Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — INSTITUTO AOCP 2025
Biologia›Ecologia e ciências ambientais
Código
qg542725
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SANESUL
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Biólogo
Uma fazenda produtora de hortaliças utiliza água de um rio próximo para irrigação e dessedentação animal. Para garantir a qualidade da água e atender às normas sanitárias, a equipe técnica realiza testes microbiológicos periódicos. Em uma análise recente, foi detectada a presença de coliformes totais em uma concentração superior ao limite aceitável para irrigação de culturas consumidas cruas.Diante desse cenário, a equipe responsável precisa interpretar os resultados e definir ações corretivas. Com base nos métodos de análise microbiológica da água, assinale a alternativa correta.
AA contagem de coliformes totais pelo método do Número Mais Provável (NMP) ou Filtração em Membrana permite avaliar a qualidade microbiológica da água, mas a diferenciação entre contaminação ambiental e fecal exige análises complementares para coliformes termotolerantes e Escherichia coli.
BA presença de coliformes totais na água indica obrigatoriamente contaminação fecal, sendo desnecessária a análise de coliformes termotolerantes e Escherichia coli para determinar riscos sanitários.
CA detecção de coliformes totais na água de irrigação invalida automaticamente seu uso, independentemente da concentração e da legislação vigente, pois qualquer quantidade representa risco inaceitável para a produção agrícola.
DO ensaio de presença/ausência de coliformes totais deve substituir os métodos quantitativos, pois é mais sensível para detectar contaminação, sendo o mais recomendado para monitoramento da qualidade da água.
EA análise microbiológica da água para irrigação deve focar apenas a detecção de Escherichia coli, pois essa bactéria é o único indicador confiável de contaminação fecal, tornando a quantificação de coliformes totais e termotolerantes irrelevante para a avaliação da qualidade da água.
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GabaritoA — A contagem de coliformes totais pelo método do Número Mais Provável (NMP) ou Filtração em Membrana permite avaliar a qualidade microbiológica da água, mas a diferenciação entre contaminação ambiental e fecal exige análises complementares para coliformes termotolerantes e Escherichia coli.
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Análise microbiológica da água: coliformes totais, termotolerantes e E. coli
Gabarito: letra A. A contagem de coliformes totais por NMP ou Filtração em Membrana é um método válido para avaliar a qualidade microbiológica da água, mas a presença desses microrganismos não indica, por si só, contaminação fecal — eles podem ter origem ambiental. Para confirmar risco sanitário, são necessárias análises complementares de coliformes termotolerantes e, principalmente, de Escherichia coli, que é o indicador específico de contaminação fecal.
A questão aborda um tema central da microbiologia de águas: a interpretação correta dos indicadores de contaminação fecal. Os coliformes totais são um grupo amplo de bactérias gram-negativas, em forma de bacilos, que fermentam lactose com produção de gás a 35-37°C. Esse grupo inclui tanto bactérias de origem fecal (como E. coli) quanto bactérias de origem ambiental (como Enterobacter, Klebsiella e Citrobacter), que ocorrem naturalmente em solos, plantas e águas. Por isso, a detecção de coliformes totais em uma amostra de água não é suficiente para afirmar que há contaminação fecal — ela apenas sinaliza que o sistema de desinfecção pode estar falhando ou que há entrada de matéria orgânica.
Para distinguir a contaminação de origem fecal da contaminação meramente ambiental, utilizam-se os coliformes termotolerantes (anteriormente chamados de coliformes fecais), que são capazes de fermentar lactose a 44-45°C. Dentro desse grupo, a Escherichia coli é a única espécie cujo habitat exclusivo é o intestino humano e de animais homeotérmicos, o que a torna o indicador mais específico de contaminação fecal. A legislação ambiental brasileira, representada pela Resolução CONAMA 357/2005, estabelece padrões para coliformes termotolerantes em diferentes classes de água, permitindo inclusive que a E. coli seja determinada em substituição a esse parâmetro, conforme limites estabelecidos pelo órgão ambiental competente.
A Resolução CONAMA 357/2005 define claramente esses conceitos:
Art. 2, XICONAMA-RES-357-2005
XI — coliformes termotolerantes: bactérias gram-negativas, em forma de bacilos, oxidase-negativas, caracterizadas pela atividade da enzima β-galactosidase. Podem crescer em meios contendo agentes tenso-ativos e fermentar a lactose nas temperaturas de 44º - 45ºC, com produção de ácido, gás e aldeído. Além de estarem presentes em fezes humanas e de animais homeotérmicos, ocorrem em solos, plantas ou outras matrizes ambientais que não tenham sido contaminados por material fecal
XXIII — escherichia coli (E.Coli): bactéria pertencente à família Enterobacteriaceae caracterizada pela atividade da enzima β-glicuronidase. Produz indol a partir do aminoácido triptofano. É a única espécie do 2 grupo dos coliformes termotolerantes cujo habitat exclusivo é o intestino humano e de animais homeotérmicos, onde ocorre em densidades elevadas
Essa definição é a chave para entender a questão: os coliformes termotolerantes não são exclusivamente fecais — eles também ocorrem em solos e plantas. A E. coli, por outro lado, tem habitat exclusivamente intestinal, sendo o indicador mais confiável de contaminação fecal.
