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Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg543840
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-MS
Ano
2025
Nível
Superior
A palavra é nomofobia

Em série de reportagens da Rádio UFMG Educativa, especialistas analisam as implicações da dependência digital e do uso excessivo de celulares pelas crianças

Por UFMG | Pesquisa e Inovação

        As novas tecnologias, como smartphones, tablets e outros dispositivos digitais móveis, provocaram a incorporação de uma nova palavra ao léxico especializado: nomofobia. O termo se refere ao uso exacerbado e dependente do celular e de outras tecnologias digitais. Desde 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a dependência digital como transtorno: ela desencadeia um medo irracional de estar sem o celular ou sem aparelhos eletrônicos no geral.

        A doença está listada na chamada Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID). Nos Estados Unidos, pesquisa realizada pela Common Sense Media trouxe resultados alarmantes: metade dos adolescentes se sentem viciados em usar o celular. Na UFMG, alguns estudos avaliam as consequências do vício em celular. Um deles foi realizado pela psiquiatra Júlia Khoury, que se dedicou no mestrado, no doutorado e no pós-doutorado a compreender a dependência digital.

        Júlia Khoury ensina como identificar crianças e adolescentes viciados no celular: “A criança ou adolescente aumenta cada vez mais o seu tempo de exposição. O tempo gasto nas telas impede a realização ou diminui a realização de outras atividades, principalmente aquelas de que gostava e que são incompatíveis com o smartphone, como esportes e o contato com a natureza. Além disso, a pessoa pode alterar seu comportamento. Uma criança que era tranquila começa a ficar agressiva. Uma criança que interagia bem começa a ficar mais introspectiva e deixa de interagir com as pessoas”, explica a pesquisadora.

[...] 

        Ainda na UFMG, a terapeuta ocupacional e doutora em Medicina Molecular Renata Santos estudou as associações entre tempo de tela e saúde mental. Ela também indica como perceber a nomofobia infantojuvenil: “Ela aparece quando começa a atrapalhar as outras atividades, quando começam os atrasos na entrega de tarefas de casa e da escola. As crianças também começam a mentir sobre a quantidade de tempo que passam no celular. Elas não acham nada mais interessante do que ficar no celular. Elas se sentem às vezes frustradas e tristes quando não podem usar. Precisam ficar cada vez mais tempo para poder satisfazer suas necessidades. E a gente percebe que elas têm fracassado nas tentativas de diminuir o uso”. 

        O córtex pré-frontal é a região do cérebro responsável por planejamento, tomada de decisões, autocontrole e regulação emocional, e pode não estar completamente desenvolvido até os 20 anos ou mais tarde. Em geral, de acordo com o campo da neuropediatria, os celulares estimulam vias de processamento cerebral passivas. O tempo excessivo durante o qual crianças e adolescentes passam diante de telas é um tempo em que deveriam ser estimulados pelas vias ativas. O ideal é praticar atividades para desenvolvimento da coordenação motora, da comunicação, da resolução de problemas e da sociabilidade de maneira off-line.

        Um cuidado especial deve ser tomado com as recompensas fáceis que as redes sociais ofertam ao córtex pré-frontal, prejudicando o desenvolvimento de uma região cerebral controladora de impulsos, atenção, julgamentos e tomada de decisão. Apesar de tanto se falar em vício em celular, muitos pais ainda duvidam que o dispositivo e outros eletrônicos possam viciar. A neuropediatra Letícia Sampaio responde se o cérebro infantojuvenil pode mesmo se viciar no uso de celular e demais telas: “Sim, a dependência digital ou o vício em tecnologia existe. Quando se está interagindo com um dispositivo eletrônico, muitas vezes, se tem como recompensa uma gratificação imediata por meio dos jogos ou das redes sociais, dos vídeos ou de alguma forma de entretenimento. Então, isso leva a um ciclo de recompensa que vai estimular cada vez mais o uso contínuo dos aplicativos desses conteúdos digitais. Eles são projetados para ser envolventes e estimulantes, o que leva a um comportamento mais compulsivo. É aquela necessidade de verificar toda hora o telefone: a pessoa não pode ficar off-line nem um minuto, tem medo de perder algo que seja importante nas redes sociais”. 

Adaptado de: https://ufmg.br/comunicacao/noticias/vicio-aoalcance-das-maos-uso-abusivo-infanto-juvenil-de-celulares. Acesso em: 6 mar. 2025. 
Assinale a alternativa que apresenta, em relação à concordância, uma reescrita INCORRETA de frases adaptadas do texto.
  1. AUma parcela dos adolescentes, atualmente, sente-se viciada em usar o celular.
  2. BA maioria das tecnologias provocaram a incorporação de uma nova palavra: nomofobia.
  3. CAs pessoas veem um fracasso nas tentativas de diminuir o uso de dispositivos digitais.
  4. DElas têm um sentimento de frustração e tristeza quando não podem usar o celular.
  5. EBastante pais ainda duvidam que o dispositivo e outros eletrônicos possam viciar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Bastante pais ainda duvidam que o dispositivo e outros eletrônicos possam viciar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal e nominal: a pegadinha do "bastante"

Gabarito: letra E. A reescrita INCORRETA é a que emprega "bastante" como advérbio invariável para modificar o substantivo "pais", quando, no contexto, o correto seria a forma adjetiva plural "bastantes pais" (equivalente a "muitos pais"). Como se lê no texto: "Apesar de tanto se falar em vício em celular, muitos pais ainda duvidam" — a ideia é de quantidade, e "bastante" aí deveria ser adjetivo, variando em número. Portanto, "Bastante pais" está errado; o correto seria "Bastantes pais".

