Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2025
Medicina›Oncologia
Código
qg541919
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Cirurgião Oncológico
Um homem feodérmico de 64 anos, sem queixas, procurou o consultório para controle médico. A avaliação clínica e os exames complementares não mostraram alteração, à exceção da endoscopia, que encontrou um tumor de submucosa, protrudindo na parede anterior do antro gástrico, próximo à curvatura menor. O exame endoscópico com ultrassom e elastografia confirmou um tumor originado na camada muscular da submucosa, arredondado e medindo cerca de 35 milímetros. Três punções biopsias por agulha fina desse tumor foram inconclusivas em seu diagnóstico. Nesse caso, a conduta mais adequada é
Acontrole com exames de imuno-histoquímica, marcadores tumorais e exames genéticos.
Bacompanhamento endoscópico com ultrassom e outras biopsias por punção semestrais.
Cexérese endoscópica do tumor, com margens livres, e exame anatomopatológico completo.
Dtumorectomia com margens livres e linfadenectomia locorregional por laparoscopia.
Egastrectomia distal com amplas margens peritumorais, linfadenectomia e omentectomia.
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GabaritoC — exérese endoscópica do tumor, com margens livres, e exame anatomopatológico completo.
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Tumor subepitelial gástrico: GIST e a conduta diante de biópsia inconclusiva
Gabarito: letra C. Diante de um tumor subepitelial gástrico de 35 mm, originado na camada muscular da submucosa, com biópsias por agulha fina inconclusivas, a conduta mais adequada é a exérese endoscópica do tumor com margens livres e exame anatomopatológico completo — pois a lesão tem tamanho que justifica ressecção, e a ressecção endoscópica é o tratamento de escolha para GISTs pequenos, permitindo diagnóstico definitivo e terapêutica em um único tempo. As demais alternativas ou subestimam o risco (acompanhamento), ou superestimam a agressividade (cirurgia radical com linfadenectomia), ou não resolvem o diagnóstico (exames complementares).
O tumor subepitelial (ou submucoso) gástrico é uma lesão coberta por mucosa íntegra, que se projeta para a luz do órgão. O diagnóstico diferencial inclui GIST (tumor estromal gastrointestinal), leiomioma, lipoma, schwannoma, tumor neuroendócrino e até lesões metastáticas. O GIST é o mais comum e origina-se das células intersticiais de Cajal, na camada muscular da parede — exatamente o que a ecoendoscopia (USE) demonstrou no caso: tumor arredondado, originado na camada muscular da submucosa, medindo 35 mm.
A conduta diante de um tumor subepitelial gástrico depende do tamanho, das características ecoendoscópicas e da possibilidade de diagnóstico anatomopatológico. A biópsia por agulha fina guiada por ecoendoscopia (EUS-FNA) é o método padrão para obtenção de tecido, mas tem limitações: a acurácia diagnóstica é variável, e a amostra pode ser insuficiente ou inconclusiva — como ocorreu no caso, em que três punções não definiram o diagnóstico. Nessa situação, a ressecção da lesão é a conduta que resolve o impasse, pois permite o exame anatomopatológico completo da peça, com avaliação de margens, índice mitótico e imunohistoquímica (CD117, DOG1, CD34), que são essenciais para o diagnóstico definitivo e a estratificação de risco do GIST.
A escolha entre ressecção endoscópica e cirúrgica depende do tamanho e da localização da lesão. Para GISTs pequenos (geralmente até 2 cm), o acompanhamento endoscópico pode ser considerado, mas lesões maiores que 2 cm, sintomáticas ou com características de alto risco (crescimento, ulceração, irregularidades) devem ser ressecadas. No caso, o tumor tem 35 mm (3,5 cm), o que supera o limite para vigilância e indica ressecção. A ressecção endoscópica (dissecção submucosa endoscópica — DSE, ou mucosectomia) é uma opção para lesões pequenas e bem delimitadas, com baixo risco de linfonodos metastáticos, e permite a remoção completa com margens livres. A cirurgia (tumorectomia ou gastrectomia) fica reservada para lesões maiores, com suspeita de malignidade ou quando a ressecção endoscópica não é tecnicamente viável.
