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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2025

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg541995
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Intensivista
No contexto dos cuidados paliativos em UTI, o princípio da “ortotanásia” refere-se a
  1. Apermitir que a morte ocorra em seu tempo natural, sem o uso de medidas desproporcionais que prolonguem o sofrimento.
  2. Bacelerar o processo de morte através de medidas ativas.
  3. Csuspender todas as medidas de conforto, como analgesia e sedação.
  4. Dprolongar a vida do paciente a todo custo, utilizando todos os recursos disponíveis.
  5. Eoferecer tratamento para a cura da doença de base, independentemente do prognóstico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — permitir que a morte ocorra em seu tempo natural, sem o uso de medidas desproporcionais que prolonguem o sofrimento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ortotanásia: a morte natural no cuidado paliativo

Gabarito: letra A. A ortotanásia é o princípio que permite que a morte ocorra em seu tempo natural, sem o uso de medidas desproporcionais que prolonguem o sofrimento — é a chamada "morte correta" ou "morte no tempo certo", em que se evita tanto a distanásia (prolongamento artificial da vida) quanto a eutanásia (antecipação da morte). O conceito está ancorado na ética médica e nos princípios dos cuidados paliativos, que priorizam o conforto e a dignidade do paciente em fase terminal.

A ortotanásia é um dos três conceitos fundamentais da bioética no fim da vida, e a banca explora exatamente a confusão entre eles. Distanásia é o prolongamento artificial da vida por todos os meios disponíveis, mesmo sem perspectiva de cura ou qualidade de vida — é a "obstinação terapêutica". Eutanásia é a antecipação deliberada da morte, por ação ou omissão, com o objetivo de abreviar o sofrimento — é proibida no Brasil. Ortotanásia, por sua vez, é o meio-termo ético: não se acelera a morte, mas também não se prolonga artificialmente o processo de morrer quando ele é inevitável. Na prática da UTI, isso se traduz na limitação ou retirada de suporte de vida (como ventilação mecânica ou drogas vasoativas) quando o prognóstico é irreversível, mantendo-se sempre as medidas de conforto — analgesia, sedação, suporte emocional e espiritual.

O contexto dos cuidados paliativos em UTI reforça que a administração de analgésicos e sedativos é ética e legalmente correta quando o objetivo é aliviar dor e desconforto, e não causar a morte. A discussão sobre ajuste de suporte terapêutico deve ser cuidadosa e gradual, com boa comunicação com os familiares, e em caso de conflito opta-se pela conduta mais conservadora. Uma vez feita a opção por priorizar conforto, a prescrição é revisada: suspende-se o que não é essencial (profilaxias, estatinas, anti-hipertensivos) e mantém-se o que contribui para o bem-estar.

A pegadinha central desta questão é a distinção entre ortotanásia e eutanásia. A banca coloca a eutanásia (acelerar a morte) como alternativa B, tentando fazer o candidato confundir os dois conceitos. A ortotanásia não acelera a morte — ela apenas deixa de impedi-la. É a diferença entre "matar" e "deixar morrer". Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Conceito

Definição

Conduta em UTI

Posição ética/legal no Brasil

Ortotanásia

Morte no tempo natural, sem acelerar nem prolongar artificialmente

Limitação/retirada de suporte de vida (VM, drogas vasoativas) quando o prognóstico é irreversível; mantém-se conforto (analgesia, sedação)

Ética e legalmente aceita

Eutanásia

Antecipação deliberada da morte por ação ou omissão

Não se aplica (conduta proibida)

Proibida (crime)

Distanásia

Prolongamento artificial da vida por todos os meios, mesmo sem perspectiva de cura

Obstinação terapêutica; uso de medidas fúteis e desproporcionais

Considerada antiética

1Ortotanásia
Morte natural, sem acelerar
Sem prolongar artificialmente
Mantém conforto (analgesia, sedação)
2Eutanásia
Acelera a morte (proibida)
3Distanásia
Prolonga a vida a todo custo
Obstinação terapêutica
Fim da vida: três conceitos
LEVELsoulevel.com.br
Fim da vida: três conceitos: Ortotanásia (Morte natural, sem acelerar, Sem prolongar artificialmente, Mantém conforto (analgesia, sedação)); Eutanásia (Acelera a morte (proibida)); Distanásia (Prolonga a vida a todo custo, Obstinação terapêutica)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a definição precisa de ortotanásia: permitir que a morte ocorra em seu tempo natural, sem medidas desproporcionais que prolonguem o sofrimento. O termo vem do grego orthos (correto) + thanatos (morte), ou seja, a "morte correta". Na prática, significa não utilizar recursos fúteis ou obstinados quando a morte é inevitável, priorizando o conforto e a dignidade. É exatamente o que os cuidados paliativos preconizam: nem acelerar, nem prolongar artificialmente — apenas acompanhar.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Acelerar o processo de morte através de medidas ativas é a definição de eutanásia, não de ortotanásia. A eutanásia é terminantemente proibida no Brasil (o Código Penal tipifica o homicídio, e o Código de Ética Médica veda ao médico abreviar a vida do paciente). A ortotanásia é o oposto: não há ação para acelerar a morte, apenas a não-utilização de medidas que a adiem artificialmente. A banca troca os conceitos para confundir o candidato.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Suspender todas as medidas de conforto, como analgesia e sedação, é um erro grave e antiético. Nos cuidados paliativos, as medidas de conforto são mantidas e intensificadas — analgesia e sedação são essenciais para aliviar dor e desconforto no processo de morte. O que se suspende são as medidas prolongadoras de sobrevida (profilaxias, estatinas, anti-hipertensivos), nunca o conforto. A alternativa inverte completamente a lógica do cuidado paliativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Prolongar a vida a todo custo, utilizando todos os recursos disponíveis, é a definição de distanásia (obstinação terapêutica). A ortotanásia é justamente o oposto: reconhece os limites da medicina e evita medidas fúteis e desproporcionais. A distanásia é considerada antiética por prolongar o sofrimento sem benefício real para o paciente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Oferecer tratamento para a cura da doença de base, independentemente do prognóstico, contraria o princípio da ortotanásia. Quando o prognóstico é irreversível e a morte é inevitável, o foco do cuidado paliativo deixa de ser a cura e passa a ser o conforto. Oferecer tratamento curativo "independentemente do prognóstico" seria ignorar a realidade clínica e cair na obstinação terapêutica (distanásia).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão clássica entre ortotanásia e eutanásia. A alternativa B (acelerar a morte) parece plausível para quem não domina os conceitos, mas é exatamente o oposto da ortotanásia. Lembre-se: ortotanásia = deixar morrer naturalmente; eutanásia = matar para aliviar; distanásia = prolongar artificialmente. Com esse trio na cabeça, você elimina as alternativas erradas de imediato.

PEGA ESSA DICA!

Monte uma tabela mental com os três conceitos: Ortotanásia (morte natural, sem prolongar nem acelerar), Eutanásia (antecipação da morte, proibida) e Distanásia (prolongamento artificial, antiética). Nas questões de cuidados paliativos, a banca quase sempre testa essa distinção — identifique qual termo está sendo definido e marque a alternativa correspondente.

Gabarito: letra A

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