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Questão de Medicina — Hematologia — INSTITUTO AOCP 2025

MedicinaHematologia
Código
qg541978
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Hematologista
Um indivíduo com leucemia mieloide crônica que possua a mutação BCR::ABL T315I tem qual inibidor de tirosina quinase mais recomendado?
  1. ABosutinibe.
  2. BDasatinibe.
  3. CImatinibe.
  4. DPonatinibe.
  5. EIbrutinibe.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Ponatinibe.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Leucemia Mieloide Crônica: mutação T315I e inibidores de tirosina quinase

Gabarito: letra D. A mutação BCR::ABL T315I confere resistência a todos os inibidores de tirosina quinase (ITQs) de primeira e segunda geração — imatinibe, dasatinibe, nilotinibe e bosutinibe —, sendo o ponatinibe, um ITQ de terceira geração, o único com atividade contra essa mutação específica. Essa é a base da recomendação: quando a análise mutacional identifica a T315I, o ponatinibe é o fármaco de escolha.

A leucemia mieloide crônica (LMC) é uma neoplasia mieloproliferativa caracterizada pela presença do cromossomo Philadelphia, que resulta da translocação t(9;22) e gera o gene de fusão BCR::ABL. Esse gene codifica uma proteína com atividade de tirosina quinase constitutivamente ativa, responsável pela proliferação descontrolada das células mieloides. Os inibidores de tirosina quinase (ITQs) atuam bloqueando essa atividade enzimática, controlando a doença.

O imatinibe foi o primeiro ITQ aprovado e revolucionou o tratamento da LMC, mas cerca de um terço dos pacientes desenvolve resistência ou intolerância ao fármaco. A resistência pode ocorrer por diversos mecanismos, sendo o mais importante a aquisição de mutações pontuais no domínio quinase da BCR::ABL. Essas mutações alteram a conformação da proteína, impedindo a ligação do fármaco. A análise mutacional é, portanto, fundamental para guiar a escolha do ITQ em casos de falha terapêutica.

A mutação T315I, também chamada de "mutação gatekeeper", é particularmente desafiadora: a substituição de treonina por isoleucina na posição 315 cria um impedimento estérico que bloqueia a ligação de todos os ITQs de primeira e segunda geração (imatinibe, dasatinibe, nilotinibe e bosutinibe). O ponatinibe, um ITQ de terceira geração, foi especificamente desenhado para superar essa barreira, apresentando atividade contra a BCR::ABL mesmo na presença da T315I. Por isso, é o agente mais recomendado nesse cenário.

É importante distinguir os ITQs disponíveis para a LMC: os de primeira geração (imatinibe) e segunda geração (dasatinibe, nilotinibe, bosutinibe) são opções de primeira linha, mas perdem eficácia diante da T315I. O ponatinibe, de terceira geração, é reservado para casos de resistência, especialmente quando há mutação T315I, embora seu uso seja limitado por um perfil de toxicidade cardiovascular e trombótica significativo. O ibrutinibe, por sua vez, é um ITQ que inibe a tirosina quinase de Bruton (BTK), utilizada no tratamento de neoplasias de células B, como leucemia linfocítica crônica e linfoma de células do manto, não tendo papel na LMC.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora dasatinibe e bosutinibe sejam ITQs de segunda geração com maior potência que o imatinibe, nenhum deles é eficaz contra a mutação T315I. O candidato que memoriza apenas a hierarquia de gerações pode ser levado a escolher um ITQ de segunda geração, mas a presença da T315I exige especificamente o ponatinibe. Guarde essa distinção: a T315I é o divisor de águas que separa os ITQs de segunda geração do ponatinibe.

11ª geração
Imatinibe
Resistente à T315I
22ª geração
Dasatinibe
Nilotinibe
Bosutinibe
Resistentes à T315I
33ª geração
Ponatinibe
Único ativo contra T315I
4Fora do contexto
Ibrutinibe (inibidor de BTK)
Sem ação na BCR::ABL
ITQs na LMC
LEVELsoulevel.com.br
ITQs na LMC: 1ª geração (Imatinibe, Resistente à T315I); 2ª geração (Dasatinibe, Nilotinibe, Bosutinibe, Resistentes à T315I); 3ª geração (Ponatinibe, Único ativo contra T315I); Fora do contexto (Ibrutinibe (inibidor de BTK), Sem ação na BCR::ABL)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O bosutinibe é um ITQ de segunda geração, ativo contra a maioria das mutações da BCR::ABL, mas não é eficaz contra a mutação T315I. A presença dessa mutação confere resistência ao bosutinibe, tornando-o uma opção inadequada nesse cenário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O dasatinibe é um ITQ de segunda geração, potente e utilizado como primeira linha na LMC, mas também é ineficaz contra a mutação T315I. A mutação gatekeeper impede sua ligação à quinase, resultando em resistência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O imatinibe é o ITQ de primeira geração, base do tratamento inicial da LMC, mas perde eficácia diante da mutação T315I. A resistência ao imatinibe é um dos principais motivos para a realização da análise mutacional e a troca para um ITQ de geração mais avançada.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O ponatinibe é um ITQ de terceira geração, especificamente desenvolvido para superar a resistência conferida pela mutação T315I. É o agente mais recomendado quando essa mutação é identificada, apesar do risco de eventos cardiovasculares e trombóticos associados ao seu uso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O ibrutinibe é um inibidor da tirosina quinase de Bruton (BTK), utilizado no tratamento de neoplasias de células B, como leucemia linfocítica crônica e linfoma de células do manto. Não tem atividade contra a BCR::ABL e, portanto, não é uma opção para o tratamento da LMC.

Gabarito: letra D — o ponatinibe é o ITQ mais recomendado para pacientes com LMC portadores da mutação BCR::ABL T315I.

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