Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2025

MedicinaOncologia
Código
qg541921
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Cirurgião Oncológico
Um homem melanodérmico de 65 anos, soldador, procurou atendimento por apresentar uma ferida no dorso da mão esquerda em uma área de queimadura ocorrida oito anos antes. Segundo o paciente, a ferida surgiu após um trauma ocorrido quatro meses antes da consulta atual. A ferida não é dolorosa nem está inflamada, porém, apesar de limpeza e curativos, não cicatrizou. O diagnóstico mais provável para esse caso é
  1. Acarcinoma espinocelular.
  2. Bcarcinoma basocelular.
  3. Cmelanoma amelanótico.
  4. Dúlcera em tecido fibrosado.
  5. Einfecção fúngica da ferida.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — carcinoma espinocelular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma espinocelular em cicatriz de queimadura (úlcera de Marjolin)

Gabarito: letra A. O quadro clínico — ferida crônica não cicatrizante, indolor e sem sinais inflamatórios, surgida em área de queimadura antiga (há 8 anos) no dorso da mão de um homem idoso e melanodérmico, após trauma local — é a apresentação clássica do carcinoma espinocelular (CEC) desenvolvido sobre cicatriz de queimadura, condição conhecida como úlcera de Marjolin. A associação entre cicatrizes de queimadura e o surgimento de CEC é um fato bem estabelecido na literatura médica, sendo o espinocelular o tipo histológico mais comum nesse contexto.

O carcinoma espinocelular é uma neoplasia maligna originada dos queratinócitos da epiderme. Diferentemente do carcinoma basocelular (CBC), que raramente metastatiza, o CEC tem potencial metastático real, especialmente quando surge em áreas de cicatriz, queimadura ou úlcera crônica — exatamente o cenário do paciente. A patogênese envolve a inflamação crônica e a reparação tecidual repetida, que criam um microambiente propício à transformação maligna. A cicatriz de queimadura, por ser uma área de pele alterada, com vascularização e inervação comprometidas, torna-se um terreno fértil para o desenvolvimento de neoplasias, muitas vezes após décadas da lesão inicial.

Na prática clínica, a úlcera de Marjolin é o nome dado ao carcinoma (quase sempre espinocelular) que surge em cicatrizes de queimaduras, úlceras crônicas, fístulas ou osteomielites. O intervalo entre a queimadura e o aparecimento do tumor é variável, podendo ser de poucos anos a várias décadas — no caso, oito anos. A lesão tipicamente se apresenta como uma úlcera que não cicatriza, com bordas elevadas e endurecidas (evertidas), fundo com tecido de granulação ou necrótico, e que pode ser indolor, como no paciente. O trauma local relatado (há 4 meses) pode ser um evento que chama a atenção para uma lesão que já vinha se desenvolvendo, ou mesmo um fator que acelera sua manifestação clínica.

A distinção entre os tumores de pele é crucial para o diagnóstico. O carcinoma basocelular (CBC) é o mais frequente, mas raramente surge em cicatrizes; sua apresentação típica é de pápula ou nódulo perolado com telangiectasias, em áreas fotoexpostas de pele clara. O melanoma amelanótico é uma variante sem pigmento, mas sua associação com cicatriz de queimadura é incomum, e a apresentação clássica é de lesão assimétrica, com bordas irregulares e múltiplas cores. A úlcera em tecido fibrosado é uma complicação de cicatrizes, mas não explica a transformação maligna e a não cicatrização prolongada. A infecção fúngica geralmente apresenta sinais inflamatórios, prurido, descamação e resposta a antifúngicos, o que não ocorre no caso.

A pegadinha central desta questão é a tentação de diagnosticar uma complicação benigna da queimadura (úlcera, infecção) ou um tumor mais comum (CBC), ignorando a forte associação entre cicatriz de queimadura e carcinoma espinocelular. O candidato deve lembrar que toda úlcera crônica não cicatrizante em área de cicatriz deve levantar a suspeita de malignidade, especialmente CEC. A biópsia é o exame confirmatório, e o tratamento de escolha é a excisão cirúrgica ampla, com margens adequadas.

Guarde este critério: cicatriz de queimadura + úlcera crônica não cicatrizante = carcinoma espinocelular (úlcera de Marjolin) até prova em contrário. É exatamente essa associação que separa a alternativa correta das demais.

1Definição
CEC em cicatriz de queimadura
Úlcera crônica não cicatrizante
2Fatores de risco
Queimadura antiga
Inflamação crônica
Reparo tecidual repetido
3Clínica
Indolor
Sem sinais inflamatórios
Bordas elevadas/endurecidas
4Diagnóstico
Biópsia confirmatória
5Tratamento
Excisão cirúrgica ampla
Úlcera de Marjolin
LEVELsoulevel.com.br
Úlcera de Marjolin: Definição (CEC em cicatriz de queimadura, Úlcera crônica não cicatrizante); Fatores de risco (Queimadura antiga, Inflamação crônica, Reparo tecidual repetido); Clínica (Indolor, Sem sinais inflamatórios, Bordas elevadas/endurecidas); Diagnóstico (Biópsia confirmatória); Tratamento (Excisão cirúrgica ampla)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque descreve a úlcera de Marjolin, que é o carcinoma espinocelular que se desenvolve sobre cicatrizes de queimaduras. O paciente apresenta todos os elementos clássicos: queimadura antiga (8 anos), ferida crônica não cicatrizante, indolor, sem sinais inflamatórios, em área de cicatriz (dorso da mão). O trauma local pode ser um cofator que desmascara a lesão. O CEC é a neoplasia mais comum nesse contexto, com potencial metastático, e a biópsia é mandatória para confirmar o diagnóstico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O carcinoma basocelular (CBC) é o tumor de pele mais frequente, mas raramente surge em cicatrizes de queimadura. Sua apresentação típica é de pápula ou nódulo perolado, com telangiectasias e bordas roliças, em áreas fotoexpostas de pele clara. A associação com cicatriz é exceção, e o CBC tem baixo potencial metastático. A localização no dorso da mão e o histórico de queimadura apontam fortemente para CEC, não para CBC.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O melanoma amelanótico é uma variante rara do melanoma sem pigmento visível. Embora possa se apresentar como lesão ulcerada, sua associação com cicatriz de queimadura é incomum. A apresentação clássica do melanoma amelanótico é de lesão assimétrica, com bordas irregulares, eritema e crescimento rápido, frequentemente em áreas fotoexpostas, mas não especificamente em cicatrizes. O histórico de queimadura e a cronicidade da lesão favorecem o CEC.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A úlcera em tecido fibrosado é uma complicação possível de cicatrizes, mas não explica a não cicatrização prolongada e a ausência de resposta aos curativos. A úlcera de Marjolin é exatamente a transformação maligna de uma úlcera crônica em cicatriz, e a suspeita de malignidade deve ser sempre levantada. A alternativa descreve uma complicação benigna, ignorando o risco de neoplasia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A infecção fúngica da ferida geralmente apresenta sinais inflamatórios, como eritema, prurido, descamação, exsudato e resposta a antifúngicos. O paciente não apresenta sinais de inflamação, e a ferida é indolor e não cicatriza apesar dos curativos. A cronicidade e a ausência de resposta ao tratamento tópico são mais sugestivas de neoplasia do que de infecção fúngica.

Gabarito: letra A — carcinoma espinocelular (úlcera de Marjolin).

Link permanente: /questoes/qg541921