Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2025
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg541988
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Intensivista
Paciente de 68 anos, com prótese valvar aórtica mecânica, é internado na UTI por choque séptico de foco pulmonar. No terceiro dia, evolui com queda da hemoglobina, aumento de LDH e bilirrubina indireta, com haptoglobina indetectável. O teste de Coombs direto é negativo, e o esfregaço de sangue periférico mostra numerosos esquizócitos. A causa mais provável da hemólise nesse paciente é
Adisfunção da prótese valvar.
Bcoagulação intravascular disseminada (CIVD).
Cpúrpura trombocitopênica trombótica (PTT).
Dpúrpura trombocitopênica idiopática (PTI).
Ehemólise autoimune induzida pela sepse.
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GabaritoA — disfunção da prótese valvar.
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Hemólise intravascular em paciente com prótese valvar mecânica
Gabarito: letra A. O quadro descrito — queda de hemoglobina, aumento de LDH e bilirrubina indireta, haptoglobina indetectável, Coombs direto negativo e numerosos esquizócitos no esfregaço — configura hemólise intravascular mecânica, e a presença de prótese valvar aórtica mecânica é o fator de risco clássico para essa complicação, caracterizando a anemia hemolítica microangiopática por disfunção de prótese valvar.
A hemólise é a destruição prematura das hemácias. Quando ocorre dentro dos vasos (hemólise intravascular), libera hemoglobina livre que se liga à haptoglobina, esgotando-a; o heme é convertido em bilirrubina indireta, e a LDH eleva-se. Os esquizócitos são fragmentos de hemácias resultantes de trauma mecânico, típicos de hemólise microangiopática. Neste paciente, o mecanismo é a fragmentação mecânica das hemácias ao passarem pela prótese valvar disfuncionante — a chamada anemia hemolítica mecânica ou hemólise por turbulência. O Coombs direto negativo afasta mecanismo imune, e a presença de esquizócitos aponta para lesão mecânica, não para hemólise autoimune.
A distinção crucial é entre as causas de hemólise microangiopática: disfunção de prótese valvar, CIVD e PTT. Todas cursam com esquizócitos, mas diferem no contexto clínico e nos demais achados. Na CIVD, há consumo de fatores de coagulação e plaquetas, com alteração de TP/TTPA e fibrinogênio, além de sangramento. Na PTT, há trombocitopenia grave, anemia hemolítica microangiopática, febre, sintomas neurológicos e disfunção renal — a chamada pêntade clássica. Na disfunção de prótese, o quadro é predominantemente hematológico, sem coagulopatia de consumo significativa, e o histórico de prótese mecânica é o dado-chave.
A PTI é uma trombocitopenia imune, sem hemólise. A hemólise autoimune induzida pela sepse teria Coombs direto positivo, pois é mediada por anticorpos. Portanto, a combinação de prótese mecânica + hemólise intravascular + esquizócitos + Coombs negativo aponta diretamente para a disfunção da prótese valvar como causa mais provável.
Guarde a fronteira: esquizócitos + Coombs negativo + prótese mecânica = hemólise mecânica por disfunção de prótese. É exatamente nessa associação que as alternativas se dividem.
Hemólise intravascular
1Esquizócitos + Coombs negativo
Prótese valvar mecânica → hemólise mecânica
CIVD → coagulopatia de consumo
PTT → pêntade clássica
SHU → disfunção renal
2Coombs positivo
Hemólise autoimune
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A disfunção da prótese valvar aórtica mecânica causa hemólise mecânica intravascular por fragmentação das hemácias ao passarem pelo fluxo turbulento ou por regurgitação. Os achados laboratoriais — queda de hemoglobina, aumento de LDH e bilirrubina indireta, haptoglobina indetectável, Coombs direto negativo e esquizócitos — são a assinatura clássica dessa complicação. O histórico de prótese mecânica é o fator de risco determinante.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A CIVD também causa hemólise microangiopática com esquizócitos, mas cursa com consumo de fatores de coagulação e plaquetas, manifestando-se com TP/TTPA prolongados, fibrinogênio baixo e sangramento. No caso, não há dados de coagulopatia de consumo; o fator de risco mais forte é a prótese mecânica, tornando a disfunção valvar a causa mais provável.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A PTT é uma microangiopatia trombótica com a pêntade clássica: anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia grave, febre, sintomas neurológicos e disfunção renal. Embora haja esquizócitos, o paciente não apresenta trombocitopenia nem os demais componentes da pêntade, e o histórico de prótese mecânica direciona o diagnóstico para a disfunção valvar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A PTI é uma trombocitopenia imune sem hemólise. Não há esquizócitos, nem aumento de LDH/bilirrubina indireta, nem haptoglobina indetectável. O quadro descrito é de hemólise, não de plaquetopenia isolada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hemólise autoimune induzida pela sepse seria mediada por anticorpos, resultando em Coombs direto positivo. O Coombs direto negativo afasta o mecanismo imune, e a presença de esquizócitos aponta para lesão mecânica, não imunológica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as causas de hemólise microangiopática (esquizócitos). O candidato pode ser atraído pela CIVD ou PTT, comuns em pacientes sépticos, mas o dado decisivo é a prótese valvar mecânica — que torna a disfunção da prótese a causa mais provável. Lembre-se: Coombs negativo + esquizócitos + prótese mecânica = hemólise mecânica.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao ver esquizócitos, monte o diagnóstico diferencial: CIVD (coagulopatia de consumo), PTT (pêntade clássica), SHU (disfunção renal predominante) e hemólise mecânica (prótese valvar, estenose aórtica grave, hipertensão maligna). O histórico e os exames de coagulação separam essas entidades.