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Questão de Medicina — Hematologia — INSTITUTO AOCP 2025

MedicinaHematologia
Código
qg541977
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Hematologista
Hematologista recém-contratado por determinada prefeitura é orientado a avaliar como anda o perfil de transfusões do hospital estadual. Ao solicitar à equipe da agência transfusional os pedidos de transfusão de concentrados de hemácias nos últimos três meses, ele percebe que há um grande volume de solicitações que podem causar danos ao paciente. Nesse contexto, qual dos casos a seguir o hematologista avaliou como uma indicação correta de transfusão?
  1. APaciente de 35 anos com quadro de leucemia mieloide aguda com hemoglobina de 6,0 g/dl. Levemente cansada. Solicitado 01 concentrado de hemácia a ser infundido em 2 a 3 horas.
  2. BPaciente com 85 anos internado em Unidade de Terapia Intensiva com quadro de pneumonia e apresentando hemoglobina de 7,9 g/dl, confortável em ventilação mecânica e sem uso de drogas vasoativas. Solicitado 01 concentrado de hemácia a ser infundido em 2 a 3 horas.
  3. CPaciente neurocirúrgico com suspeita diagnóstica de meningioma. Nos exames admissionais, apresentou hemoglobina de 9,9 g/dl. Solicitados 02 concentrados de hemácias a ser infundidos antes da cirurgia em 3 a 4 horas.
  4. DPaciente de 5 anos de idade com 25 kg com história de chupar gelo e comer arroz cru (informações contadas pela mãe) com hemograma de 6,5 g/dl e volume corpuscular médio baixo. Ativo e comunicativo em toda a consulta. Solicitados 250 ml de concentrados de hemácias a ser infundido em 2 a 3 horas.
  5. EPaciente de 18 anos hígido doou sangue pela manhã e, no período vespertino, teve um desconforto em frente ao pronto-socorro enquanto caminhava. Desmaiou e chegou pálido à triagem. O médico indicou 02 concentrados de hemácias, sendo o primeiro com extrema urgência.
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GabaritoA — Paciente de 35 anos com quadro de leucemia mieloide aguda com hemoglobina de 6,0 g/dl. Levemente cansada. Solicitado 01 concentrado de hemácia a ser infundido em 2 a 3 horas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Indicações de transfusão de concentrado de hemácias

Gabarito: letra A. A paciente com leucemia mieloide aguda e hemoglobina de 6,0 g/dL tem indicação formal de transfusão, pois o limiar transfusional em pacientes onco-hematológicos é mais liberal (Hb < 7-8 g/dL), e a infusão de 1 unidade em 2-3 horas é a conduta adequada. As demais alternativas apresentam erros: transfusão sem sintomas em paciente crítico com Hb 7,9 g/dL (B), transfusão pré-operatória com Hb 9,9 g/dL sem sintomas (C), transfusão em criança com anemia ferropriva assintomática (D) e transfusão em doador com reação vasovagal (E).

A transfusão de concentrado de hemácias é uma terapia que salva vidas, mas não é isenta de riscos — por isso, a decisão de transfundir deve seguir critérios clínicos e laboratoriais bem definidos. O princípio central é que a transfusão não deve ser guiada apenas pelo número de hemoglobina, mas sim pela presença de sintomas de anemia (dispneia, taquicardia, hipotensão, angina, confusão mental) e pelo contexto clínico do paciente (doença de base, comorbidades, risco de sangramento).

A regra geral para pacientes estáveis, sem sangramento ativo, é transfundir quando a hemoglobina estiver abaixo de 7 g/dL, com reavaliação após cada unidade. Em pacientes com doença cardiovascular (especialmente síndrome coronariana aguda), o limiar sobe para 8-10 g/dL. Em pacientes onco-hematológicos (como leucemia aguda), o limiar é mais liberal, geralmente Hb < 7-8 g/dL, pois a anemia é frequentemente sintomática e o paciente pode não tolerar níveis mais baixos. Já em pacientes críticos (UTI), a estratégia restritiva (Hb < 7 g/dL) é preferível, conforme o estudo TRICC.

Na prática, a transfusão de 1 unidade de concentrado de hemácias aumenta a hemoglobina em aproximadamente 1 g/dL e o hematócrito em 3%. A infusão deve ser feita em 2 a 4 horas (nunca mais de 4 horas, para evitar proliferação bacteriana). Em pacientes sem sangramento agudo, a abordagem inicial é transfundir apenas 1 unidade e reavaliar — transfundir 2 unidades de uma vez só é exceção, reservada para hemorragia aguda ou Hb < 4 g/dL.

