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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg542053
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Neurocirurgião
Assinale a alternativa correta sobre o uso de métodos não invasivos de monitorização neurológica no traumatismo cranioencefálico.
  1. AO diâmetro da bainha do nervo óptico estima a pressão intracraniana.
  2. BTomografia de crânio tem alta sensibilidade como preditor de hipertensão intracraniana.
  3. CUltrassonografia cerebral não detecta hematoma subdural.
  4. DDoppler transcraniano não tem utilidade nesse contexto.
  5. ETonometria tem alta sensibilidade e especificidade como preditor de hipertensão intracraniana.
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GabaritoA — O diâmetro da bainha do nervo óptico estima a pressão intracraniana.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Monitorização neurológica não invasiva no TCE

Gabarito: letra A. O diâmetro da bainha do nervo óptico (BNO) é um método não invasivo que estima a pressão intracraniana (PIC), pois a bainha do nervo óptico é uma extensão das meninges e contém líquido cefalorraquidiano, sendo suscetível às mesmas variações de pressão do compartimento intracraniano. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a acurácia e a utilidade dos métodos não invasivos, conforme discutido abaixo.

A monitorização da pressão intracraniana (PIC) é fundamental no traumatismo cranioencefálico (TCE) grave, pois a hipertensão intracraniana (HIC) é uma complicação que agrava a lesão cerebral secundária. O padrão-ouro para o diagnóstico de HIC é a monitorização invasiva, mas ela não é indicada para todos os pacientes e pode causar complicações como hemorragia e infecção. Por isso, métodos não invasivos são utilizados como ferramentas complementares, especialmente para triagem e decisão sobre a necessidade de monitorização invasiva.

O ultrassom da bainha do nervo óptico (BNO) é um desses métodos. O nervo óptico é uma extensão do diencéfalo, e sua bainha, derivada das três camadas da meninge, contém um espaço preenchido por líquido cefalorraquidiano (LCR). Esse espaço é distensível e reflete as mudanças de pressão do compartimento intracraniano. Assim, quando a PIC aumenta, a bainha do nervo óptico se distende, e o diâmetro medido pela ultrassonografia aumenta. Valores acima de 5,7 mm são habitualmente considerados alterados, com maior especificidade se > 6 mm. É um exame barato, rápido e de fácil aprendizado, mas é operador-dependente e não substitui a monitorização invasiva.

A tomografia computadorizada (TC) de crânio é um exame de imagem que auxilia na determinação etiológica da HIC, avaliando achados como efeito de massa, desvio de linha média, edema cerebral, hidrocefalia, compressão das cisternas basais e herniações. No entanto, a TC não tem alta sensibilidade como preditor de HIC. Os achados tomográficos com maior correlação com HIC são o apagamento das cisternas basais e o desvio de linha média maior que 10 mm, mas a ausência desses achados não exclui a HIC. Metanálises demonstraram que a TC, assim como o exame físico, não é suficientemente sensível para detecção de PIC elevada quando usada isoladamente.

O Doppler transcraniano (DTC) é outro método não invasivo que avalia a velocidade de fluxo sanguíneo cerebral. No TCE grave, o DTC, em associação com outras medidas de perfusão cerebral, permite identificar hiperemia cerebral ou vasoespasmo. A elevação progressiva da PIC também pode ser identificada a partir da mudança no padrão da curva de fluxo. No entanto, a avaliação isolada das velocidades de fluxo e do índice de pulsatilidade apresenta baixa acurácia e não é recomendada para o diagnóstico de HIC. O DTC não pode ser utilizado em substituição à monitorização contínua da PIC, pois fatores como autorregulação do fluxo cerebral, vasoespasmo ou estenose proximal de carótida podem alterar as medidas independentemente do valor da PIC.

A tonometria, por sua vez, é um método utilizado para medir a pressão intraocular, não tendo papel estabelecido como preditor de hipertensão intracraniana. Não há evidência de que a tonometria tenha alta sensibilidade e especificidade para esse fim. A ultrassonografia cerebral, por outro lado, pode detectar hematoma subdural, sendo um método útil na avaliação de pacientes com TCE, especialmente em situações de emergência.

A pegadinha desta questão está em atribuir alta sensibilidade a métodos que, na prática, são complementares e não substituem a monitorização invasiva. A banca explora a confusão entre o papel de cada método: a TC é excelente para diagnóstico etiológico, mas não é um preditor sensível de HIC; o DTC é útil para avaliar vasoespasmo e hiperemia, mas não para diagnosticar HIC isoladamente; e a tonometria não tem utilidade comprovada nesse contexto. A BNO, por sua vez, é um método que estima a PIC de forma não invasiva, sendo uma ferramenta útil para triagem e decisão sobre a monitorização invasiva.

1Bainha do nervo óptico (BNO)
Estima a PIC
Útil para triagem
Não substitui monitorização invasiva
2Tomografia (TC)
Diagnóstico etiológico
Não é preditor sensível de HIC
3Doppler transcraniano
Identifica vasoespasmo/hiperemia
Baixa acurácia isolado p/ HIC
4Ultrassonografia cerebral
Detecta hematoma subdural
5Tonometria
Sem papel na avaliação da PIC
Métodos não invasivos no TCE
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Métodos não invasivos no TCE: Bainha do nervo óptico (BNO) (Estima a PIC, Útil para triagem, Não substitui monitorização invasiva); Tomografia (TC) (Diagnóstico etiológico, Não é preditor sensível de HIC); Doppler transcraniano (Identifica vasoespasmo/hiperemia, Baixa acurácia isolado p/ HIC); Ultrassonografia cerebral (Detecta hematoma subdural); Tonometria (Sem papel na avaliação da PIC)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O diâmetro da bainha do nervo óptico (BNO) estima a pressão intracraniana (PIC). A bainha do nervo óptico é uma extensão das meninges e contém LCR, sendo distensível no contexto de aumento da PIC. A ultrassonografia da BNO é um método não invasivo, barato e rápido, que mede o diâmetro da bainha 3 mm após a saída do nervo óptico. Valores > 5,7 mm são habitualmente considerados alterados, com maior especificidade se > 6 mm. É uma ferramenta útil para triagem e para auxiliar na decisão de monitorização invasiva, embora não a substitua.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A tomografia de crânio não tem alta sensibilidade como preditor de hipertensão intracraniana. Embora a TC seja excelente para diagnóstico etiológico, avaliando achados como desvio de linha média, compressão de cisternas basais e efeito de massa, metanálises demonstraram que não é suficientemente sensível para detecção de PIC elevada quando usada isoladamente. A ausência de achados tomográficos não exclui a HIC.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ultrassonografia cerebral pode detectar hematoma subdural. O ultrassom é um método de imagem que pode identificar coleções intracranianas, incluindo hematomas subdurais, especialmente em situações de emergência. A afirmação de que não detecta hematoma subdural é incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O Doppler transcraniano tem utilidade no contexto do TCE. Ele é útil para identificar hiperemia cerebral ou vasoespasmo, e a elevação progressiva da PIC pode ser identificada a partir da mudança no padrão da curva de fluxo. No entanto, a avaliação isolada das velocidades de fluxo e do índice de pulsatilidade apresenta baixa acurácia para o diagnóstico de HIC, e o DTC não substitui a monitorização invasiva.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A tonometria não tem alta sensibilidade e especificidade como preditor de hipertensão intracraniana. A tonometria é um método utilizado para medir a pressão intraocular, não tendo papel estabelecido na avaliação da PIC. Não há evidência de que seja um preditor útil de HIC.

Gabarito: letra A

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