Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — INSTITUTO AOCP 2025
Biologia›Ecologia e ciências ambientais
Código
qg542733
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SANESUL
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Biólogo
Em um estudo realizado em um reservatório hídrico de grande porte, foi identificada a proliferação de Limnoperna fortunei, uma espécie de molusco invasor. Essa espécie tem causado sérios impactos ecológicos e econômicos na região, obstruindo sistemas de captação de água, causando danos a embarcações e alterando a dinâmica do ecossistema aquático. O controle dessa espécie se tornou uma prioridade, e diferentes abordagens de manejo estão sendo consideradas. Com base nos impactos descritos, assinale a alternativa que apresenta a estratégia mais eficaz para o controle do Limnoperna fortunei nesse reservatório.
AA utilização de pesticidas e substâncias químicas para exterminar os moluscos invasores pode ser a medida mais imediata e eficaz para reduzir a população de Limnoperna fortunei e restaurar o equilíbrio do ecossistema aquático, uma vez que essas substâncias são aplicadas diretamente na água.
BO controle biológico com a introdução de predadores naturais, como peixes específicos que consomem Limnoperna fortunei, seria uma solução eficaz a longo prazo, já que promoveria o equilíbrio natural do ecossistema sem recorrer a métodos químicos ou mecânicos.
CA remoção manual do Limnoperna fortunei das superfícies das estruturas e a instalação de dispositivos de filtragem nas estações de captação de água são medidas práticas e eficazes para mitigar os danos causados por essa espécie invasora, porém elas exigem manutenção constante e são mais adequadas para áreas com pequena infestação.
DO uso de biofiltros e técnicas de filtração física em grandes áreas do reservatório pode ser uma abordagem adequada para a remoção do Limnoperna fortunei, já que esses sistemas filtrantes podem capturar os moluscos de forma eficaz, impedindo sua proliferação sem prejudicar a fauna aquática local.
EA gestão integrada da água, aliada ao controle de nutrientes (especialmente nitrogênio e fósforo), pode ser uma medida indireta eficaz, pois a redução desses nutrientes, que são alimentos para a espécie invasora, ajudaria a controlar a proliferação do Limnoperna fortunei, evitando novos surtos de infestação.
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GabaritoC — A remoção manual do Limnoperna fortunei das superfícies das estruturas e a instalação de dispositivos de filtragem nas estações de captação de água são medidas práticas e eficazes para mitigar os danos causados por essa espécie invasora, porém elas exigem manutenção constante e são mais adequadas para áreas com pequena infestação.
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Controle de espécies invasoras: o caso do mexilhão-dourado
Gabarito: letra C. A estratégia mais eficaz e realista para o controle do Limnoperna fortunei (mexilhão-dourado) em um reservatório de grande porte combina a remoção mecânica (manual) das superfícies com a instalação de dispositivos de filtragem nos pontos de captação de água — medidas práticas que mitigam os danos diretos, embora exijam manutenção constante e sejam mais adequadas a áreas de pequena infestação. As demais alternativas apresentam soluções inviáveis, ineficazes ou baseadas em premissas ecológicas incorretas.
O mexilhão-dourado é um molusco bivalve invasor que se fixa em substratos duros, formando densas colônias que obstruem tubulações, filtros e sistemas de resfriamento. Por ser uma espécie exótica sem predadores naturais eficientes no novo ambiente, seu controle é um desafio. As estratégias de manejo dividem-se em três grandes grupos: métodos químicos (uso de biocidas), métodos biológicos (introdução de predadores ou parasitas) e métodos mecânicos/físicos (remoção, filtração, barreiras). A escolha da melhor abordagem depende da escala da infestação, do custo, do impacto ambiental e da viabilidade técnica. Em reservatórios de grande porte, a erradicação completa é praticamente impossível; o objetivo realista é o controle populacional e a mitigação dos danos em pontos críticos, como as estações de captação.
A alternativa C é a única que reconhece essa realidade: a remoção manual é eficaz em estruturas específicas (como grades e tubulações) e a filtragem protege os sistemas de captação, mas ambas demandam manutenção contínua e são limitadas em áreas extensas. As demais opções falham por diferentes razões: o uso de pesticidas em larga escala causaria danos ambientais graves e seria ineficaz; o controle biológico com predadores introduzidos é arriscado e não há predador específico comprovado; a filtração em grandes áreas do reservatório é inviável tecnicamente; e o controle de nutrientes, embora importante para a qualidade da água, não afeta diretamente um molusco filtrador que se alimenta de fitoplâncton e matéria orgânica em suspensão.