A linfadenectomia não é rotina no tratamento do GIST, pois a disseminação linfonodal é rara (menos de 5% dos casos). Por isso, a alternativa D (tumorectomia com linfadenectomia) e a E (gastrectomia distal com linfadenectomia e omentectomia) são desproporcionais para uma lesão de 3,5 cm, sem sinais de agressividade. A gastrectomia com linfadenectomia é o tratamento do adenocarcinoma gástrico, não do GIST. A alternativa A (imuno-histoquímica, marcadores tumorais e exames genéticos) não é conduta terapêutica e não resolve o diagnóstico — a imuno-histoquímica é feita na peça ressecada, não como conduta isolada. A alternativa B (acompanhamento com novas biópsias) subestima o risco de uma lesão de 3,5 cm, que já tem indicação de ressecção, e repetir biópsias inconclusivas não agrega.
A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar o tumor subepitelial como um adenocarcinoma gástrico, aplicando o algoritmo de gastrectomia com linfadenectomia. O GIST tem comportamento biológico distinto: metastatiza preferencialmente por via hematogênica (fígado, peritônio), e não linfática, o que torna a linfadenectomia desnecessária na maioria dos casos. A ressecção com margens livres, sem linfadenectomia, é o padrão para GISTs localizados.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A imuno-histoquímica é um exame complementar importante para o diagnóstico do GIST (CD117, DOG1, CD34), mas não é uma conduta terapêutica e não resolve o caso. Marcadores tumorais (CEA, CA 19-9) não são específicos para GIST e não têm papel no diagnóstico ou seguimento. Exames genéticos (mutação em KIT ou PDGFRA) são úteis para orientar terapia-alvo em doença metastática, mas não são a conduta inicial diante de uma lesão ressecável. A alternativa erra ao propor exames complementares como conduta, quando a lesão já tem indicação de ressecção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O acompanhamento endoscópico com novas biópsias semestrais é uma conduta de vigilância, indicada apenas para lesões pequenas (até 2 cm) e sem características de risco. No caso, o tumor tem 35 mm, o que supera o limite para vigilância e indica ressecção. Além disso, as três biópsias já foram inconclusivas, e repetir o procedimento tem baixa probabilidade de sucesso e risco de complicações (sangramento, perfuração). A alternativa subestima o risco da lesão e adia a conduta definitiva.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A exérese endoscópica do tumor com margens livres e exame anatomopatológico completo é a conduta mais adequada. O tumor de 35 mm, originado na camada muscular, tem indicação de ressecção, e a via endoscópica (dissecção submucosa endoscópica) é uma opção segura e eficaz para lesões pequenas e bem delimitadas, permitindo a remoção completa e o diagnóstico definitivo. O exame anatomopatológico completo da peça (com avaliação de margens, índice mitótico e imuno-histoquímica) é essencial para confirmar o diagnóstico de GIST e estratificar o risco de recorrência. A ressecção endoscópica evita a morbidade da cirurgia e é o tratamento de escolha para GISTs pequenos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A tumorectomia com linfadenectomia locorregional por laparoscopia é uma conduta cirúrgica desproporcional para uma lesão de 3,5 cm. A linfadenectomia não é indicada no tratamento do GIST, pois a disseminação linfonodal é rara. A cirurgia (tumorectomia ou gastrectomia) é reservada para lesões maiores, com suspeita de malignidade ou quando a ressecção endoscópica não é viável. A alternativa erra ao incluir a linfadenectomia, que não faz parte do tratamento padrão do GIST.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A gastrectomia distal com amplas margens peritumorais, linfadenectomia e omentectomia é o tratamento do adenocarcinoma gástrico, não do GIST. A gastrectomia é uma cirurgia radical, com alta morbidade, e não é indicada para uma lesão subepitelial de 3,5 cm, sem sinais de agressividade. A linfadenectomia e a omentectomia não são rotina no GIST, pois a disseminação linfonodal e peritoneal é rara. A alternativa superestima a agressividade da lesão e propõe um tratamento desproporcional.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre GIST e adenocarcinoma gástrico. O adenocarcinoma gástrico é tratado com gastrectomia + linfadenectomia (D2), mas o GIST é um tumor mesenquimal que metastatiza por via hematogênica, não linfática — por isso a linfadenectomia não é indicada. A ressecção com margens livres, sem linfadenectomia, é o padrão. Guarde: GIST pequeno (< 5 cm) → ressecção endoscópica ou cirúrgica simples; adenocarcinoma → gastrectomia + linfadenectomia.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, identifique o tipo de tumor pela origem: tumor subepitelial (submucoso) → pensar em GIST, leiomioma, lipoma; tumor epitelial (mucosa) → adenocarcinoma. Para GIST, a conduta é ressecção com margens livres, sem linfadenectomia. Para adenocarcinoma, é gastrectomia com linfadenectomia. Essa distinção resolve a maioria das questões sobre tumores gástricos.