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Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg543836
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-MS
Ano
2025
Nível
Superior
A palavra é nomofobia

Em série de reportagens da Rádio UFMG Educativa, especialistas analisam as implicações da dependência digital e do uso excessivo de celulares pelas crianças

Por UFMG | Pesquisa e Inovação

        As novas tecnologias, como smartphones, tablets e outros dispositivos digitais móveis, provocaram a incorporação de uma nova palavra ao léxico especializado: nomofobia. O termo se refere ao uso exacerbado e dependente do celular e de outras tecnologias digitais. Desde 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a dependência digital como transtorno: ela desencadeia um medo irracional de estar sem o celular ou sem aparelhos eletrônicos no geral.

        A doença está listada na chamada Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID). Nos Estados Unidos, pesquisa realizada pela Common Sense Media trouxe resultados alarmantes: metade dos adolescentes se sentem viciados em usar o celular. Na UFMG, alguns estudos avaliam as consequências do vício em celular. Um deles foi realizado pela psiquiatra Júlia Khoury, que se dedicou no mestrado, no doutorado e no pós-doutorado a compreender a dependência digital.

        Júlia Khoury ensina como identificar crianças e adolescentes viciados no celular: “A criança ou adolescente aumenta cada vez mais o seu tempo de exposição. O tempo gasto nas telas impede a realização ou diminui a realização de outras atividades, principalmente aquelas de que gostava e que são incompatíveis com o smartphone, como esportes e o contato com a natureza. Além disso, a pessoa pode alterar seu comportamento. Uma criança que era tranquila começa a ficar agressiva. Uma criança que interagia bem começa a ficar mais introspectiva e deixa de interagir com as pessoas”, explica a pesquisadora.

[...] 

        Ainda na UFMG, a terapeuta ocupacional e doutora em Medicina Molecular Renata Santos estudou as associações entre tempo de tela e saúde mental. Ela também indica como perceber a nomofobia infantojuvenil: “Ela aparece quando começa a atrapalhar as outras atividades, quando começam os atrasos na entrega de tarefas de casa e da escola. As crianças também começam a mentir sobre a quantidade de tempo que passam no celular. Elas não acham nada mais interessante do que ficar no celular. Elas se sentem às vezes frustradas e tristes quando não podem usar. Precisam ficar cada vez mais tempo para poder satisfazer suas necessidades. E a gente percebe que elas têm fracassado nas tentativas de diminuir o uso”. 

        O córtex pré-frontal é a região do cérebro responsável por planejamento, tomada de decisões, autocontrole e regulação emocional, e pode não estar completamente desenvolvido até os 20 anos ou mais tarde. Em geral, de acordo com o campo da neuropediatria, os celulares estimulam vias de processamento cerebral passivas. O tempo excessivo durante o qual crianças e adolescentes passam diante de telas é um tempo em que deveriam ser estimulados pelas vias ativas. O ideal é praticar atividades para desenvolvimento da coordenação motora, da comunicação, da resolução de problemas e da sociabilidade de maneira off-line.

        Um cuidado especial deve ser tomado com as recompensas fáceis que as redes sociais ofertam ao córtex pré-frontal, prejudicando o desenvolvimento de uma região cerebral controladora de impulsos, atenção, julgamentos e tomada de decisão. Apesar de tanto se falar em vício em celular, muitos pais ainda duvidam que o dispositivo e outros eletrônicos possam viciar. A neuropediatra Letícia Sampaio responde se o cérebro infantojuvenil pode mesmo se viciar no uso de celular e demais telas: “Sim, a dependência digital ou o vício em tecnologia existe. Quando se está interagindo com um dispositivo eletrônico, muitas vezes, se tem como recompensa uma gratificação imediata por meio dos jogos ou das redes sociais, dos vídeos ou de alguma forma de entretenimento. Então, isso leva a um ciclo de recompensa que vai estimular cada vez mais o uso contínuo dos aplicativos desses conteúdos digitais. Eles são projetados para ser envolventes e estimulantes, o que leva a um comportamento mais compulsivo. É aquela necessidade de verificar toda hora o telefone: a pessoa não pode ficar off-line nem um minuto, tem medo de perder algo que seja importante nas redes sociais”. 

Adaptado de: https://ufmg.br/comunicacao/noticias/vicio-aoalcance-das-maos-uso-abusivo-infanto-juvenil-de-celulares. Acesso em: 6 mar. 2025. 
A respeito dos conectivos destacados a seguir, assinale a alternativa correta.
  1. AEm “Quando se está interagindo com um dispositivo eletrônico [...]”, identifica-se um valor temporal, sendo possível a substituição por “conforme”.
  2. BEm “Então, isso leva a um ciclo de recompensa que vai [...]”, identifica-se um valor causal, sendo possível a substituição por “já que”.
  3. CEm “Ainda na UFMG, a terapeuta ocupacional e doutora [...]”, identifica-se um valor consecutivo, sendo possível a substituição por “inclusive”.
  4. DEm “[...] como esportes e o contato com a natureza.”, identifica-se um valor exemplificativo, sendo possível a substituição por “por exemplo”.
  5. EEm “Além disso, a pessoa pode alterar seu comportamento.”, identifica-se um valor aditivo, sendo possível a substituição por “por isso”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Em “[...] como esportes e o contato com a natureza.”, identifica-se um valor exemplificativo, sendo possível a substituição por “por exemplo”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conectivos e seus valores semânticos no texto sobre nomofobia

Gabarito: letra D. A alternativa correta é a que identifica em "como esportes e o contato com a natureza" um valor exemplificativo, com substituição possível por "por exemplo". Como se lê no trecho da fala da psiquiatra Júlia Khoury: "O tempo gasto nas telas impede a realização ou diminui a realização de outras atividades, principalmente aquelas de que gostava e que são incompatíveis com o smartphone, como esportes e o contato com a natureza". O conectivo "como" introduz dois exemplos de atividades incompatíveis com o smartphone, função que "por exemplo" cumpre perfeitamente.

