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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2025

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg542001
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Intensivista
Um paciente de 40 anos é levado ao setor de emergência com uma crise convulsiva tônico-clônica generalizada que já dura mais de 10 minutos, sem recuperação da consciência. Após garantir a permeabilidade das vias aéreas e a oxigenação, qual é a sequência farmacológica endovenosa de primeira e segunda linha recomendada para o tratamento do estado de mal epiléptico?
  1. AMidazolam, seguido de fenobarbital.
  2. BDiazepam, seguido de fenitoína.
  3. CDiazepam, seguido de tiopental.
  4. DFenitoína, seguida de lorazepam.
  5. EPropofol, seguido de midazolam.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Diazepam, seguido de fenitoína.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estado de mal epiléptico: sequência farmacológica de primeira e segunda linha

Gabarito: letra B. No estado de mal epiléptico convulsivo (EMEC), a primeira linha é um benzodiazepínico — diazepam ou lorazepam — e a segunda linha é um anticonvulsivante de manutenção, sendo a fenitoína a escolha clássica. A alternativa B (diazepam seguido de fenitoína) espelha exatamente essa sequência, conforme o fluxo de tratamento do EMEC descrito na literatura de emergência.

O estado de mal epiléptico (EME) é definido como uma crise convulsiva que se prolonga além do tempo em que normalmente cessaria, ou crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas. No EMEC, o tempo T1 (que define o início do tratamento) é de 5 minutos — ou seja, uma crise tônico-clônica generalizada com duração superior a 5 minutos já configura EME iminente e exige intervenção imediata. O objetivo do tratamento é duplo: cessar a crise atual e prevenir a recorrência, pois quanto maior o tempo até o controle, maior o risco de lesão neuronal.

A abordagem farmacológica segue uma sequência escalonada. A primeira linha é sempre um benzodiazepínico de ação rápida, que age potencializando o GABA, o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central. Diazepam (10 mg EV) e lorazepam (0,1 mg/kg EV) são as opções mais utilizadas; o midazolam (10 mg IM) é a alternativa quando não há acesso venoso. A segunda linha entra quando a crise persiste após o benzodiazepínico, e consiste em um anticonvulsivante de longa duração, como fenitoína (15-20 mg/kg), levetiracetam ou ácido valproico. A fenitoína é a droga clássica de segunda linha, sendo altamente recomendada após o diazepam devido à alta taxa de recorrência de crises quando usada isoladamente.

A terceira linha, para o EME refratário, envolve anestésicos intravenosos em infusão contínua, como midazolam, propofol ou tiopental, geralmente com monitorização por EEG. O tiopental, por exemplo, é reservado para casos graves pela maior morbidade associada ao seu uso prolongado. É importante distinguir essa sequência do tratamento de manutenção da epilepsia crônica, que segue outra lógica (carbamazepina, valproato etc. conforme o tipo de crise).

A pegadinha desta questão está em confundir a sequência do EMEC com outras situações: usar midazolam como primeira linha quando há acesso venoso (ele é a opção IM), usar tiopental ou propofol como segunda linha (são terceira linha), ou inverter a ordem colocando fenitoína antes do benzodiazepínico. A banca explora exatamente essa confusão entre as etapas do tratamento.

Guarde a sequência: benzodiazepínico (1ª linha) → anticonvulsivante de manutenção (2ª linha) → anestésico em infusão contínua (3ª linha). É esse escalonamento que separa as alternativas corretas das incorretas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Midazolam seguido de fenobarbital. O midazolam é um benzodiazepínico, mas sua via de escolha no EMEC é intramuscular (10 mg IM), sendo a primeira opção apenas quando não há acesso venoso. Com acesso venoso disponível (como no enunciado), a primeira linha é diazepam ou lorazepam EV. Além disso, o fenobarbital não é a segunda linha padrão — a fenitoína, o levetiracetam ou o valproato são as opções preferenciais.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Diazepam seguido de fenitoína. Esta é a sequência clássica e correta: o diazepam (10 mg EV) é o benzodiazepínico de primeira linha para cessar a crise, e a fenitoína (15-20 mg/kg) é a segunda linha para prevenir a recorrência. A literatura recomenda fortemente o uso de fenitoína após o diazepam devido à alta taxa de recorrência de crises quando o benzodiazepínico é usado isoladamente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diazepam seguido de tiopental. O diazepam como primeira linha está correto, mas o tiopental é um anestésico barbitúrico reservado para o EME refratário (terceira linha), não para a segunda linha. Seu uso é limitado pela maior morbidade associada, incluindo risco de infecções, tempo prolongado de ventilação mecânica e cardiotoxicidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Fenitoína seguida de lorazepam. Inverte a ordem correta: a fenitoína é a segunda linha, não a primeira. O benzodiazepínico (lorazepam ou diazepam) deve vir primeiro para cessar a crise rapidamente, e a fenitoína entra em seguida para manter o controle. Começar com fenitoína atrasa o controle da crise, aumentando o risco de lesão neuronal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Propofol seguido de midazolam. Ambos são drogas de terceira linha (anestésicos/sedativos em infusão contínua) para o EME refratário, não para a primeira e segunda linha. O propofol pode até ser usado como primeira linha em algumas situações de EME refratário, mas não é a sequência inicial recomendada. O midazolam, quando usado, é a opção IM de primeira linha sem acesso venoso, não após o propofol.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as etapas do tratamento. O candidato que decora apenas "benzodiazepínico + anticonvulsivante" pode cair na alternativa A (midazolam + fenobarbital), mas esquece que o midazolam é a opção IM para quando não há acesso venoso — e o enunciado garante que o acesso foi estabelecido. A alternativa C (diazepam + tiopental) também engana: o tiopental é terceira linha, não segunda. A chave é lembrar que a segunda linha é um anticonvulsivante de manutenção (fenitoína, levetiracetam, valproato), não um anestésico.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar a sequência do EMEC, memorize o escalonamento: 1ª linha = benzodiazepínico (diazepam/lorazepam EV, ou midazolam IM sem acesso venoso); 2ª linha = anticonvulsivante de manutenção (fenitoína, levetiracetam, valproato); 3ª linha = anestésico em infusão contínua (midazolam, propofol, tiopental, pentobarbital). Na prova, identifique primeiro se há acesso venoso — isso decide entre diazepam/lorazepam e midazolam.

Gabarito: letra B

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