O comando pede a reescrita INCORRETA em relação à concordância. Isso significa que devemos analisar cada alternativa quanto à correção gramatical, não quanto ao sentido ou à fidelidade ao texto. A banca testa dois pontos clássicos: a concordância verbal com expressões partitivas (como "a maioria de", "uma parcela de") e a concordância nominal com a palavra "bastante", que pode ser advérbio (invariável) ou adjetivo (variável).

Concordância verbal com partitivos: Quando o sujeito é uma expressão partitiva ("a maioria de", "uma parcela de", "grande parte de") seguida de um substantivo no plural, o verbo pode concordar com o núcleo da expressão (no singular) ou com o termo especificador (no plural). Ambas as formas são aceitas pela norma culta. Exemplo: "A maioria dos alunos aprovou" ou "A maioria dos alunos aprovaram". A alternativa B usa "A maioria das tecnologias provocaram" — a concordância no plural é permitida, pois o verbo concorda com "tecnologias". Portanto, a B está correta.

Concordância nominal com "bastante": A palavra "bastante" pode ser:

  • Advérbio (invariável): modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio, com sentido de "muito". Ex.: "Ela é bastante inteligente."

  • Adjetivo (variável): modifica substantivo, com sentido de "muitos/muitas". Ex.: "Havia bastantes pessoas na festa."

No texto, "muitos pais" indica quantidade, e a reescrita com "bastante" deveria usar a forma adjetiva plural "bastantes pais". A alternativa E escreve "Bastante pais" — usando o advérbio invariável para modificar o substantivo "pais", o que é gramaticalmente incorreto. O correto seria "Bastantes pais" (adjetivo) ou "Muitos pais". Portanto, a incorreta é a E.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "bastante" advérbio (invariável) e "bastante" adjetivo (variável). No texto, "muitos pais" indica quantidade, e a reescrita com "bastante" deveria usar a forma adjetiva plural "bastantes pais". A alternativa E usa "bastante" invariável, o que é incorreto.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever frases, verifique se a palavra "bastante" modifica um substantivo (adjetivo, variável) ou um verbo/adjetivo/advérbio (advérbio, invariável). Se modificar substantivo, use "bastantes" no plural.

"Bastante"
  • 1Advérbio (invariável)
    • Modifica verbo, adjetivo ou advérbio
    • Ex.: "Ela é bastante inteligente"
  • 2Adjetivo (variável)
    • Modifica substantivo
    • Ex.: "Havia bastantes pessoas"
    • "Bastante pais" — incorreto
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Alternativa A — ✅ Correta

A frase "Uma parcela dos adolescentes, atualmente, sente-se viciada em usar o celular" está correta. O sujeito é "Uma parcela dos adolescentes" — expressão partitiva. O verbo "sente-se" concorda com o núcleo "parcela" (singular), o que é permitido. O adjetivo "viciada" concorda com "parcela" (feminino singular). A concordância está perfeita.

Alternativa B — ✅ Correta

A frase "A maioria das tecnologias provocaram a incorporação de uma nova palavra: nomofobia" está correta. O sujeito é "A maioria das tecnologias" — expressão partitiva. O verbo "provocaram" concorda com "tecnologias" (plural), o que é permitido pela norma culta. A concordância no plural é aceita quando o especificador está no plural.

Alternativa C — ✅ Correta

A frase "As pessoas veem um fracasso nas tentativas de diminuir o uso de dispositivos digitais" está correta. O sujeito "As pessoas" concorda com o verbo "veem" (3ª pessoa do plural). O restante da frase está bem estruturado, sem desvios de concordância.

Alternativa D — ✅ Correta

A frase "Elas têm um sentimento de frustração e tristeza quando não podem usar o celular" está correta. O sujeito "Elas" concorda com o verbo "têm" (3ª pessoa do plural). O objeto "um sentimento de frustração e tristeza" está bem formado. Não há erro de concordância.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A frase "Bastante pais ainda duvidam que o dispositivo e outros eletrônicos possam viciar" está incorreta. O termo "bastante" modifica o substantivo "pais", portanto deveria ser adjetivo e variar em número: "Bastantes pais". O uso de "bastante" invariável é típico de advérbio, mas aqui ele não modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio — modifica um substantivo. O correto seria "Bastantes pais" ou "Muitos pais".

Conclusão: A única reescrita incorreta é a letra E, pois emprega "bastante" como advérbio invariável para modificar o substantivo "pais", quando o correto seria a forma adjetiva plural "bastantes pais". As demais alternativas estão gramaticalmente corretas, inclusive a B, que usa a concordância facultativa com expressão partitiva.

Gabarito: letra E

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