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Questão de Medicina — Hematologia — INSTITUTO AOCP 2025

MedicinaHematologia
Código
qg541979
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Hematologista
O PBM (Patient Blood Management) propõe uma abordagem centrada no paciente para melhorar resultados clínicos através do uso seguro e racional de sangue, minimizando a exposição desnecessária aos produtos sanguíneos. São características do PBM, EXCETO
  1. Aotimizar a massa eritrocitária.
  2. Bminimizar a perda de sangue.
  3. Cmelhorar a tolerância à anemia.
  4. Dotimizar hemostasia do paciente.
  5. Ecaptar mais doadores de sangue.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — captar mais doadores de sangue.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Patient Blood Management (PBM): pilares e o que NÃO é

Gabarito: letra E. O PBM (Patient Blood Management) é uma abordagem multidisciplinar centrada no paciente que visa melhorar os desfechos clínicos por meio do uso racional do sangue e de seus componentes, reduzindo a exposição desnecessária a transfusões. Seus três pilares fundamentais são: otimizar a massa eritrocitária, minimizar a perda sanguínea e otimizar a tolerância à anemia — todos focados no paciente. A alternativa E, "captar mais doadores de sangue", foge completamente desse escopo, pois o PBM não trata da captação de doadores, mas sim do manejo do paciente para evitar a necessidade de transfusão.

O Patient Blood Management representa uma mudança de paradigma na medicina transfusional. Historicamente, a abordagem era centrada no produto sanguíneo: o paciente chegava anêmico ou com sangramento, e a resposta era transfundir hemácias, plasma ou plaquetas. O PBM inverte essa lógica, colocando o paciente no centro e perguntando: por que este paciente está anêmico? Como podemos evitar que ele precise de transfusão? Como podemos fazê-lo tolerar melhor a anemia caso ela ocorra?

Essa abordagem se estrutura em três pilares, que são exatamente as alternativas A, B e D, além de uma variação da C. O primeiro pilar é a otimização da massa eritrocitária (alternativa A): identificar e tratar a anemia antes de procedimentos eletivos, corrigindo deficiências de ferro, vitamina B12 e ácido fólico, e estimulando a eritropoese quando indicado. O segundo pilar é a minimização da perda de sangue (alternativa B): envolve técnicas cirúrgicas meticulosas, uso de agentes hemostáticos, recuperação intraoperatória de sangue (cell salvage), e a redução de coletas laboratoriais desnecessárias. O terceiro pilar é a otimização da tolerância à anemia (alternativa C): reconhecer que o corpo humano tolera níveis de hemoglobina mais baixos do que se imaginava, utilizando-se de estratégias como oxigenoterapia, posicionamento adequado e redução do consumo de oxigênio, evitando transfusões desnecessárias em pacientes estáveis.

A alternativa D, "otimizar hemostasia do paciente", também é um componente essencial do PBM, pois está intrinsecamente ligada à minimização da perda de sangue. Gerenciar a hemostasia significa identificar e corrigir coagulopatias pré-existentes, usar antifibrinolíticos quando apropriado e aplicar protocolos de transfusão maciça baseados em objetivos (viscoelasticidade, por exemplo). Portanto, as quatro primeiras alternativas são características legítimas do PBM, enquanto a quinta, sobre captação de doadores, pertence a outra esfera da hemoterapia: a hemovigilância e o gerenciamento do banco de sangue, que visam garantir a disponibilidade de hemocomponentes para quem realmente precisa, mas não é um pilar do PBM.

A pegadinha desta questão é justamente a inversão de perspectiva: o PBM é uma estratégia para reduzir a necessidade de transfusão, não para aumentar a oferta de sangue. O candidato que não conhece os pilares do PBM pode ser tentado a marcar uma alternativa que pareça razoável no contexto de "uso racional de sangue", mas "captar mais doadores" é uma medida de hemoterapia tradicional, não de Patient Blood Management. Guarde os três pilares: otimizar eritropoese, minimizar perdas e tolerar anemia — é exatamente nessa tríade que as alternativas se dividem.

