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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg542059
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Neurocirurgião
Paciente masculino, 40 anos, sem comorbidades conhecidas, é encaminhado para o serviço de emergência devido à cefaleia, a crises convulsivas e à fraqueza em dimídio direito de início há uma semana. Apresenta uma ressonância de crânio mostrando lesões em gânglios da base com realce pelo contraste e edema perilesional, podendo ocorrer em várias etiologias. Devido à dificuldade para se estabelecer a causa desses achados, foi realizada biópsia, a qual mostrou múltiplos taquizoítos. Diante do exposto, qual seria a conduta correta nesse caso?
  1. ARadioterapia.
  2. BAnfotericina B e depois itraconazol.
  3. CMetilprednisolona 1 g EV por 5 dias.
  4. DCeftriaxona e metronidazol.
  5. EPirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico.
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GabaritoE — Pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Toxoplasmose cerebral: diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra E. O quadro clínico (cefaleia, crises convulsivas, déficit focal), os achados de imagem (lesões nos gânglios da base com realce anelar e edema perilesional) e, sobretudo, a biópsia mostrando múltiplos taquizoítos fecham o diagnóstico de toxoplasmose cerebral, cujo tratamento de primeira linha é a associação de pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico — exatamente o que traz a alternativa E. As demais opções tratam outras etiologias que podem mimetizar o quadro (linfoma, neurocriptococose, neurotuberculose, abscesso bacteriano), mas nenhuma delas é a conduta correta diante da confirmação histológica de toxoplasmose.

A toxoplasmose cerebral é a infecção oportunista mais comum do sistema nervoso central em pacientes com AIDS, mas também pode ocorrer em outros imunossuprimidos. O agente é o protozoário Toxoplasma gondii, que, na fase aguda da infecção, apresenta-se na forma de taquizoítos — estruturas que se multiplicam rapidamente e causam necrose e inflamação. A reativação de cistos latentes em pacientes imunocomprometidos leva à formação de abscessos cerebrais múltiplos, tipicamente localizados nos gânglios da base, na junção corticomedular e na substância branca profunda. Na ressonância magnética, essas lesões costumam mostrar realce anelar pelo contraste e edema perilesional, achados que, embora sugestivos, não são patognomônicos — daí a necessidade de biópsia em casos de dúvida diagnóstica, como no paciente do enunciado.

O tratamento da toxoplasmose cerebral baseia-se na combinação de drogas que atuam em diferentes vias metabólicas do parasita. A pirimetamina inibe a diidrofolato redutase, enquanto a sulfadiazina inibe a diidropteroato sintase — juntas, bloqueiam a síntese de ácido fólico do protozoário. O ácido folínico (leucovorina) é adicionado para prevenir a mielossupressão causada pela pirimetamina, que também afeta o metabolismo do folato humano. Essa tríade é o esquema clássico de primeira linha, com duração usual de 6 semanas na fase aguda, seguida de terapia de manutenção (profilaxia secundária) em pacientes imunossuprimidos.

A banca explora aqui a dificuldade de diferenciar a toxoplasmose cerebral de outras lesões expansivas do SNC em imunossuprimidos. O diagnóstico diferencial inclui linfoma primário do SNC, neurocriptococose, neurotuberculose, abscesso bacteriano e, em áreas endêmicas, neurocisticercose. Cada uma dessas entidades tem um tratamento específico, e é exatamente isso que as alternativas incorretas representam: a radioterapia (alternativa A) é usada no linfoma do SNC; a anfotericina B seguida de itraconazol (alternativa B) trata a neurocriptococose; a metilprednisolona (alternativa C) é usada em doenças inflamatórias/desmielinizantes; e a ceftriaxona com metronidazol (alternativa D) trata abscessos bacterianos. O achado de taquizoítos na biópsia, porém, é definitivo para toxoplasmose, tornando a alternativa E a única conduta correta.

Guarde a associação entre o agente etiológico e o tratamento: taquizoítos → toxoplasmose → pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico. É essa tríade que separa a alternativa correta das demais, que tratam outras causas de lesões cerebrais com realce e edema.

1Agente: Toxoplasma gondii
Taquizoítos (fase aguda)
Cistos latentes (reativação)
2Achados de imagem
Gânglios da base
Realce anelar
Edema perilesional
3Tratamento de 1ª linha
Pirimetamina
Sulfadiazina
Ácido folínico
4Diagnóstico diferencial
Linfoma do SNC → radioterapia
Neurocriptococose → anfotericina B + itraconazol
Abscesso bacteriano → ceftriaxona + metronidazol
Toxoplasmose cerebral
LEVELsoulevel.com.br
Toxoplasmose cerebral: Agente: Toxoplasma gondii (Taquizoítos (fase aguda), Cistos latentes (reativação)); Achados de imagem (Gânglios da base, Realce anelar, Edema perilesional); Tratamento de 1ª linha (Pirimetamina, Sulfadiazina, Ácido folínico); Diagnóstico diferencial (Linfoma do SNC → radioterapia, Neurocriptococose → anfotericina B + itraconazol, Abscesso bacteriano → ceftriaxona + metronidazol)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A radioterapia é o tratamento de escolha para o linfoma primário do sistema nervoso central, que também pode se apresentar com lesões cerebrais múltiplas com realce e edema em pacientes imunossuprimidos. No entanto, a biópsia mostrando taquizoítos exclui o linfoma e confirma toxoplasmose, para a qual a radioterapia não tem papel. A confusão aqui é entre duas causas comuns de lesões cerebrais em AIDS, mas o diagnóstico histológico resolve a questão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A associação de anfotericina B seguida de itraconazol é o tratamento da neurocriptococose, causada pelo fungo Cryptococcus neoformans. Embora a criptococose também ocorra em imunossuprimidos e possa causar lesões cerebrais, o quadro típico é de meningite subaguda com cefaleia e febre, e a biópsia mostraria leveduras, não taquizoítos. A presença de taquizoítos aponta inequivocamente para toxoplasmose, não para infecção fúngica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A metilprednisolona em altas doses é usada no tratamento de doenças inflamatórias e desmielinizantes do SNC, como esclerose múltipla e encefalomielite aguda disseminada. No caso de uma infecção oportunista como a toxoplasmose, o uso de corticoide sem cobertura antiparasitária seria inadequado e potencialmente prejudicial, pois poderia piorar a imunossupressão. O diagnóstico de toxoplasmose exige tratamento antiparasitário específico, não anti-inflamatório.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A combinação de ceftriaxona e metronidazol é o esquema empírico para abscesso cerebral bacteriano, que também pode causar lesões com realce anelar e edema. No entanto, a biópsia mostrando taquizoítos descarta a etiologia bacteriana e confirma a toxoplasmose. O tratamento antibiótico não teria efeito sobre o protozoário Toxoplasma gondii, sendo, portanto, incorreto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A associação de pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico é o tratamento de primeira linha da toxoplasmose cerebral. A pirimetamina e a sulfadiazina agem sinergicamente bloqueando a síntese de ácido fólico do parasita, enquanto o ácido folínico previne a toxicidade hematológica da pirimetamina no paciente. O diagnóstico foi confirmado pela biópsia com taquizoítos, tornando esta a conduta correta e específica para o caso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca apresenta alternativas que tratam outras causas de lesões cerebrais com realce e edema em imunossuprimidos (linfoma, criptococose, abscesso bacteriano), explorando a dificuldade do diagnóstico diferencial. O candidato que não associa o achado histológico de taquizoítos à toxoplasmose pode se perder. A chave é: taquizoítos = toxoplasmose = pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico.

Gabarito: letra E

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