A questão pede que você analise o valor semântico de cada conectivo destacado e verifique se a substituição proposta preserva esse valor. O comando "a respeito dos conectivos destacados" indica que a tarefa é de semântica dos conectivos — você precisa identificar a relação lógica que cada um estabelece no contexto e testar se o substituto mantém a mesma relação. Não se trata de decorar listas de conectivos, mas de ler o trecho e perceber a função que a palavra exerce ali.

O texto-base é uma reportagem sobre nomofobia (dependência digital). Os trechos destacados nas alternativas vêm de falas de especialistas e de passagens narrativas. Para resolver, você deve, em cada alternativa, perguntar: que relação o conectivo estabelece no contexto? O substituto proposto estabelece a mesma relação? Se a resposta for não a qualquer uma das duas perguntas, a alternativa está errada.

A técnica central é o teste de substituição: troque o conectivo pelo substituto proposto e veja se a frase continua com o mesmo sentido. Se mudar o sentido, a alternativa está errada — mesmo que o valor semântico apontado esteja correto. A banca adora montar alternativas em que o valor está certo, mas o substituto é inadequado, ou vice-versa.

Conectivo

Valor semântico apontado

Substituição proposta

Análise

“Quando” (A)

Temporal (correto)

“conforme”

❌ Incorreta — “conforme” tem valor de conformidade, não temporal

“Então” (B)

Causal (errado)

“já que”

❌ Incorreta — “então” é conclusivo, não causal

“Ainda” (C)

Consecutivo (errado)

“inclusive”

❌ Incorreta — “ainda” é aditivo, não consecutivo

“Como” (D)

Exemplificativo (correto)

“por exemplo”

✅ Correta — preserva o sentido de exemplificação

“Além disso” (E)

Aditivo (correto)

“por isso”

❌ Incorreta — “por isso” é conclusivo, não aditivo

1Valor semântico correto
Quando (temporal)
Além disso (aditivo)
Como (exemplificativo)
2Valor semântico incorreto
Então (conclusivo, não causal)
Ainda (aditivo, não consecutivo)
3Substituição adequada
Como → por exemplo
Conectivos
LEVELsoulevel.com.br
Conectivos: Valor semântico correto (Quando (temporal), Além disso (aditivo), Como (exemplificativo)); Valor semântico incorreto (Então (conclusivo, não causal), Ainda (aditivo, não consecutivo)); Substituição adequada (Como → por exemplo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Quando se está interagindo com um dispositivo eletrônico [...]"

O valor apontado está correto: "quando" tem valor temporal (indica o momento em que algo ocorre). Porém, a substituição por "conforme" não preserva o sentido. "Conforme" tem valor de conformidade (de acordo com), não de tempo. A frase "Conforme se está interagindo com um dispositivo eletrônico" muda o sentido original. O erro está na troca de valor semântico — a banca oferece um substituto que não é equivalente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Então, isso leva a um ciclo de recompensa que vai [...]"

O valor apontado está errado. "Então" aqui tem valor conclusivo (introduz uma conclusão a partir do que foi dito antes), não causal. A substituição por "já que" (que tem valor causal) também não funciona. O erro é duplo: o valor semântico está incorreto e o substituto é inadequado. A banca explora a confusão entre conclusão e causa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Ainda na UFMG, a terapeuta ocupacional e doutora [...]"

O valor apontado está errado. "Ainda" aqui tem valor aditivo (acrescenta uma nova informação: mais um estudo na UFMG), não consecutivo. A substituição por "inclusive" (que tem valor de inclusão/ênfase) também não preserva o sentido. O erro está na troca de valor semântico — "ainda" aditivo não equivale a "inclusive".

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"[...] como esportes e o contato com a natureza."

O valor apontado está correto: "como" tem valor exemplificativo (introduz exemplos). A substituição por "por exemplo" preserva o sentido perfeitamente. No trecho, a pesquisadora cita "esportes" e "contato com a natureza" como exemplos de atividades incompatíveis com o smartphone. A troca mantém a função de exemplificação. Esta é a única alternativa em que tanto o valor quanto o substituto estão corretos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Além disso, a pessoa pode alterar seu comportamento."

O valor apontado está correto: "além disso" tem valor aditivo (acrescenta uma informação). Porém, a substituição por "por isso" (que tem valor conclusivo) não preserva o sentido. A frase "Por isso, a pessoa pode alterar seu comportamento" muda a relação: em vez de somar um sintoma, estabelece uma consequência. O erro está na troca de valor semântico — o substituto não é equivalente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura valor semântico e substituto adequado. Em A, C e E, o valor está certo, mas o substituto é inadequado; em B, o valor já está errado. A única em que ambos estão corretos é a D.

PEGA ESSA DICA!

Ao testar substituição, troque o conectivo no trecho e leia a frase em voz alta. Se o sentido mudar, a alternativa está errada — mesmo que o valor apontado esteja correto.

Gabarito: letra D. A questão ensina que conectar não é só decorar listas: é perceber a função no contexto e testar se o substituto mantém a relação. Domine os valores básicos (tempo, causa, conclusão, adição, exemplificação) e o teste de substituição — isso resolve a maioria das questões de conectivos.

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