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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2025

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg542003
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Intensivista
Paciente com síndrome do desconforto respiratório agudo grave (relação PaO2/FiO2 < 100) é colocado em posição prona e, após 1 hora, a oxigenação melhora significativamente. Qual dos seguintes mecanismos fisiológicos é o principal responsável pela melhora da hipoxemia observada com a manobra?
  1. AAumento da capacidade residual funcional (CRF) pela anteriorização do conteúdo abdominal.
  2. BRedução do shunt através da redistribuição da ventilação para áreas dorsais.
  3. CDiminuição da pressão pleural.
  4. DMelhora da depuração de secreções brônquicas.
  5. EAumento do débito cardíaco devido à redução da pós-carga do ventrículo direito.
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GabaritoB — Redução do shunt através da redistribuição da ventilação para áreas dorsais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Posição prona na SDRA: mecanismo de melhora da oxigenação

Gabarito: letra B. A melhora da hipoxemia na posição prona decorre, principalmente, da redução do shunt intrapulmonar pela redistribuição da ventilação para as regiões dorsais do pulmão, que são as áreas mais bem perfundidas. Esse mecanismo é o que melhor explica a resposta clínica descrita no enunciado, sendo a base fisiológica da manobra.

A síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) é o protótipo do shunt intrapulmonar direita-esquerda: o sangue perfunde alvéolos colapsados ou preenchidos por fluido e material inflamatório, retornando ao átrio esquerdo sem ser oxigenado. Na posição supina, as regiões dorsais do pulmão — que são as mais perfundidas pela gravidade — ficam comprimidas pelo peso do coração e do conteúdo abdominal, favorecendo o colapso alveolar (atelectasias) e o fechamento cíclico das vias aéreas. Isso concentra o shunt exatamente nas áreas de maior fluxo sanguíneo, gerando hipoxemia grave e refratária.

Ao virar o paciente para a posição prona, ocorre uma redistribuição da ventilação: as regiões dorsais, que antes estavam comprimidas, passam a ser ventiladas de forma mais homogênea, enquanto as regiões ventrais ficam menos sujeitas à hiperdistensão. Como a perfusão pulmonar é apenas minimamente influenciada pela mudança de posição, o que muda é o encontro entre ventilação e perfusão — ou seja, melhora a relação ventilação/perfusão (V/Q) e há recrutamento de alvéolos dependentes, desfazendo áreas de shunt. Esse é o mecanismo central: a prona não aumenta a CRF pela anteriorização do conteúdo abdominal (na verdade, o conteúdo abdominal se apoia no leito, mas o efeito principal não é esse), não diminui a pressão pleural de forma relevante, não tem como objetivo primário a depuração de secreções e não age aumentando o débito cardíaco.

A evidência clínica mais robusta desse benefício veio do estudo PROSEVA (2013), que demonstrou redução de mortalidade em pacientes com SDRA moderada a grave submetidos a sessões de prona por 16 horas. As diretrizes atuais recomendam a posição prona por mais de 12 horas em SDRA grave (PaO2/FiO2 < 150), exatamente pelo mecanismo fisiológico descrito: homogeneização do infiltrado, redução do stress/strain pulmonar e melhora da adequação ventilação-perfusão, sem submeter os pulmões a pressões elevadas.

A pegadinha desta questão está em distinguir o efeito fisiológico primário da prona (redistribuição da ventilação com redução do shunt) de efeitos secundários ou incorretos. A alternativa A menciona o aumento da CRF pela anteriorização do conteúdo abdominal — mas na prona o conteúdo abdominal se apoia no leito, e o ganho de CRF não é o mecanismo principal. A alternativa C (diminuição da pressão pleural) é um efeito indireto e não específico. A alternativa D (depuração de secreções) é um benefício potencial, mas não o mecanismo principal da melhora aguda da oxigenação. A alternativa E (aumento do débito cardíaco) não é um efeito da prona — na verdade, a prona pode até melhorar a hemodinâmica em casos de cor pulmonale agudo, mas não por aumento do débito cardíaco.

Guarde a fronteira entre redistribuição da ventilação (mecanismo principal) e os demais efeitos (melhora da CRF, depuração de secreções, hemodinâmica) — é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Posição prona na SDRA
  • 1Mecanismo principal
    • Redistribuição da ventilação
      • Áreas dorsais (mais perfundidas)
      • Recrutamento alveolar
      • Reduz shunt intrapulmonar
  • 2Efeitos secundários
    • Melhora da CRF (não é o principal)
    • Depuração de secreções
    • Hemodinâmica (cor pulmonale)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o aumento da CRF ocorre pela anteriorização do conteúdo abdominal. Na posição prona, o conteúdo abdominal se apoia no leito, e o ganho de CRF não é o mecanismo principal da melhora da oxigenação. O que melhora é a ventilação das regiões dorsais, que antes estavam colapsadas.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A redistribuição da ventilação para as áreas dorsais reduz o shunt intrapulmonar, pois essas regiões são as mais perfundidas e passam a ser ventiladas. Esse é o mecanismo fisiológico central da melhora da hipoxemia na posição prona.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A diminuição da pressão pleural não é o mecanismo principal. A prona pode reduzir a pressão pleural nas regiões dependentes, mas o efeito decisivo é a redistribuição da ventilação com recrutamento alveolar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A melhora da depuração de secreções brônquicas é um benefício potencial da prona, mas não explica a melhora aguda e significativa da oxigenação descrita no enunciado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A prona não aumenta o débito cardíaco por redução da pós-carga do ventrículo direito. Na verdade, a prona pode melhorar a hemodinâmica em casos de cor pulmonale agudo, mas por outro mecanismo (redução da compressão cardíaca), não por aumento do débito cardíaco.

Gabarito: letra B

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