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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg542065
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Neurocirurgião
A eletroneuromiografia é frequentemente solicitada por neurocirurgiões para diagnóstico e melhor caracterização de lesões em sistema nervoso periférico. A respeito desse exame complementar, assinale a alternativa correta.
  1. AUm exame mostrando lesão pré-ganglionar é sugestivo de plexopatia.
  2. BA diferenciação entre neuropraxia e axonotmese já é possível na realização do exame imediatamente após o trauma de nervo periférico.
  3. CÉ o exame de escolha em casos de mielopatia.
  4. DA ausência de reinervação após 3 meses do trauma fechado com lesão em nervo periférico indica necessidade de avaliação para abordagem cirúrgica.
  5. EEm casos de dor em membros inferiores, esse exame auxilia no diagnóstico de polineuropatia de fibras finas.
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GabaritoD — A ausência de reinervação após 3 meses do trauma fechado com lesão em nervo periférico indica necessidade de avaliação para abordagem cirúrgica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Eletroneuromiografia: aplicações e limitações

Gabarito: letra D. A ausência de sinais de reinervação após cerca de 3 meses de um trauma fechado com lesão de nervo periférico é um critério clássico para indicar avaliação cirúrgica, pois sugere que a regeneração espontânea não está ocorrendo de forma adequada. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a eletroneuromiografia (ENMG), que é um exame voltado ao sistema nervoso periférico (nervos, junção mioneural e músculos), e não ao sistema nervoso central.

A eletroneuromiografia é um exame que estuda a unidade motora, desde a saída do nervo da medula ou do cérebro até o músculo. Ela é dividida em duas partes: a neurocondução (sensorial e motora), que avalia a velocidade de condução e a amplitude dos potenciais de ação, e a miografia, que estuda a atividade elétrica do músculo em repouso e durante a contração, por meio de eletrodo de agulha. O exame é uma extensão do exame físico e tem como objetivo confirmar a suspeita diagnóstica de doenças da unidade motora, como neuropatias, miopatias e doenças da junção mioneural.

Um ponto crucial é o momento ideal para a realização do exame. Devido aos mecanismos fisiológicos de degeneração e regeneração dos nervos, a ENMG não deve ser solicitada imediatamente após o trauma. Em geral, pede-se o exame após 2 ou 3 semanas do início dos sintomas, pois é nesse intervalo que os sinais de denervação começam a aparecer. Existem exceções, como na paralisia facial periférica e na síndrome de Guillain-Barré, em que a ENMG pode ser feita antes. Essa temporalidade é essencial para entender por que a alternativa B está errada: imediatamente após o trauma, ainda não há sinais eletrofisiológicos que permitam diferenciar neuropraxia de axonotmese.

Outro ponto importante é a distinção entre lesões pré e pós-ganglionares. A ENMG avalia o nervo periférico, ou seja, a porção pós-ganglionar. Quando a lesão é pré-ganglionar (como na avulsão radicular), o exame pode mostrar ausência de resposta, mas não é sugestivo de plexopatia — na verdade, a plexopatia é uma lesão pós-ganglionar. Essa confusão entre os níveis de lesão é uma armadilha clássica da banca.

A ENMG também não é o exame de escolha para mielopatias, que são lesões da medula espinhal (sistema nervoso central). Para essas, a ressonância magnética é o exame de imagem mais indicado. A ENMG pode auxiliar no diagnóstico de neuropatias periféricas, mas não é o método de escolha para avaliar a medula.

Por fim, a ENMG tem limitações no diagnóstico de polineuropatia de fibras finas. As fibras finas (amielínicas e pouco mielinizadas) não são adequadamente avaliadas pela neurocondução convencional, que estuda principalmente as fibras grossas mielinizadas. Para o diagnóstico de polineuropatia de fibras finas, a biópsia de pele com contagem de fibras intraepidérmicas é o método mais sensível.

