Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg542067
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Neurocirurgião
Recém-nascido a termo evoluiu no segundo dia de vida com insuficiência cardíaca de alto débito. Ao exame físico, apresenta taquipneia, sopro sistólico e hepatomegalia. Qual condição neurológica poderia justificar esse quadro clínico?
AHemorragia periventricular.
BTumor de pineal.
CMalformação aneurismática de veia de galeno.
DMalformação de Chiari tipo 3.
ESíndrome de Kabuki.
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GabaritoC — Malformação aneurismática de veia de galeno.
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Insuficiência cardíaca de alto débito no recém-nascido: malformação aneurismática da veia de Galeno
Gabarito: letra C. A malformação aneurismática da veia de Galeno é uma fístula arteriovenosa intracraniana que, no recém-nascido, cursa com insuficiência cardíaca de alto débito — o sangue é desviado diretamente da circulação arterial para a venosa, sobrecarregando o coração direito e levando a taquipneia, sopro sistólico e hepatomegalia. Essa é a condição neurológica clássica que justifica o quadro descrito no segundo dia de vida.
A insuficiência cardíaca (IC) é a síndrome clínica em que o coração não consegue bombear sangue de forma adequada às necessidades metabólicas do organismo. No recém-nascido, as causas mais comuns são as cardiopatias congênitas, mas há um grupo específico de condições não cardíacas que cursam com IC de alto débito — ou seja, o coração está funcionando, mas o volume de sangue que retorna a ele é tão grande que ele não consegue lidar. A malformação aneurismática da veia de Galeno (MAVG) é o exemplo mais emblemático na neonatologia.
A MAVG é uma malformação vascular congênita em que há comunicação anormal entre artérias e a veia de Galeno, formando um aneurisma que recebe grande fluxo sanguíneo. Esse shunt arteriovenoso de alto fluxo reduz a resistência vascular sistêmica e aumenta o retorno venoso ao coração, que precisa bombear um volume muito maior — daí o alto débito. No período neonatal, essa sobrecarga de volume pode levar a IC congestiva grave, com manifestações como taquipneia, sopro sistólico (pelo aumento do fluxo pulmonar ou por insuficiência tricúspide funcional) e hepatomegalia (por congestão sistêmica). O quadro costuma aparecer nos primeiros dias de vida, exatamente como descrito no enunciado.
O diagnóstico é feito por ecocardiograma (que afasta cardiopatia estrutural) e por ultrassonografia com Doppler ou angiorressonância cerebral, que evidencia a malformação. O tratamento envolve embolização endovascular, mas o prognóstico neonatal é reservado, especialmente quando a IC já está instalada.
A banca explora a associação entre um quadro clínico neonatal (IC de alto débito) e uma condição neurológica. O candidato precisa reconhecer que, diante de um RN com IC sem cardiopatia aparente, deve-se pensar em causas extracardíacas, e a MAVG é a principal delas. As demais alternativas são distratores que não cursam com IC de alto débito no período neonatal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a malformação de veia de Galeno por outras condições neurológicas que não causam IC de alto débito. O candidato pode confundir com hemorragia periventricular (que causa choque, mas por perda sanguínea, não por shunt) ou com malformação de Chiari (que causa hidrocefalia, não IC). A chave é lembrar que a MAVG é a única que cursa com shunt arteriovenoso e, portanto, com alto débito.
IC de alto débito no RN
1Mecanismo
Shunt arteriovenoso
↑ retorno venoso
Sobrecarga cardíaca
2Causa clássica
Malformação da veia de Galeno
3Distratores (não cursam com alto débito)
Hemorragia periventricular → baixo débito
Tumor de pineal → hidrocefalia
Chiari tipo 3 → encefalocele
Síndrome de Kabuki → dismorfismos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A hemorragia periventricular (HPV) é uma complicação típica do prematuro, não do recém-nascido a termo, e ocorre na matriz germinativa. Quando grave, pode cursar com choque e instabilidade hemodinâmica, mas por baixo débito (perda sanguínea e disfunção miocárdica), não por alto débito. Além disso, o quadro descrito (taquipneia, sopro, hepatomegalia) é de congestão, não de hipoperfusão. A HPV não justifica IC de alto débito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O tumor de pineal é uma neoplasia do sistema nervoso central que, no período neonatal, é extremamente rara. Quando presente, manifesta-se com hidrocefalia (por obstrução do aqueduto cerebral) e sinais de hipertensão intracraniana, não com insuficiência cardíaca. Não há mecanismo fisiopatológico que relacione tumor de pineal a IC de alto débito no recém-nascido.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A malformação aneurismática da veia de Galeno é a condição neurológica que classicamente cursa com insuficiência cardíaca de alto débito no recém-nascido. O shunt arteriovenoso intracraniano reduz a resistência vascular periférica e aumenta o retorno venoso, sobrecarregando o coração. Os achados de taquipneia, sopro sistólico e hepatomegalia são consequência da congestão pulmonar e sistêmica. É a alternativa que fecha o raciocínio clínico do enunciado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A malformação de Chiari tipo 3 é uma anomalia congênita grave que envolve herniação de tecido cerebelar e do tronco encefálico através de um defeito occipital (encefalocele). Manifesta-se com hidrocefalia, déficits neurológicos e, muitas vezes, óbito precoce. Não há associação com insuficiência cardíaca de alto débito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A síndrome de Kabuki é uma doença genética rara caracterizada por dismorfismos faciais, deficiência intelectual e malformações congênitas, incluindo cardiopatias (como coarctação de aorta). No entanto, não é uma condição que cause IC de alto débito no período neonatal. As cardiopatias associadas, quando presentes, cursam com outros mecanismos de IC, não com shunt arteriovenoso de alto fluxo.