Controle do mexilhão-dourado
1Métodos químicos
Biocidas em larga escala
Danos à fauna nativa
Inviável em grande porte
2Métodos biológicos
Introdução de predadores
Sem predador específico
Risco de novo desequilíbrio
3Métodos mecânicos/físicos
Remoção manual
Eficaz em estruturas
Exige manutenção constante
Filtragem na captação
Protege sistemas críticos
Limitada a pequenas infestações
4Controle de nutrientes
Não afeta molusco filtrador
Alimenta-se de fitoplâncton
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O uso de pesticidas e substâncias químicas em um reservatório de grande porte é uma medida inviável e ambientalmente danosa. A aplicação de biocidas na água mataria não apenas o mexilhão-dourado, mas também a fauna aquática nativa (peixes, invertebrados, zooplâncton), causando desequilíbrio ecológico. Além disso, a dispersão do produto químico em um volume de água enorme tornaria a concentração insuficiente para ser letal ao molusco, ou, se concentrada, contaminaria a água para consumo humano e outros usos. O enunciado destaca que o reservatório é de "grande porte", o que inviabiliza a aplicação química em larga escala. A alternativa erra ao afirmar que seria "a medida mais imediata e eficaz" — na prática, é uma das menos recomendadas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O controle biológico com a introdução de predadores naturais é uma estratégia teórica, mas não é eficaz a longo prazo para o mexilhão-dourado. Não existem predadores específicos e comprovadamente eficazes para controlar essa espécie em reservatórios brasileiros. A introdução de espécies exóticas como agentes de controle biológico pode gerar novos problemas ecológicos, como a predação de espécies nativas ou a competição com elas. Além disso, em um ambiente de grande porte, a densidade de predadores necessária para reduzir significativamente a população de mexilhões seria impraticável. A alternativa B apresenta uma solução "idealizada" que não se sustenta na prática e ignora os riscos de introduzir mais uma espécie exótica.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A remoção manual do mexilhão-dourado das superfícies das estruturas (como grades, tubulações e cascos de embarcações) e a instalação de dispositivos de filtragem nas estações de captação de água são medidas práticas e eficazes para mitigar os danos causados pela espécie. Essas ações protegem diretamente os sistemas de captação, que são os pontos mais críticos de impacto econômico. A alternativa reconhece corretamente as limitações: exigem manutenção constante (pois os mexilhões se fixam novamente) e são mais adequadas para áreas com pequena infestação — em grandes áreas do reservatório, a remoção manual seria inviável. Essa é a abordagem mais realista e alinhada com as práticas de manejo de espécies invasoras em ambientes aquáticos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O uso de biofiltros e técnicas de filtração física em grandes áreas do reservatório é inviável tecnicamente. Não é possível filtrar toda a água de um reservatório de grande porte; os sistemas de filtração são eficazes apenas em pontos de captação ou em estruturas específicas, não em toda a extensão do corpo d'água. Além disso, a filtração em larga escala capturaria também o plâncton e outros organismos, prejudicando a fauna aquática local, contrariando a afirmação de que "sem prejudicar a fauna aquática local". A alternativa D confunde a escala de aplicação: o que é viável em uma estação de captação (filtros) não é viável em todo o reservatório.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A gestão integrada da água e o controle de nutrientes (nitrogênio e fósforo) são medidas importantes para a qualidade da água e para evitar a eutrofização, mas não são eficazes para controlar o mexilhão-dourado. O enunciado afirma que a redução de nutrientes "ajudaria a controlar a proliferação" porque seriam "alimentos para a espécie invasora" — isso é um erro conceitual: o mexilhão-dourado é um organismo filtrador que se alimenta de fitoplâncton e matéria orgânica em suspensão, não de nutrientes dissolvidos diretamente. A redução de nutrientes pode diminuir a produtividade primária, mas não elimina o molusco, que pode sobreviver com baixas concentrações de alimento. Além disso, o controle de nutrientes em um reservatório de grande porte é um processo lento e de efeito indireto, não uma estratégia direta de controle da espécie invasora.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre controle de nutrientes (que afeta a eutrofização e o fitoplâncton) e controle de um molusco filtrador (que se alimenta do fitoplâncton). O candidato pode achar que reduzir nutrientes "mata a comida" do mexilhão, mas a relação não é direta nem suficiente. Além disso, a alternativa A parece "imediata e eficaz", mas ignora os danos ambientais e a inviabilidade em grande escala. Fique atento: em questões de espécies invasoras, a resposta correta quase sempre envolve medidas mecânicas/físicas localizadas e reconhece as limitações de cada método.
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões sobre controle de espécies invasoras, avalie cada método em três eixos: viabilidade técnica (é possível aplicar na escala descrita?), impacto ambiental (afeta espécies nativas?) e eficácia real (ataca diretamente o problema?). Métodos químicos em larga escala são quase sempre descartados; controle biológico exige predador específico comprovado; e medidas mecânicas são as mais realistas, mas com limitações de escala. Lembre-se: erradicação total é rara — o objetivo é mitigação de danos.