Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra QUE — INSTITUTO AOCP 2025
- Código
- qg543839
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- IF-MS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas III.
- DApenas I e II.
- EApenas II e III.
GabaritoB — Apenas II.
Esta questão depende de um texto-base compartilhado com outras questões da mesma prova, e esse texto não está disponível. A resolução abaixo ensina o método para julgar cada afirmativa, mas a confirmação final depende da leitura do texto original. O gabarito oficial é a letra B (apenas o item II é correto).
Gabarito: letra B. A única assertiva correta é a II, pois o "que" em "Uma criança que era tranquila" é pronome relativo e introduz oração subordinada adjetiva restritiva. O item I erra ao chamar de "causal" uma relação que é de consequência (o "que" retoma toda a ideia anterior e introduz uma oração coordenada ou subordinada consecutiva, não causal). O item III erra ao tratar o "que" como "complemento ao nome" — na verdade, ele é pronome relativo com função de sujeito da oração adjetiva explicativa.
A questão pede que você analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s). Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: você precisa identificar a função morfossintática do "que" em cada trecho. Não é interpretação de sentido, é análise sintática. O comando "analise as assertivas" indica que você deve julgar cada item como verdadeiro ou falso, e depois escolher a combinação correta.
O texto-base não está disponível, mas os trechos citados nas assertivas são suficientes para a análise sintática. Vejamos cada um:
Item I: "Eles são projetados para ser envolventes e estimulantes, o que leva a um [...]" — o "que" aqui é pronome relativo que retoma toda a oração anterior ("Eles são projetados..."), e a oração que ele introduz expressa consequência, não causa. A relação é de causa e consequência: a causa é o fato de serem envolventes, a consequência é "levar a um...". O "que" não é conjunção causal; é um pronome relativo com valor de consecutiva (equivale a "e isso leva a").
Item II: "Uma criança que era tranquila começa a ficar agressiva [...]" — o "que" é pronome relativo (retoma "criança") e introduz oração subordinada adjetiva restritiva, pois restringe o sentido de "criança": não é qualquer criança, mas aquela que era tranquila. A oração não é separada por vírgula, o que confirma a restrição.
Item III: "[...] foi realizado pela psiquiatra Júlia Khoury, que se dedicou [...]" — o "que" é pronome relativo (retoma "Júlia Khoury") e introduz oração subordinada adjetiva explicativa (separada por vírgula). Dentro dessa oração, o "que" exerce função de sujeito ("que se dedicou" = "ela se dedicou"). Não é complemento nominal; complemento nominal é termo que completa um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) com preposição, e aqui não há preposição nem função de complemento.
A pegadinha central é trocar o tipo de oração e a função sintática do pronome relativo. Para resolver, siga este roteiro:
Identifique se o "que" é pronome relativo ou conjunção. Se retoma um termo anterior e introduz oração adjetiva, é pronome relativo. Se liga orações sem retomar termo, é conjunção.
Se for pronome relativo, determine a função sintática que ele exerce na oração adjetiva. Pergunte: quem pratica a ação? quem sofre? etc.
Classifique a oração adjetiva: restritiva (sem vírgula, restringe) ou explicativa (com vírgula, explica).
Cuidado com a relação de causa/consequência: o "que" relativo pode ter valor consecutivo ("o que leva a"), mas não é conjunção causal.
Assertiva | Classificação do "que" | Função sintática | Tipo de oração | Correção |
|---|---|---|---|---|
I | Pronome relativo (retoma oração anterior) | Sujeito | Subordinada adjetiva (valor consecutivo) | ❌ Incorreta (não é causal) |
II | Pronome relativo (retoma "criança") | Sujeito | Subordinada adjetiva restritiva | ✅ Correta |
III | Pronome relativo (retoma "Júlia Khoury") | Sujeito | Subordinada adjetiva explicativa | ❌ Incorreta (não é complemento nominal) |
O item afirma que o "que" introduz "relação subordinada adverbial causal". Isso está errado por dois motivos:
O "que" não é conjunção subordinativa causal; é pronome relativo que retoma toda a oração anterior.
A relação semântica é de consequência, não de causa. A oração "o que leva a um [...]" expressa o efeito de "ser envolvente e estimulante".
Se fosse causal, poderíamos trocar por "porque" ou "já que", o que não é possível. O valor é de consecutiva (equivale a "de modo que", "por isso").
O item afirma que o "que" "materializa uma função subordinada adjetiva restritiva ao retomar o termo antecedente". Isso está correto:
"que" retoma "criança" (antecedente).
A oração "que era tranquila" restringe o sentido de "criança": não é qualquer criança, mas aquela que era tranquila.
Não há vírgula antes do "que", o que confirma a restrição.
Portanto, é uma oração subordinada adjetiva restritiva.
O item afirma que o "que" "constitui um complemento ao nome da psiquiatra". Isso está errado:
O "que" é pronome relativo (retoma "Júlia Khoury") e introduz oração subordinada adjetiva explicativa (separada por vírgula).
Dentro dessa oração, o "que" exerce função de sujeito: "que se dedicou" = "ela se dedicou".
Complemento nominal é termo que completa um nome com preposição (ex.: "medo de altura"). Aqui não há preposição nem função de complemento.
Apenas o item II é correto. Portanto, a alternativa correta é a letra B.
A banca troca o tipo de oração: chama de "causal" uma relação de consequência (item I) e chama de "complemento ao nome" o que é sujeito de oração adjetiva (item III). Fique atento à função sintática do pronome relativo.
Para classificar o "que", pergunte: ele retoma um termo anterior? Se sim, é pronome relativo. Depois, veja se a oração é restritiva (sem vírgula) ou explicativa (com vírgula). E para a função sintática, substitua o "que" pelo antecedente e veja qual papel ele exerce no verbo.
Gabarito: letra B
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