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Questão de Português — Morfologia - Verbos — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
qg543436
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
TRE-TO
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área Judiciária
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Texto 3


Agricultoras de comunidades tradicionais se unem em defesa do Cerrado


Projetos ajudam a conservar o bioma e a empoderar mulheres


“O capim-dourado mudou as nossas vidas. É o capim-dourado que coloca pão na mesa, que gera renda para comprar comida, roupa, calçado. Ainda hoje é a principal fonte de renda da comunidade e muda a vida das artesãs, dando qualidade de vida melhor”, conta Railane de Brito da Silva, 27 anos, presidente da Associação da Comunidade Quilombola Mumbuca, na região de Mateiros, no Jalapão (região leste do estado do Tocantins).

    O capim-dourado (Syngonanthus nitens), na verdade, não é um capim, já que não pertence à família das gramíneas. Trata-se da haste de uma pequena flor branca da família das sempre-vivas (família Eriocaulaceae). O capim-dourado é matériaprima para a confecção de bolsas, bijuterias e objetos de decoração que geram renda para centenas de artesãos. 

    “Ele nasceu aqui na comunidade de Mumbuca. Há 180 anos, dona Laurinda, mais conhecida como dona Miúda, descobriu o capim-dourado. Ela foi a precursora do capim-dourado no mundo”, conta orgulhosa Railane, que segue à frente da associação, vencendo desafios diários para que as artesãs da região tenham visibilidade. “Tenho orgulho do meu trabalho, que não é fácil, mas tenho força porque já nasci empoderada.”

    Na associação, ela faz de tudo: está envolvida nas atividades sociais, financeiras, vendas e projetos que ajudam a divulgar o artesanato local, além de dar aulas em uma escola estadual, inclusive de cultura quilombola.

    “A associação é o coração da comunidade Mumbuca”, conta orgulhosa Railane. “Na associação, é desenvolvido artesanato de capim-dourado. Temos a loja de Capim- Dourado, onde há 200 artesãs e associados que costuram todo dia e vendem lá. A loja organiza a venda das peças e 90% vai para o artesão, 5% fica com o vendedor e 5% vai para o caixa da associação”.

    “Na comunidade Quilombola Mumbuca, tudo gira em torno da associação, é como se fosse a prefeitura da comunidade. Ainda temos o escritório, a Casa da Cultura, o Barracão de Eventos. A associação é um trabalho social, porque tudo que vem de cesta básica e de doação passa pela associação que distribui para comunidade”.

    Filha de pais agricultores, Railane tem muito orgulho de suas origens. “Nós quilombolas somos as comunidades que guardam mais do que tudo. Então, desde o passado, a gente sabe conservar a natureza da forma que era. A nossa comunidade é bem preservada. A gente ensina a não jogar lixo nos córregos e na beira dos rios, porque, além do capim-dourado, aqui tem muitos atrativos; tem córrego, cachoeira, rios, praias, então é muito interessante”. [...]


Bioma

O Cerrado é um dos cinco grandes biomas do Brasil e ocupa cerca de 25% do território nacional, com área aproximada de 1,9 milhão de quilômetros quadrados (km²). Trata-se do segundo maior bioma nacional, atrás apenas da Amazônia. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, é uma das regiões com maior biodiversidade do mundo. Estima-se que tenha mais de 6 mil espécies de árvores e 800 espécies de aves.

     Apesar da importância, dados mostram que o Cerrado vem sendo devastado. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no acumulado de janeiro a abril de 2023, o desmatamento aumentou no Cerrado e caiu na Amazônia Legal, na comparação com o mesmo período do ano passado.


Agricultura familiar

    “O trabalho que fazemos na Rede Cerrado visa a proteção dos biomas, fauna e flora e dos povos e populações tradicionais”, conta Maria de Lourdes de Souza Nascimento, 59 anos. “Nosso trabalho é focado na agroecologia, garantindo o bem-estar das mulheres e homens do campo”.

     Não me deixo abater. Defendo as mulheres, a agricultura familiar e o meio ambiente. Não tenho dúvidas de que, sem esses três elementos, não existiria vida no planeta", completa Maria de Lourdes.

     Por isso, ela entende que ajudar a conservar o Cerrado é tão importante. “O Cerrado é nossa caixa d’água e não é à toa que [...] preservá-lo é continuar a viver”.

