (Inflamação de divertículos, Mais comum no sigmoide, Diagnóstico clínico (TC confirma)); Litíase urinária (Dor em cólica, Irradiação inguinal, Hematúria); Isquemia mesentérica (Dor desproporcional ao exame, Diarreia sanguinolenta, Febre tardia (necrose)); Câncer de cólon (Curso indolente, Perda de peso, anemia, Sem febre aguda)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A hérnia inguinal causa dor em região inguinal, frequentemente associada a esforço ou aumento da pressão abdominal, e pode haver abaulamento local. Não explica a dor em flanco esquerdo nem a febre. A febre não é característica de hérnia não complicada; se houvesse encarceramento ou estrangulamento, a dor seria no local da hérnia, com sinais de obstrução intestinal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A litíase urinária (cólica renal) causa dor em flanco, mas tipicamente é uma dor em cólica, de forte intensidade, que irradia para a região inguinal e genitália, acompanhada de hematúria e sintomas urinários. A febre não é o padrão típico; quando presente, sugere infecção urinária associada (pielonefrite), que cursaria com outros sinais como disúria e polaciúria. A lateralidade da dor (flanco esquerdo) pode confundir, mas a qualidade da dor e a ausência de sintomas urinários afastam essa hipótese.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A isquemia mesentérica é um distrator forte, pois o paciente tem fatores de risco (idade, infarto prévio, stents, diabetes, hipertensão). No entanto, a dor da isquemia mesentérica é tipicamente desproporcional ao exame físico (dor intensa com abdome pouco doloroso à palpação) e frequentemente acompanhada de diarreia sanguinolenta. A febre não é característica das fases iniciais; quando surge, indica necrose intestinal e peritonite, quadro muito mais grave. A localização da dor também tende a ser mais difusa, não restrita ao flanco esquerdo.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A diverticulite aguda é a inflamação de divertículos do cólon, mais comumente no sigmoide, que se localiza no quadrante inferior esquerdo. O quadro clássico é dor abdominal localizada no quadrante inferior esquerdo, febre, anorexia e alteração do hábito intestinal. O paciente do caso apresenta exatamente essa tríade: dor em flanco esquerdo (topografia do cólon descendente/sigmoide), febre de 38 ºC e anorexia. A ausência de alteração no aspecto das fezes não exclui o diagnóstico, pois constipação ou diarreia podem estar presentes, mas não são obrigatórias. O diagnóstico é clínico, podendo ser confirmado por tomografia computadorizada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O câncer de cólon pode causar dor abdominal, mas é mais indolente, com perda de peso, anemia e alteração do hábito intestinal crônica. Não costuma se apresentar com dor aguda e febre. A febre é um sinal de processo inflamatório/infeccioso agudo, que não é a apresentação típica do câncer de cólon. Além disso, a dor do câncer de cólon tende a ser mais difusa e não tem a lateralidade característica da diverticulite.
A regra de ouro para levar à prova: dor no quadrante inferior esquerdo + febre = diverticulite aguda. A isquemia mesentérica, apesar dos fatores de risco do paciente, não cursa com febre precoce e tem dor desproporcional ao exame. A litíase urinária tem dor em cólica com irradiação inguinal, e o câncer de cólon é indolente, sem febre aguda.