A Resolução também estabelece padrões para o uso da água na irrigação de hortaliças consumidas cruas:
Art. 14CONAMA-RES-357-2005
coliformes termotolerantes: para o uso de recreação de contato primário deverão ser obedecidos os padrões de qualidade de balneabilidade, previstos na Resolução CONAMA no 274, de 2000. Para os demais usos, não deverá ser excedido um limite de 200 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou mais, de pelo menos 6 amostras, coletadas durante o período de um ano, com freqüência bimestral. A E. Coli poderá ser determinada em substituição ao parâmetro coliformes termotolerantes de acordo com limites estabelecidos pelo órgão ambiental competente
Perceba que o padrão legal é para coliformes termotolerantes, não para coliformes totais. Isso reforça a necessidade de análises complementares para confirmar o risco sanitário.
Indicadores de contaminação fecal: Coliformes totais (Origem fecal e ambiental, Sinalizam falha na desinfecção); Coliformes termotolerantes (Fermentam lactose a 44-45°C, Podem ter origem ambiental); Escherichia coli (Habitat exclusivamente intestinal, Indicador mais específico)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A está correta porque reconhece que os métodos de NMP e Filtração em Membrana são válidos para avaliar a qualidade microbiológica da água, mas que a presença de coliformes totais não é suficiente para determinar contaminação fecal. A diferenciação exige análises complementares de coliformes termotolerantes e E. coli, que são indicadores mais específicos. Isso está alinhado com a definição da Resolução CONAMA 357/2005, que estabelece que os coliformes termotolerantes podem ocorrer em solos e plantas sem contaminação fecal, e que a E. coli é o indicador de habitat exclusivamente intestinal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que a presença de coliformes totais indica obrigatoriamente contaminação fecal, o que é falso. Como visto na definição da Resolução CONAMA 357/2005, os coliformes totais incluem bactérias de origem ambiental, como Enterobacter e Klebsiella, que ocorrem naturalmente em solos e plantas. A detecção de coliformes totais apenas sinaliza possível contaminação, mas não confirma origem fecal. Por isso, a análise de coliformes termotolerantes e E. coli é necessária para determinar riscos sanitários.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que a detecção de coliformes totais invalida automaticamente o uso da água, independentemente da concentração e da legislação. Isso é incorreto porque a legislação estabelece limites específicos para cada classe de uso. A Resolução CONAMA 357/2005, por exemplo, permite até 200 coliformes termotolerantes por 100 mL para irrigação de hortaliças consumidas cruas (Art. 14, I, g). A presença de coliformes totais acima do limite para esse parâmetro não invalida automaticamente o uso — é necessário avaliar a concentração e o tipo de indicador (totais vs. termotolerantes) frente aos padrões legais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que o ensaio de presença/ausência deve substituir os métodos quantitativos por ser mais sensível. Isso é incorreto porque o ensaio de presença/ausência é qualitativo (apenas indica se há ou não o microrganismo), enquanto os métodos quantitativos como NMP e Filtração em Membrana fornecem a concentração, que é essencial para comparar com os limites legais. A legislação estabelece padrões numéricos (ex.: 200 coliformes termotolerantes por 100 mL), o que exige quantificação. O ensaio de presença/ausência pode ser útil para triagem, mas não substitui a quantificação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que a análise deve focar apenas a detecção de E. coli, tornando irrelevantes os coliformes totais e termotolerantes. Isso é incorreto porque, embora a E. coli seja o indicador mais específico de contaminação fecal, os coliformes totais e termotolerantes ainda são parâmetros importantes. A legislação estabelece padrões para coliformes termotolerantes (Art. 14, I, g), e a E. coli pode ser usada em substituição, mas não exclusivamente. Além disso, os coliformes totais são um indicador de qualidade geral do sistema de desinfecção e da integridade do manancial.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre coliformes totais e termotolerantes. O candidato desatento pode pensar que qualquer coliforme indica contaminação fecal, mas a Resolução CONAMA 357/2005 define que os termotolerantes podem ocorrer em solos e plantas, e que a E. coli é o indicador de habitat exclusivamente intestinal. A alternativa B é a armadilha clássica: afirma que coliformes totais indicam obrigatoriamente contaminação fecal, quando na verdade é necessária a análise complementar. Fique atento a essa distinção — ela é a chave para acertar questões sobre qualidade da água.
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões sobre indicadores de contaminação fecal, lembre-se da hierarquia de especificidade: coliformes totais (amplo, inclui ambientais) → coliformes termotolerantes (mais específico, mas ainda pode ter origem ambiental) → E. coli (mais específico, habitat exclusivamente intestinal). Quando a questão perguntar sobre risco sanitário, procure a alternativa que mencione a necessidade de análises complementares para confirmar a origem fecal.