A pegadinha desta questão é que a banca mistura limiares transfusionais com sintomas clínicos. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa B (Hb 7,9 g/dL em UTI) por achar que o limiar de 7 g/dL foi ultrapassado, mas o paciente está assintomático e confortável — a transfusão não é indicada. Da mesma forma, a alternativa C (Hb 9,9 g/dL pré-operatório) parece razoável, mas o paciente está assintomático e o limiar pré-operatório é Hb < 7-8 g/dL (ou < 10 g/dL apenas em cirurgia cardíaca). A alternativa D (criança com anemia ferropriva) é um erro clássico: anemia ferropriva não é indicação de transfusão se o paciente está assintomático — o tratamento é reposição de ferro. E a alternativa E (doador com reação vasovagal) é um erro grave: a síncope vasovagal não é indicação de transfusão — o tratamento é reposição volêmica com cristaloides e observação.

Guarde a fronteira entre limiar transfusional e sintomatologia: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A transfusão só é indicada quando o paciente tem anemia sintomática ou risco de complicações — não apenas por um número de hemoglobina isolado.

Alternativa

Situação clínica

Hb (g/dL)

Sintomas

Indicação de transfusão?

Erro principal

A (correta)

Leucemia mieloide aguda

6,0

Leve cansaço

Sim — limiar liberal onco-hematológico (Hb < 7-8)

B

Idoso, UTI, pneumonia, VM, sem drogas vasoativas

7,9

Assintomático

Não — estratégia restritiva (Hb < 7)

Transfundir paciente assintomático

C

Neurocirúrgico, pré-operatório de meningioma

9,9

Assintomático

Não — limiar pré-operatório Hb < 7-8

Transfusão desnecessária + 2 unidades

D

Criança 5 anos, anemia ferropriva (pica, VCM baixo)

6,5

Ativo, comunicativo

Não — tratar com ferro oral

Transfundir anemia ferropriva assintomática

E

Doador, síncope vasovagal pós-doação

Não dosada

Síncope, palidez

Não — tratar com cristaloide e observação

Transfundir reação vasovagal

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A paciente com leucemia mieloide aguda e Hb 6,0 g/dL tem indicação formal de transfusão. Em pacientes onco-hematológicos, o limiar transfusional é mais liberal (Hb < 7-8 g/dL), pois a anemia é frequentemente sintomática (a paciente está "levemente cansada") e o paciente pode não tolerar níveis mais baixos. A infusão de 1 unidade em 2-3 horas é a conduta adequada — a abordagem inicial deve ser de 1 unidade com reavaliação, não de 2 unidades de uma vez.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O paciente de 85 anos em UTI com pneumonia e Hb 7,9 g/dL está assintomático (confortável em ventilação mecânica, sem drogas vasoativas). Em pacientes críticos, a estratégia restritiva (Hb < 7 g/dL) é preferível — o estudo TRICC demonstrou que a transfusão liberal (Hb < 10 g/dL) aumenta a mortalidade. Como o paciente está estável e sem sintomas de anemia, a transfusão não é indicada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O paciente neurocirúrgico com Hb 9,9 g/dL está assintomático e o limiar transfusional pré-operatório é Hb < 7-8 g/dL (ou < 10 g/dL apenas em cirurgia cardíaca). Além disso, a solicitação de 2 unidades é excessiva — a abordagem inicial deve ser de 1 unidade com reavaliação. A transfusão pré-operatória só é indicada se houver sintomas de anemia ou risco de sangramento significativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A criança de 5 anos com anemia ferropriva (Hb 6,5 g/dL, VCM baixo, história de pica) está assintomática (ativa e comunicativa). Anemia ferropriva não é indicação de transfusão — o tratamento é reposição de ferro oral. A transfusão só seria indicada se houvesse sintomas graves (insuficiência cardíaca, hipóxia) ou Hb < 4-5 g/dL. Além disso, o volume solicitado (250 mL) é inadequado para uma criança de 25 kg — o volume correto seria de aproximadamente 10-15 mL/kg.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O doador de 18 anos com síncope vasovagal não tem indicação de transfusão. A reação vasovagal é uma resposta autonômica benigna, tratada com reposição volêmica (cristaloides) e observação. A Hb não foi dosada, mas a perda sanguínea da doação (450 mL) não é suficiente para causar anemia grave. A transfusão de 2 unidades é um erro grave — o paciente não tem anemia sintomática nem hemorragia ativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre limiar transfusional e sintomatologia. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa B (Hb 7,9 g/dL em UTI) por achar que o limiar de 7 g/dL foi ultrapassado, mas o paciente está assintomático — a transfusão não é indicada. Da mesma forma, a alternativa D (criança com anemia ferropriva) parece razoável, mas anemia ferropriva não é indicação de transfusão se o paciente está assintomático. A regra de ouro: transfunda o paciente, não o número.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de transfusão, monte um fluxo mental: 1) O paciente tem sangramento ativo? Se sim, transfunda conforme a gravidade. 2) Se não, o paciente tem sintomas de anemia (dispneia, taquicardia, hipotensão, angina)? Se sim, transfunda. 3) Se não, o paciente tem fatores de risco (doença cardiovascular, onco-hematológica, crítica)? Se sim, use limiares mais liberais (Hb < 8-10 g/dL). 4) Se não, use o limiar restritivo (Hb < 7 g/dL). E lembre: 1 unidade por vez, reavalie.

Gabarito: letra A

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