Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2025
Medicina›Neurologia
Código
qg542058
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Neurocirurgião
Qual dos seguintes itens está relacionado a maior taxa de sucesso em terceiro ventriculostomia endoscópica em crianças com hidrocefalia?
AEstenose de aqueduto.
BNeonato.
CRealização de derivação ventrículo-peritoneal prévia.
DAlteração de marcha.
EEtiologia pós-infecciosa.
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GabaritoA — Estenose de aqueduto.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Terceiro ventriculostomia endoscópica (ETV) em crianças: fatores preditores de sucesso
Gabarito: letra A. A estenose de aqueduto é o fator isolado mais fortemente associado a maior taxa de sucesso da terceiro ventriculostomia endoscópica (ETV) em crianças com hidrocefalia, pois representa hidrocefalia obstrutiva (não comunicante), na qual a ETV cria uma via alternativa de drenagem do líquor, contornando a obstrução. Essa é a indicação clássica e com melhores resultados do procedimento, conforme a literatura neurocirúrgica pediátrica.
A terceiro ventriculostomia endoscópica (ETV) é um procedimento neurocirúrgico minimamente invasivo no qual se cria uma abertura no assoalho do terceiro ventrículo, permitindo que o líquido cefalorraquidiano (LCR) flua diretamente para as cisternas basais, contornando uma obstrução ao seu fluxo normal. O princípio é simples: se a hidrocefalia é causada por um bloqueio (obstrutiva/não comunicante), a ETV cria um "desvio interno" que restabelece a circulação do LCR, sem necessidade de implante de derivação (shunt).
O sucesso da ETV depende criticamente da etiologia da hidrocefalia. A lógica é que a ETV só funciona se houver um ponto de obstrução proximal que possa ser contornado e se as vias de absorção do LCR (as granulações aracnoides) estiverem funcionantes. Por isso, as hidrocefalias obstrutivas — como a estenose de aqueduto — têm excelente resposta, enquanto as hidrocefalias comunicantes (onde o problema é a absorção, não o fluxo) ou as pós-infecciosas (que frequentemente cursam com obstrução das cisternas basais e comprometimento da absorção) têm taxas de sucesso muito menores.
Na prática, imagine uma criança com hidrocefalia por estenose de aqueduto: o LCR é produzido nos ventrículos laterais, mas não consegue passar pelo aqueduto cerebral (um canal estreito que conecta o terceiro ao quarto ventrículo). A ETV abre o assoalho do terceiro ventrículo, permitindo que o LCR escape diretamente para as cisternas basais, onde será absorvido. O resultado é a resolução da hidrocefalia sem shunt. Já em um neonato com hidrocefalia pós-hemorrágica ou pós-infecciosa, as cisternas basais frequentemente estão obstruídas ou a absorção está comprometida — a ETV não resolve, pois o LCR não tem para onde ir.
A literatura pediátrica consolidou um escore prognóstico (o ETV Success Score) que pondera exatamente esses fatores: idade, etiologia e história de derivação prévia. A estenose de aqueduto é o fator de melhor prognóstico; idade menor que 6 meses, etiologia pós-infecciosa e derivação ventrículo-peritoneal prévia são fatores de pior prognóstico. É exatamente essa hierarquia que a questão explora.
Guarde a fronteira decisiva: hidrocefalia obstrutiva (estenose de aqueduto) = melhor candidato à ETV; hidrocefalia comunicante, pós-infecciosa e idade neonatal = piores candidatos. É nessa distinção que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A estenose de aqueduto é a causa clássica de hidrocefalia obstrutiva (não comunicante) e o melhor preditor de sucesso da ETV. Como o bloqueio está no aqueduto cerebral, a ventriculostomia do terceiro ventrículo cria uma via alternativa de drenagem do LCR para as cisternas basais, contornando a obstrução. É a indicação com maior taxa de sucesso em crianças, sendo considerada o padrão-ouro de indicação do procedimento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Neonatos (especialmente menores de 6 meses) têm pior prognóstico para ETV. As causas de hidrocefalia nessa faixa etária são frequentemente pós-hemorrágicas ou pós-infecciosas, que cursam com comprometimento das cisternas basais e da absorção do LCR — exatamente o oposto do que a ETV consegue corrigir. A idade neonatal é fator de risco para falha do procedimento, não de sucesso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A realização de derivação ventrículo-peritoneal (DVP) prévia é fator de pior prognóstico para ETV. A DVP prévia está associada a maior risco de infecção, obstrução e formação de cicatrizes nas cisternas basais, além de indicar que a hidrocefalia pode não ser puramente obstrutiva. A literatura mostra que pacientes com DVP prévia têm taxas de sucesso da ETV significativamente menores.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Alteração de marcha é um sintoma clínico de hidrocefalia (especialmente em crianças maiores e adultos), mas não é um fator preditor de sucesso da ETV. O que determina o sucesso é a etiologia da hidrocefalia e a idade do paciente, não a apresentação clínica. A marcha pode melhorar após qualquer tratamento eficaz da hidrocefalia, mas não influencia a escolha ou o prognóstico da ETV.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A etiologia pós-infecciosa é fator de pior prognóstico para ETV. Infecções do SNC (como meningite) frequentemente causam obstrução das cisternas basais e comprometimento das granulações aracnoides, ou seja, a hidrocefalia resultante é comunicante ou mista, com falha na absorção do LCR. Nesses casos, a ETV tem baixa taxa de sucesso, sendo preferível a DVP.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre hidrocefalia obstrutiva e comunicante. O candidato que sabe que a ETV é para hidrocefalia obstrutiva acerta; o que associa ETV a "qualquer hidrocefalia" tende a errar. A estenose de aqueduto é o exemplo clássico de obstrução — e é exatamente o que a alternativa A traz. As demais alternativas (neonato, DVP prévia, pós-infecciosa) são fatores de pior prognóstico, invertendo a lógica da pergunta.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de ETV, memorize a hierarquia de fatores prognósticos: melhor = estenose de aqueduto, idade > 6 meses, sem DVP prévia; pior = pós-infecciosa, pós-hemorrágica, idade neonatal, DVP prévia. Se a alternativa trouxer um fator de pior prognóstico, ela está incorreta quando a pergunta pede o de melhor.