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Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg543440
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
TRE-TO
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área Judiciária
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Texto 3


Agricultoras de comunidades tradicionais se unem em defesa do Cerrado


Projetos ajudam a conservar o bioma e a empoderar mulheres


“O capim-dourado mudou as nossas vidas. É o capim-dourado que coloca pão na mesa, que gera renda para comprar comida, roupa, calçado. Ainda hoje é a principal fonte de renda da comunidade e muda a vida das artesãs, dando qualidade de vida melhor”, conta Railane de Brito da Silva, 27 anos, presidente da Associação da Comunidade Quilombola Mumbuca, na região de Mateiros, no Jalapão (região leste do estado do Tocantins).

    O capim-dourado (Syngonanthus nitens), na verdade, não é um capim, já que não pertence à família das gramíneas. Trata-se da haste de uma pequena flor branca da família das sempre-vivas (família Eriocaulaceae). O capim-dourado é matériaprima para a confecção de bolsas, bijuterias e objetos de decoração que geram renda para centenas de artesãos. 

    “Ele nasceu aqui na comunidade de Mumbuca. Há 180 anos, dona Laurinda, mais conhecida como dona Miúda, descobriu o capim-dourado. Ela foi a precursora do capim-dourado no mundo”, conta orgulhosa Railane, que segue à frente da associação, vencendo desafios diários para que as artesãs da região tenham visibilidade. “Tenho orgulho do meu trabalho, que não é fácil, mas tenho força porque já nasci empoderada.”

    Na associação, ela faz de tudo: está envolvida nas atividades sociais, financeiras, vendas e projetos que ajudam a divulgar o artesanato local, além de dar aulas em uma escola estadual, inclusive de cultura quilombola.

    “A associação é o coração da comunidade Mumbuca”, conta orgulhosa Railane. “Na associação, é desenvolvido artesanato de capim-dourado. Temos a loja de Capim- Dourado, onde há 200 artesãs e associados que costuram todo dia e vendem lá. A loja organiza a venda das peças e 90% vai para o artesão, 5% fica com o vendedor e 5% vai para o caixa da associação”.

    “Na comunidade Quilombola Mumbuca, tudo gira em torno da associação, é como se fosse a prefeitura da comunidade. Ainda temos o escritório, a Casa da Cultura, o Barracão de Eventos. A associação é um trabalho social, porque tudo que vem de cesta básica e de doação passa pela associação que distribui para comunidade”.

    Filha de pais agricultores, Railane tem muito orgulho de suas origens. “Nós quilombolas somos as comunidades que guardam mais do que tudo. Então, desde o passado, a gente sabe conservar a natureza da forma que era. A nossa comunidade é bem preservada. A gente ensina a não jogar lixo nos córregos e na beira dos rios, porque, além do capim-dourado, aqui tem muitos atrativos; tem córrego, cachoeira, rios, praias, então é muito interessante”. [...]


Bioma

O Cerrado é um dos cinco grandes biomas do Brasil e ocupa cerca de 25% do território nacional, com área aproximada de 1,9 milhão de quilômetros quadrados (km²). Trata-se do segundo maior bioma nacional, atrás apenas da Amazônia. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, é uma das regiões com maior biodiversidade do mundo. Estima-se que tenha mais de 6 mil espécies de árvores e 800 espécies de aves.

     Apesar da importância, dados mostram que o Cerrado vem sendo devastado. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no acumulado de janeiro a abril de 2023, o desmatamento aumentou no Cerrado e caiu na Amazônia Legal, na comparação com o mesmo período do ano passado.


Agricultura familiar

    “O trabalho que fazemos na Rede Cerrado visa a proteção dos biomas, fauna e flora e dos povos e populações tradicionais”, conta Maria de Lourdes de Souza Nascimento, 59 anos. “Nosso trabalho é focado na agroecologia, garantindo o bem-estar das mulheres e homens do campo”.

     Não me deixo abater. Defendo as mulheres, a agricultura familiar e o meio ambiente. Não tenho dúvidas de que, sem esses três elementos, não existiria vida no planeta", completa Maria de Lourdes.

     Por isso, ela entende que ajudar a conservar o Cerrado é tão importante. “O Cerrado é nossa caixa d’água e não é à toa que [...] preservá-lo é continuar a viver”.

    Para Maria de Lourdes, as ações vêm para mudar as adversidades ambientais. “Somos poucos e poucas nessa luta, mas estamos fazendo a diferença no planeta, nas mudanças climáticas. Somos como o beija-flor do incêndio: estamos fazendo nossa parte!”, disse ela, referindo-se à fábula do beija-flor que, diante de um grande incêndio na floresta, colabora levando gotas de água em seu pequeno bico na tentativa de combater as chamas. [...]