    Para Maria de Lourdes, as ações vêm para mudar as adversidades ambientais. “Somos poucos e poucas nessa luta, mas estamos fazendo a diferença no planeta, nas mudanças climáticas. Somos como o beija-flor do incêndio: estamos fazendo nossa parte!”, disse ela, referindo-se à fábula do beija-flor que, diante de um grande incêndio na floresta, colabora levando gotas de água em seu pequeno bico na tentativa de combater as chamas. [...]


Adaptado de: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023- 05/agricultoras-de-comunidades-tradicionais-se-unem-em-defesado-cerrado.
Assinale a alternativa cujo verbo destacado esteja empregado no mesmo modo verbal em que se encontra o sublinhado em:


“[...] tudo gira em torno da associação, é como se fosse a prefeitura da comunidade.”
  1. A“O capim-dourado mudou as nossas vidas.”.
  2. B“Ela foi a precursora do capim-dourado no mundo”.
  3. C“[...] tudo gira em torno da associação [...]”.
  4. D“Estima-se que tenha mais de 6 mil espécies de árvores e 800 espécies de aves.”.
  5. E“[...] sem esses três elementos, não existiria vida no planeta.”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “Estima-se que tenha mais de 6 mil espécies de árvores e 800 espécies de aves.”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Modo verbal: subjuntivo × indicativo — a pegadinha do "fosse"

Gabarito: letra D. O verbo sublinhado no trecho-base é "fosse", forma do pretérito imperfeito do subjuntivo (modo subjuntivo). A única alternativa que apresenta verbo no mesmo modo é a D: "tenha" também está no subjuntivo (presente do subjuntivo). As demais alternativas trazem verbos no modo indicativo — inclusive a E, que usa o futuro do pretérito, um tempo do indicativo, e não do subjuntivo.

"[...] tudo gira em torno da associação, é como se fosse a prefeitura da comunidade."

A conjunção "como se" é a pista decisiva: ela introduz uma comparação hipotética, e o verbo que a acompanha só pode estar no subjuntivo — o modo da irrealidade, da dúvida, da possibilidade. "Fosse" é a forma do pretérito imperfeito do subjuntivo (que também aparece como "se eu fosse", "se ele tivesse").

O comando

A questão pede que você identifique o modo verbal do verbo sublinhado e encontre, nas alternativas, outro verbo no mesmo modo. Não se trata de tempo verbal (presente, pretérito, futuro), mas de modo: indicativo (fatos, certezas), subjuntivo (hipóteses, desejos, dúvidas) e imperativo (ordens, pedidos).

A técnica

  1. Identifique o modo do verbo-base: "fosse" → subjuntivo.

  2. Teste cada alternativa perguntando: em que modo está o verbo destacado?

  3. Cuidado com a pegadinha: o futuro do pretérito do indicativo ("existiria") termina em -ria e

Modos verbais
  • 1Indicativo (certeza, fato real)
    • Presente: gira
    • Pretérito perfeito: mudou, foi
    • Futuro do pretérito: existiria
  • 2Subjuntivo (hipótese, dúvida)
    • Presente: tenha
    • Pretérito imperfeito: fosse
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Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

O verbo "mudou" está no pretérito perfeito do indicativo — indica um fato concluído, real. Não é subjuntivo. Erro: modo diferente do pedido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Foi" é pretérito perfeito do indicativo — fato real e concluído. Não é subjuntivo. Erro: modo diferente do pedido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Gira" está no presente do indicativo — fato habitual, real. Apesar de aparecer no mesmo trecho do verbo-base, está em modo diferente. Erro: modo diferente do pedido.

Alternativa D — ✅ Correta

"Tenha" está no presente do subjuntivo — expressa possibilidade, dúvida, hipótese. É o mesmo modo do verbo-base "fosse". Correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Existiria" está no futuro do pretérito do indicativo — indica condição, mas é um tempo do modo indicativo, não do subjuntivo. Erro: modo diferente do pedido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre futuro do pretérito do indicativo ("existiria") e subjuntivo, além de tentar atrair o candidato para o verbo "gira" (indicativo) por estar no mesmo trecho.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o modo, pergunte: o verbo expressa certeza (indicativo) ou hipótese/dúvida (subjuntivo)? Conectivos como "como se", "se", "embora" costumam exigir subjuntivo.

Gabarito: letra D

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