Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2025
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg541998
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Intensivista
Um paciente de 70 anos com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é admitido com sonolência, confusão mental e dispneia. A gasometria arterial em ar ambiente revela pH 7.25, PaCO2 80 mmHg, PaO2 60 mmHg e HCO3 32 mEq/L. Esse quadro é classificado como insuficiência respiratória
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Insuficiência respiratória: classificação e gasometria
Gabarito: letra D. O paciente apresenta acidose respiratória (pH 7,25, PaCO2 80 mmHg) com bicarbonato elevado (HCO3 32 mEq/L), caracterizando insuficiência respiratória hipercápnica (Tipo II) crônica agudizada — a elevação do HCO3 indica compensação renal prévia (cronicidade), mas o pH < 7,35 revela descompensação aguda. A classificação se baseia na gasometria arterial, que distingue o tipo (I ou II) pela PaCO2 e a temporalidade (aguda, crônica ou crônica agudizada) pelo pH e HCO3.
A insuficiência respiratória é a falência do sistema respiratório em manter a oxigenação e/ou a eliminação de CO2 adequadas. A classificação clássica divide em dois tipos principais: Tipo I (hipoxêmica), caracterizada por PaO2 < 60 mmHg com PaCO2 normal ou baixa, refletindo falência na troca gasosa (ex.: pneumonia, edema agudo de pulmão, SDRA); e Tipo II (hipercápnica), caracterizada por PaCO2 > 45 mmHg, refletindo falência ventilatória (hipoventilação), como ocorre na DPOC exacerbada, na depressão do centro respiratório ou na fadiga muscular. A distinção é crucial porque a abordagem terapêutica difere: no Tipo I, o foco é a oxigenação; no Tipo II, a ventilação (frequentemente com ventilação não invasiva).
A temporalidade da insuficiência respiratória Tipo II é avaliada pela gasometria, analisando o pH e o bicarbonato. Na acidose respiratória aguda, o rim não teve tempo de compensar, então o HCO3 está normal ou levemente elevado e o pH está baixo. Na acidose respiratória crônica, o rim compensou plenamente, elevando o HCO3, e o pH retorna a valores próximos do normal (7,33–7,35). Na crônica agudizada, há uma sobreposição: o paciente tem uma doença crônica (DPOC) com compensação renal prévia (HCO3 elevado), mas um evento agudo (exacerbação) piora a ventilação, elevando ainda mais a PaCO2 e reduzindo o pH abaixo de 7,35. No caso apresentado, o HCO3 de 32 mEq/L (elevado) indica cronicidade, e o pH de 7,25 (acidêmico) indica agudização — configurando o quadro crônico agudizado.
Na prática, um paciente com DPOC de 70 anos, tabagista, que apresenta sonolência, confusão mental e dispneia, com gasometria mostrando pH 7,25, PaCO2 80 mmHg e HCO3 32 mEq/L, é o exemplo clássico de exacerbação aguda da DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica crônica agudizada. A confusão mental e a sonolência são manifestações da hipercapnia (encefalopatia hipercápnica), que ocorre com PaCO2 elevada, especialmente em pacientes com hipercapnia crônica que toleram níveis mais altos antes de apresentar sintomas. O tratamento envolve oxigenoterapia controlada, broncodilatadores, corticoides e, se necessário, ventilação não invasiva (VNI), que é comprovadamente benéfica na DPOC exacerbada.
A pegadinha desta questão está na nomenclatura: a banca troca os termos "hipoxêmica" e "hipercápnica" com os tipos I e II. Muitos candidatos confundem e associam Tipo I a hipercápnica ou Tipo II a hipoxêmica. A regra é fixa: Tipo I = hipoxêmica (PaO2 baixa, PaCO2 normal/baixa); Tipo II = hipercápnica (PaCO2 elevada). Além disso, a banca explora a temporalidade: o HCO3 elevado é a chave para identificar a cronicidade, e o pH baixo para identificar a agudização. Guarde a fronteira entre tipo e temporalidade: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Tipo I (hipoxêmica)
Tipo II (hipercápnica)
Crônica agudizada
PaO2 < 60, PaCO2 normal/baixa, HCO3 normal
PaCO2 > 45, HCO3 elevado, pH < 7,35
Aguda
PaO2 < 60, PaCO2 normal/baixa, HCO3 normal
PaCO2 > 45, HCO3 elevado, pH < 7,35
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o quadro é hipoxêmica (Tipo I) aguda. O erro está em classificar como Tipo I, pois a PaCO2 está elevada (80 mmHg), o que define o Tipo II (hipercápnica). Além disso, o HCO3 elevado (32 mEq/L) indica cronicidade, não agudez. A hipoxemia (PaO2 60 mmHg) está presente, mas não é o critério definidor do tipo quando há hipercapnia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o quadro é hipoxêmica (Tipo II) crônica agudizada. O erro está na associação "hipoxêmica" com "Tipo II": o Tipo II é hipercápnico, não hipoxêmico. A PaCO2 elevada (80 mmHg) define o Tipo II, que é hipercápnico. A temporalidade (crônica agudizada) está correta, mas o tipo está errado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o quadro é hipercápnica (Tipo I) aguda. O erro está na associação "hipercápnica" com "Tipo I": o Tipo I é hipoxêmico, não hipercápnico. A PaCO2 elevada (80 mmHg) define o Tipo II. Além disso, o HCO3 elevado (32 mEq/L) indica cronicidade, não agudez.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O quadro é hipercápnica (Tipo II) crônica agudizada. A PaCO2 de 80 mmHg (> 45 mmHg) define o Tipo II (hipercápnica). O HCO3 de 32 mEq/L (elevado) indica compensação renal prévia, caracterizando cronicidade. O pH de 7,25 (< 7,35) indica acidemia, revelando descompensação aguda. Portanto, trata-se de insuficiência respiratória hipercápnica (Tipo II) crônica agudizada, típica de exacerbação da DPOC.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o quadro é associada ao choque (Tipo III). Não há uma classificação "Tipo III" para insuficiência respiratória associada ao choque na classificação clássica. O choque pode causar insuficiência respiratória, mas não é classificado como Tipo III. A classificação padrão é Tipo I (hipoxêmica) e Tipo II (hipercápnica).