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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2025

MedicinaOncologia
Código
qg541926
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Cirurgião Oncológico
Paciente masculino melanodérmico, 64 anos de idade, emagrecido, foi à consulta com queixa de nódulo cervical anterior apenas do lado esquerdo, percebido dois meses antes da consulta. Ele também relata redução progressiva de sua audição também à esquerda nos últimos quatro meses. Em relação a esse quadro clínico, qual é o tipo de tumor e sua provável localização?
  1. ACâncer na parte esquerda da língua.
  2. BCarcinoma faríngeo à esquerda.
  3. CNeoplasia de prega vocal esquerda.
  4. DTumor de lobo esquerdo da tireoide.
  5. ENeoplasia de orelha interna esquerda.
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GabaritoB — Carcinoma faríngeo à esquerda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma de faringe: nódulo cervical e hipoacusia ipsilateral

Gabarito: letra B. O quadro — nódulo cervical anterior unilateral à esquerda + redução progressiva da audição ipsilateral — é a apresentação clássica de um carcinoma de faringe (mais especificamente de nasofaringe), que se dissemina para linfonodos cervicais e pode comprometer a tuba auditiva, causando hipoacusia do mesmo lado. As demais alternativas não explicam a associação de linfonodo cervical com perda auditiva ipsilateral.

O carcinoma de faringe é uma neoplasia maligna que se origina no epitélio da faringe, um tubo muscular que se estende da base do crânio até a borda inferior da cartilagem cricóidea, dividido em três porções: nasofaringe, orofaringe e hipofaringe. A nasofaringe, localizada atrás da cavidade nasal e acima do palato mole, tem íntima relação com a tuba auditiva (antiga trompa de Eustáquio), que conecta a faringe à orelha média. Um tumor nessa região pode obstruir a tuba auditiva, levando a otite média secretora e consequente hipoacusia condutiva ipsilateral — exatamente o que o paciente apresenta.

A disseminação linfática é precoce e frequente nos carcinomas de faringe, especialmente no de nasofaringe, que metastatiza para as cadeias jugulares altas e posteriores, além das supraclaviculares. O nódulo cervical anterior (na cadeia jugular alta, região subdigástrica) é, muitas vezes, a primeira manifestação clínica, podendo anteceder os sintomas otológicos. No caso descrito, o paciente melanodérmico de 64 anos, emagrecido, com nódulo cervical esquerdo e hipoacusia esquerda, encaixa-se perfeitamente nesse perfil — o emagrecimento é um sinal constitucional comum em neoplasias avançadas.

A chave para diferenciar as alternativas está em qual tumor consegue explicar simultaneamente o linfonodo cervical e a perda auditiva do mesmo lado. Tumores de língua, prega vocal e tireoide podem metastatizar para linfonodos cervicais, mas não causam hipoacusia ipsilateral por obstrução tubária. Já a neoplasia de orelha interna causaria hipoacusia neurossensorial, mas não explicaria o nódulo cervical anterior. Somente o carcinoma faríngeo (nasofaringe) une os dois achados pela proximidade anatômica com a tuba auditiva e a drenagem linfática cervical.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as localizações que drenam para linfonodos cervicais. O candidato pode pensar em tumor de tireoide (nódulo cervical anterior é típico) ou de língua, mas esquece que a hipoacusia ipsilateral é a pista decisiva: ela aponta para a faringe (obstrução da tuba auditiva), não para tireoide, língua ou prega vocal. Guarde: nódulo cervical + hipoacusia do mesmo lado = pensar em carcinoma de nasofaringe.

1Nódulo cervical anterior
Metástase linfonodal ipsilateral
Cadeias jugulares altas/posteriores
2Hipoacusia ipsilateral
Obstrução da tuba auditiva
Otite média secretora
3Sinais constitucionais
Emagrecimento
Idade avançada
Carcinoma de faringe (nasofaringe)
LEVELsoulevel.com.br
Carcinoma de faringe (nasofaringe): Nódulo cervical anterior (Metástase linfonodal ipsilateral, Cadeias jugulares altas/posteriores); Hipoacusia ipsilateral (Obstrução da tuba auditiva, Otite média secretora); Sinais constitucionais (Emagrecimento, Idade avançada)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O câncer da parte esquerda da língua metastatiza para linfonodos subdigástricos, submandibulares e jugulocarotídeos médios, o que explicaria o nódulo cervical. Porém, não há mecanismo fisiopatológico para causar hipoacusia ipsilateral — a língua não tem relação com a tuba auditiva nem com a orelha média. A perda auditiva progressiva à esquerda não se justifica por um tumor lingual.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O carcinoma faríngeo, especialmente o de nasofaringe, é o tumor que melhor explica o conjunto: o nódulo cervical anterior esquerdo decorre da metástase linfonodal ipsilateral (cadeias jugulares altas e posteriores), e a hipoacusia esquerda resulta da obstrução da tuba auditiva pelo tumor, gerando otite média secretora e perda auditiva condutiva. A lateralidade ipsilateral é a assinatura do quadro.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A neoplasia de prega vocal esquerda (carcinoma de laringe glótica) pode metastatizar para linfonodos cervicais, mas a drenagem da glote é escassa e tardia — nódulo cervical como primeira manifestação é raro. Além disso, o sintoma esperado seria disfonia (rouquidão), não hipoacusia. A perda auditiva não tem relação anatômica com a laringe.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tumor de lobo esquerdo da tireoide pode apresentar-se como nódulo cervical anterior, e a adenomegalia cervical ipsilateral é um sinal de suspeita de malignidade. Contudo, não causa hipoacusia — a glândula tireoide não tem relação com a tuba auditiva. A perda auditiva progressiva à esquerda não é explicada por neoplasia tireoidiana.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A neoplasia de orelha interna esquerda causaria hipoacusia neurossensorial ipsilateral, o que explicaria a perda auditiva. Porém, não justifica o nódulo cervical anterior — a orelha interna não drena para linfonodos cervicais superficiais anteriores. Tumores de orelha interna são raríssimos e não produzem linfonodomegalia cervical como apresentação inicial.

Fechamento: A questão testa a capacidade de correlacionar sintomas com a anatomia e a via de disseminação tumoral. A tríade nódulo cervical + hipoacusia ipsilateral + emagrecimento em paciente idoso é fortemente sugestiva de carcinoma de nasofaringe. Na prova, ao ver nódulo cervical com sintoma otológico do mesmo lado, lembre-se da faringe — é o diagnóstico que une os dois achados.

Gabarito: letra B

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