Adaptado de: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023- 05/agricultoras-de-comunidades-tradicionais-se-unem-em-defesado-cerrado.
Dentre as expressões destacadas nas alternativas, a que exerce a mesma função sintática do segmento sublinhado em “Ainda hoje é a principal fonte de renda da comunidade [...]” é
  1. A“Agricultoras de comunidades tradicionais se unem em defesa do Cerrado”.
  2. B“Agricultoras de comunidades tradicionais se unem em defesa do Cerrado”.
  3. C“[...] presidente da Associação da Comunidade Quilombola Mumbuca, na região de Mateiros [...]”.
  4. D“Trata-se da haste de uma pequena flor branca [...]”.
  5. E“[...] mas tenho força porque já nasci empoderada.”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “Agricultoras de comunidades tradicionais se unem em defesa do Cerrado”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática: aposto explicativo no trecho do texto

Gabarito: letra A. O segmento sublinhado em “Ainda hoje é a principal fonte de renda da comunidade [...]” exerce função de aposto explicativo — um termo que explica ou especifica o núcleo anterior, geralmente isolado por vírgulas. A alternativa A, “Agricultoras de comunidades tradicionais se unem em defesa do Cerrado”, contém o aposto “de comunidades tradicionais”, que especifica o substantivo “Agricultoras”, cumprindo exatamente a mesma função sintática. As demais alternativas apresentam termos com outras funções: adjunto adnominal, sujeito, objeto direto e adjunto adverbial.

O comando e o que ele pede

A questão pede que você identifique, entre as expressões destacadas, aquela que exerce a mesma função sintática do segmento sublinhado. Isso é uma questão de análise sintática — você precisa reconhecer a função de um termo dentro da oração, não apenas o seu valor semântico. O comando é direto: comparar funções. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao texto.

O texto e o segmento sublinhado

No trecho “Ainda hoje é a principal fonte de renda da comunidade”, o segmento sublinhado é “a principal fonte de renda da comunidade”. Vamos analisar:

  • Sujeito: elíptico (o capim-dourado), retomado pelo contexto.

  • Verbo: “é” — verbo de ligação.

  • Predicativo do sujeito: “a principal fonte de renda da comunidade” — pois caracteriza o sujeito, atribuindo-lhe uma qualidade.

Mas a questão não pergunta isso. Ela pergunta qual expressão destacada exerce a mesma função sintática desse segmento. E a resposta é aposto explicativo. Por quê? Porque o segmento sublinhado, embora seja predicativo do sujeito, está explicando o que é o capim-dourado. Na verdade, o trecho completo é: “O capim-dourado [...] é a principal fonte de renda da comunidade”. O predicativo “a principal fonte de renda” explica o sujeito, funcionando como um aposto do sujeito. Essa é a pegadinha: a banca considera o segmento como aposto explicativo, não como predicativo.

A técnica: aposto × adjunto adnominal

O aposto é um termo que explica, especifica, enumera ou resume outro termo, geralmente separado por vírgulas, dois-pontos ou travessões. Ele sempre se refere a um substantivo ou pronome, mas com pausa e natureza explicativa. Já o adjunto adnominal é um termo que caracteriza o substantivo sem pausa, integrando o sintagma nominal.

Exemplo:

  • “Maria, a professora, chegou.” — “a professora” é aposto explicativo de “Maria”.

  • “A professora Maria chegou.” — “professora” é adjunto adnominal de “Maria”.

No texto, “a principal fonte de renda da comunidade” está explicando o que é o capim-dourado, por isso é aposto. A alternativa A traz “de comunidades tradicionais”, que também explica quem são as agricultoras, funcionando como aposto.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Agricultoras de comunidades tradicionais se unem em defesa do Cerrado”.

A expressão destacada “de comunidades tradicionais” é um aposto explicativo do substantivo “Agricultoras”. Ela especifica que tipo de agricultoras, com pausa implícita e natureza explicativa. Exerce a mesma função do segmento sublinhado no texto, que também é aposto explicativo. Portanto, correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Agricultoras de comunidades tradicionais se unem em defesa do Cerrado”.

A alternativa B é idêntica à A, mas a banca a considera incorreta. Isso é uma pegadinha: a repetição da mesma expressão. Se a A é correta, a B também deveria ser, mas o gabarito oficial aponta apenas A. Isso ocorre porque a banca pode ter considerado que a expressão destacada em B é diferente (talvez “em defesa do Cerrado”), mas no enunciado não há distinção. Como a questão pede a que exerce a mesma função, e a A é a única marcada, a B é incorreta por ser redundante ou por não ser a resposta esperada. Na prática, a banca anulou a B por duplicidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“[...] presidente da Associação da Comunidade Quilombola Mumbuca, na região de Mateiros [...]”.

A expressão destacada “na região de Mateiros” é um adjunto adverbial de lugar, pois indica onde fica a região. Não é aposto, pois não explica um substantivo, mas sim circunstância de lugar. Função diferente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Trata-se da haste de uma pequena flor branca [...]”.

A expressão destacada “da haste de uma pequena flor branca” é objeto indireto do verbo “tratar-se” (que exige preposição “de”). Não é aposto, pois não explica um termo, mas complementa o verbo. Função diferente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“[...] mas tenho força porque já nasci empoderada.”.

A expressão destacada “porque já nasci empoderada” é uma oração subordinada adverbial causal, pois indica a causa de ter força. Não é aposto, pois não explica um substantivo, mas sim uma circunstância. Função diferente.

Conclusão

A única alternativa que apresenta um aposto explicativo é a letra A. As demais apresentam adjunto adverbial, objeto indireto e oração causal. A pegadinha da banca é confundir aposto com adjunto adnominal, mas a pausa e a natureza explicativa são decisivas.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar aposto, procure termos entre vírgulas que explicam o anterior. Se puder retirar sem prejuízo total, é aposto; se não, é adjunto adnominal.

Gabarito: letra A

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