Guarde a fronteira entre o que a ENMG avalia (nervo periférico, junção mioneural e músculo) e o que ela não avalia (sistema nervoso central e fibras finas): é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Critério

ENMG (Eletroneuromiografia)

Exame de escolha em outras situações

Sistema avaliado

Nervo periférico, junção mioneural e músculo

Sistema nervoso central (medula)

Mielopatia

Não é o exame de escolha

Ressonância magnética

Polineuropatia de fibras finas

Não avalia adequadamente (fibras finas)

Biópsia de pele com contagem de fibras intraepidérmicas

Momento ideal pós-trauma

Após 2–3 semanas (sinais de denervação)

—

Diferenciação neuropraxia × axonotmese

Possível apenas após 2–3 semanas (não imediatamente)

—

Lesão pré-ganglionar (avulsão radicular)

Não é sugestiva de plexopatia (plexopatia é pós-ganglionar)

—

Ausência de reinervação após 3 meses (trauma fechado)

Indica avaliação para abordagem cirúrgica

—

Alternativa A — ❌ Incorreta

A lesão pré-ganglionar (avulsão radicular) não é sugestiva de plexopatia. A plexopatia é uma lesão do plexo nervoso, que é uma estrutura pós-ganglionar. Na lesão pré-ganglionar, a ENMG pode mostrar ausência de potencial de ação sensitivo (pois o corpo celular do neurônio sensitivo está no gânglio da raiz dorsal, que fica proximal à lesão), mas isso não caracteriza plexopatia. A banca troca o nível da lesão: pré-ganglionar (raiz) com pós-ganglionar (plexo).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Imediatamente após o trauma, a ENMG não consegue diferenciar neuropraxia de axonotmese. Isso porque os sinais de denervação (fibrilações e ondas positivas) levam de 2 a 3 semanas para aparecer após a lesão axonal. A neuropraxia (lesão desmielinizante) e a axonotmese (lesão axonal) têm padrões eletrofisiológicos distintos, mas esses padrões só se manifestam após o período de degeneração walleriana. A banca explora a falta de conhecimento sobre o tempo ideal para a realização do exame.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ENMG não é o exame de escolha em casos de mielopatia. Mielopatia é uma lesão da medula espinhal (sistema nervoso central), e a ENMG avalia o sistema nervoso periférico. Para mielopatias, o exame de escolha é a ressonância magnética, que permite visualizar diretamente a medula e as estruturas adjacentes. A banca troca o exame de escolha para lesão medular (RNM) pela ENMG.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ausência de reinervação após 3 meses de um trauma fechado com lesão de nervo periférico indica necessidade de avaliação para abordagem cirúrgica. Isso porque, em lesões fechadas, a regeneração espontânea pode ocorrer, mas se após 3 meses não há sinais de reinervação (como potenciais de unidade motora nascentes na eletromiografia), a probabilidade de recuperação espontânea diminui, e a intervenção cirúrgica (neurólise, sutura ou enxerto) deve ser considerada. A banca cobra o conhecimento do tempo de espera antes de indicar cirurgia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A ENMG não é o exame ideal para o diagnóstico de polineuropatia de fibras finas. As fibras finas (amielínicas e pouco mielinizadas) não são adequadamente avaliadas pela neurocondução convencional, que estuda principalmente as fibras grossas mielinizadas. Para o diagnóstico de polineuropatia de fibras finas, a biópsia de pele com contagem de fibras intraepidérmicas é o método mais sensível. A banca troca o método diagnóstico (biópsia de pele) pela ENMG.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter o nível da lesão (pré-ganglionar vs. pós-ganglionar) e o tempo ideal para o exame. Na alternativa A, ela troca a lesão pré-ganglionar (raiz) pela plexopatia (pós-ganglionar). Na alternativa B, ela ignora que a diferenciação entre neuropraxia e axonotmese só é possível após 2-3 semanas do trauma. Fique atento a essas inversões — com treino, você as enxerga de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de ENMG, lembre-se do mnemônico "PRAZO": Periférico (avalia nervo periférico, não SNC), Reinervação (ausência após 3 meses indica cirurgia), Após 2-3 semanas (tempo ideal para o exame), Zona de lesão (pré vs. pós-ganglionar), Outros exames (RNM para mielopatia, biópsia de pele para fibras finas).

Gabarito: letra D

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