Questão de Medicina — Hematologia — INSTITUTO AOCP 2025
Medicina›Hematologia
Código
qg541985
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Hematologista
Qual dos seguintes anticoagulantes são inibidores seletivos reversíveis do fator Xa, metabolizados pelo sistema do citocromo P450, e são substrato para a glicoproteína P?
ARivaroxabana, dabigatrana e edoxabana.
BRivaroxabana, apixabana e edoxabana.
CRivaroxabana e dabigatrana.
DRivaroxabana, dabigatrana e apixabana.
EDabigatrana e apixabana.
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GabaritoB — Rivaroxabana, apixabana e edoxabana.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Anticoagulantes orais diretos: inibidores do fator Xa
Gabarito: letra B. Rivaroxabana, apixabana e edoxabana são inibidores seletivos reversíveis do fator Xa, metabolizados pelo sistema do citocromo P450 (CYP3A4) e substratos da glicoproteína P (P-gp). A dabigatrana, presente nas demais alternativas, é um inibidor direto da trombina (fator IIa), não do fator Xa — é exatamente essa distinção que separa a alternativa correta das demais.
Os anticoagulantes orais diretos (DOACs) revolucionaram a anticoagulação ambulatorial por oferecerem eficácia semelhante à varfarina com menor risco de hemorragia intracraniana e sem necessidade de monitorização laboratorial frequente. Eles se dividem em duas grandes classes farmacológicas: os inibidores diretos da trombina (fator IIa) e os inibidores do fator Xa. Essa divisão é a chave para resolver a questão, pois o enunciado pede especificamente os inibidores do fator Xa.
O fator Xa é a enzima central da cascata de coagulação, responsável pela conversão da protrombina em trombina. Os inibidores do fator Xa atuam de forma seletiva e reversível nessa etapa, interrompendo a geração de trombina e, consequentemente, a formação de fibrina. Os principais representantes dessa classe são a rivaroxabana, a apixabana e a edoxabana — todas com o sufixo "-xabana" que as identifica. A dabigatrana, por outro lado, inibe diretamente a trombina (fator IIa), sendo o único DOAC dessa classe.
Quanto à farmacocinética, todos os DOACs são substratos da glicoproteína P (P-gp), um transportador de efluxo presente no intestino e nos rins, o que os torna suscetíveis a interações com indutores e inibidores desse transportador. No entanto, há diferenças importantes no metabolismo hepático: rivaroxabana e apixabana são metabolizadas pelo citocromo P450, principalmente pela isoenzima CYP3A4, enquanto a edoxabana tem envolvimento negligenciável do CYP3A4, sendo menos propensa a interações por essa via. A dabigatrana, por sua vez, não é metabolizada pelo citocromo P450, mas é substrato da P-gp.
Na prática clínica, essa distinção tem implicações diretas: rivaroxabana e apixabana podem ser usadas em monoterapia oral desde o início do tratamento do tromboembolismo venoso (TEV), sem necessidade de heparina prévia, enquanto dabigatrana e edoxabana exigem terapia inicial com heparina parenteral ou fondaparinux por 3 a 5 dias antes de sua introdução. Além disso, a rivaroxabana deve ser evitada com fármacos que inibem dualmente o CYP3A4 e a P-gp (como cetoconazol e ritonavir), e a apixabana tem seus níveis reduzidos em até 50% por indutores fortes do CYP3A4 (como rifampicina e fenitoína).
A pegadinha desta questão está em incluir a dabigatrana nas alternativas. O candidato que memoriza os DOACs como um grupo homogêneo pode marcar qualquer alternativa que a contenha, sem perceber que ela pertence a outra classe farmacológica. A banca explora exatamente essa confusão entre inibidor da trombina e inibidor do fator Xa. Guarde o critério: o sufixo "-xabana" identifica os inibidores do fator Xa; a dabigatrana é o único inibidor direto da trombina entre os DOACs — é nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Anticoagulantes orais diretos (DOACs)
1Inibidores do fator Xa (sufixo "-xabana")
Rivaroxabana
Apixabana
Edoxabana
2Inibidor direto da trombina (fator IIa)
Dabigatrana
3Farmacocinética
Substratos da glicoproteína P (todos)
Metabolismo CYP3A4
Rivaroxabana e apixabana
Edoxabana (negligenciável)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Inclui a dabigatrana, que é um inibidor direto da trombina (fator IIa), não do fator Xa. Embora rivaroxabana e edoxabana sejam inibidores do fator Xa, a presença da dabigatrana torna a alternativa incorreta. A banca mistura as duas classes de DOACs para confundir o candidato.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Rivaroxabana, apixabana e edoxabana são exatamente os três inibidores seletivos reversíveis do fator Xa disponíveis no Brasil. Todos são substratos da glicoproteína P e, com exceção da edoxabana (que tem envolvimento negligenciável), são metabolizados pelo citocromo P450 (CYP3A4). A alternativa espelha perfeitamente as características descritas no enunciado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Além de omitir a apixabana (também inibidora do fator Xa), inclui a dabigatrana, que é inibidora da trombina. A alternativa está incompleta e incorreta ao mesmo tempo: não lista todos os inibidores do fator Xa e adiciona um fármaco de outra classe.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Inclui a dabigatrana, que não é inibidora do fator Xa, e omite a edoxabana, que é. A combinação rivaroxabana + dabigatrana + apixabana mistura as duas classes de DOACs, tornando a alternativa incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Além de omitir rivaroxabana e edoxabana, inclui a dabigatrana, que é inibidora da trombina. A alternativa lista apenas dois fármacos, sendo um deles de classe farmacológica diferente, e deixa de fora dois inibidores do fator Xa.
Gabarito: letra B — rivaroxabana, apixabana e edoxabana são os inibidores seletivos reversíveis do fator Xa, metabolizados pelo CYP450 e substratos da glicoproteína P.