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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2025

MedicinaOncologia
Código
qg541927
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Cirurgião Oncológico
Uma senhora feodérmica de 66 anos, consumidora de chá muito quente várias vezes por dia durante 45 anos, procurou o hospital com queixa de disfagia e emagrecimento acentuado, sem outras queixas. Ao considerar ser um câncer decorrente da ingestão de bebida quente por tempo prolongado, por ser o mais frequente, a hipótese diagnóstica é de
  1. Acarcinoma espinocelular de língua.
  2. Bcarcinoma espinocelular de faringe.
  3. Ccarcinoma espinocelular de esôfago.
  4. Dadenocarcinoma de esôfago inferior.
  5. Eadenocarcinoma de estômago.
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GabaritoC — carcinoma espinocelular de esôfago.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de esôfago: carcinoma espinocelular e fatores de risco

Gabarito: letra C. A ingestão crônica de bebidas muito quentes é fator de risco clássico para o carcinoma espinocelular de esôfago, que é o tipo histológico mais frequente desse câncer em todo o mundo — e o quadro de disfagia progressiva com emagrecimento acentuado em paciente idosa é a apresentação típica. A fonte é o conhecimento consolidado em oncologia e gastroenterologia, conforme o material de apoio sobre fatores de risco e neoplasias esofágicas.

O câncer de esôfago é uma neoplasia de mau prognóstico, com sobrevida em 5 anos de apenas 15 a 20%. Ele se divide em dois grandes tipos histológicos: o carcinoma espinocelular (CCE), que predomina no terço médio e superior do órgão, e o adenocarcinoma, que acomete preferencialmente o terço inferior, quase sempre em associação com o esôfago de Barrett (metaplasia intestinal decorrente de doença do refluxo gastroesofágico crônica). Essa distinção é fundamental para a questão: os fatores de risco de cada tipo são diferentes, e a banca explora exatamente essa diferença.

O carcinoma espinocelular tem como principais fatores de risco o etilismo e o tabagismo, além de outros agentes que causam inflamação crônica e displasia — entre eles, a ingestão habitual de bebidas muito quentes, como o chá consumido em temperatura elevada por décadas. O trauma térmico repetido sobre a mucosa esofágica lesa o epitélio escamoso e, ao longo de anos, pode induzir transformação maligna. Já o adenocarcinoma está fortemente associado à obesidade e ao refluxo gastroesofágico (DRGE), que levam ao esôfago de Barrett — e não ao consumo de bebidas quentes.

Na prática clínica, o paciente com câncer de esôfago tipicamente apresenta disfagia progressiva (primeiro para sólidos, depois para líquidos) e perda de peso significativa, como no caso da senhora de 66 anos. A disfagia é o sintoma mais comum e costuma aparecer quando o tumor já está avançado, pois o esôfago é um órgão distensível e o lúmen só se estreita de forma perceptível com lesões maiores. O emagrecimento acentuado reflete tanto a dificuldade de alimentação quanto o consumo metabólico do tumor.

A pegadinha da questão está em associar o consumo de bebida quente ao tipo histológico correto. O candidato pode ser tentado a pensar em adenocarcinoma de esôfago inferior (letra D), por ser o tipo mais comum em países desenvolvidos — mas o enunciado fala de um fator de risco típico do carcinoma espinocelular, que é o mais frequente em todo o mundo. Além disso, a localização do adenocarcinoma (terço inferior) não se relaciona com o mecanismo do trauma térmico, que atinge todo o esôfago, mas especialmente os terços médio e superior.

Guarde a fronteira entre os dois tipos histológicos e seus fatores de risco: é exatamente nela que as alternativas se dividem. O consumo de bebida quente aponta para carcinoma espinocelular; a obesidade e o refluxo apontam para adenocarcinoma.

Câncer de esôfago
  • 1Carcinoma espinocelular (CCE)
    • Fatores de risco
      • Tabagismo
      • Etilismo
      • Bebida muito quente
    • Localização
      • Terço médio
      • Terço superior
    • Tipo mais frequente no mundo
  • 2Adenocarcinoma
    • Fatores de risco
      • Obesidade
      • DRGE
      • Esôfago de Barrett
    • Localização
      • Terço inferior
    • Mais comum em países desenvolvidos
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O carcinoma espinocelular de língua é uma neoplasia da cavidade oral, que tem como fatores de risco principais o tabagismo e o etilismo, além de lesões precursoras como leucoplasia e eritroplasia. O consumo de bebida quente não é fator de risco clássico para câncer de língua, e o quadro clínico de disfagia e emagrecimento aponta para o esôfago, não para a cavidade oral. A disfagia é sintoma de obstrução esofágica, não de tumor de língua.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O carcinoma espinocelular de faringe também está associado a tabagismo e etilismo, e o consumo de bebida quente não é o fator de risco mais característico. Além disso, o sintoma predominante seria disfagia orofaríngea (dificuldade de iniciar a deglutição, engasgos, regurgitação nasal), e não a disfagia esofágica progressiva típica do câncer de esôfago. O emagrecimento acentuado com disfagia de longa evolução em paciente idosa é o quadro clássico de neoplasia esofágica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O carcinoma espinocelular de esôfago é o tipo histológico mais frequente de câncer de esôfago em todo o mundo, e a ingestão crônica de bebidas muito quentes é um fator de risco reconhecido, por causar trauma térmico repetido e inflamação crônica na mucosa esofágica. A paciente apresenta o quadro clássico: disfagia progressiva e emagrecimento acentuado, sem outras queixas, em idosa com histórico de 45 anos consumindo chá muito quente. Todos os elementos do caso convergem para essa hipótese.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O adenocarcinoma de esôfago inferior está associado à obesidade, à DRGE e ao esôfago de Barrett, não ao consumo de bebida quente. Além disso, o adenocarcinoma é o tipo mais comum em países desenvolvidos, mas o carcinoma espinocelular ainda é o mais prevalente em todo o mundo — e o fator de risco descrito no enunciado (bebida quente) é específico do espinocelular. A localização inferior também não é a mais característica do trauma térmico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O adenocarcinoma de estômago tem como fatores de risco a infecção por Helicobacter pylori, dieta rica em sal e pobre em vegetais, tabagismo e história familiar — não o consumo de bebida quente. Embora a disfagia possa ocorrer em tumores gástricos proximais que invadem a cárdia, o quadro descrito é muito mais típico de neoplasia esofágica, e o fator de risco apontado no enunciado direciona diretamente para o esôfago.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os dois tipos histológicos de câncer de esôfago. O candidato que lembra que o adenocarcinoma é o mais comum em países desenvolvidos pode marcar a letra D, mas o enunciado descreve um fator de risco típico do carcinoma espinocelular (bebida quente) — que é o tipo mais frequente no mundo. Fique atento: quando a questão menciona consumo de bebida muito quente, a resposta é carcinoma espinocelular de esôfago.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte o par de associações: CCE de esôfago → tabagismo, etilismo, bebida quente, terço médio/superior; Adenocarcinoma de esôfago → obesidade, DRGE, esôfago de Barrett, terço inferior. Na prova, leia o fator de risco e a localização antes de responder — eles decidem o tipo histológico.

Gabarito: letra C

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