Pilar do PBM

Descrição

Foco

Otimizar massa eritrocitária

Tratar anemia pré-operatória (ferro, B12, ácido fólico, eritropoetina)

Paciente

Minimizar perda de sangue

Técnicas cirúrgicas, cell salvage, redução de flebotomias, agentes hemostáticos

Paciente

Otimizar tolerância à anemia

Oxigenoterapia, euvolemia, redução do consumo de O₂

Paciente

Otimizar hemostasia

Corrigir coagulopatias, antifibrinolíticos, protocolos guiados por TEG/ROTEM

Paciente

Captar mais doadores (❌)

Aumentar estoque de hemocomponentes no banco de sangue

Doador

PBM (Patient Blood Management)
  • 1Pilares (centrados no paciente)
    • Otimizar massa eritrocitária
    • Minimizar perda de sangue
    • Otimizar hemostasia
    • Melhorar tolerância à anemia
  • 2Fora do escopo
    • Captar mais doadores (hemoterapia)
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Alternativa A — ✅ Correta

Otimizar a massa eritrocitária é o primeiro pilar do PBM. Envolve o diagnóstico e tratamento da anemia pré-operatória, com reposição de ferro, vitamina B12, ácido fólico e, em alguns casos, uso de agentes estimuladores da eritropoese. O objetivo é que o paciente chegue ao procedimento com o maior nível de hemoglobina possível, reduzindo a necessidade de transfusão.

Alternativa B — ✅ Correta

Minimizar a perda de sangue é o segundo pilar do PBM. Inclui técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, uso criterioso de cautério e agentes hemostáticos locais, recuperação intraoperatória de sangue (cell salvage), e a redução de flebotomias diagnósticas. Cada mililitro de sangue poupado é um mililitro que não precisará ser reposto.

Alternativa C — ✅ Correta

Melhorar a tolerância à anemia é o terceiro pilar do PBM. Baseia-se na fisiologia: o paciente consegue tolerar níveis de hemoglobina mais baixos quando está euvolêmico e com boa perfusão tecidual. Estratégias como otimização do débito cardíaco, oxigenoterapia e redução do consumo de oxigênio permitem adiar ou evitar transfusões em pacientes estáveis, mesmo com anemia significativa.

Alternativa D — ✅ Correta

Otimizar a hemostasia do paciente é um componente crucial do PBM, diretamente ligado ao segundo pilar. Envolve a avaliação e correção de coagulopatias pré-existentes, o uso racional de antifibrinolíticos (como o ácido tranexâmico) e a implementação de protocolos de transfusão guiados por testes viscoelásticos (TEG/ROTEM) ou por objetivos laboratoriais. Uma hemostasia otimizada significa menos sangramento e, consequentemente, menos transfusão.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

Captar mais doadores de sangue não é uma característica do PBM. O Patient Blood Management é uma estratégia centrada no paciente para reduzir a exposição transfusional, enquanto a captação de doadores é uma atividade de hemoterapia voltada para a manutenção dos estoques de hemocomponentes nos bancos de sangue. São esferas complementares, mas distintas: o PBM atua na ponta do consumo, a doação na ponta da oferta. A banca explora exatamente essa confusão entre "uso racional do sangue" e "aumento da disponibilidade de sangue".

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o foco do PBM: ele é uma estratégia para reduzir a necessidade de transfusão no paciente, não para aumentar a oferta de sangue. "Captar mais doadores" é uma medida de hemoterapia tradicional, que garante estoque, mas não é um pilar do Patient Blood Management. Lembre-se: os três pilares são otimizar a massa eritrocitária, minimizar a perda de sangue e melhorar a tolerância à anemia — tudo centrado no paciente, nunca no doador.

Gabarito: letra E — a única alternativa que não é característica do PBM.

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