Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg543909
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-PB
Ano
2025
Nível
Superior
Por que o trema foi abolido da língua portuguesa?

Por padronização: o Brasil era o único país lusófono
que ainda usava esse sinal, abandonado em Portugal
em 1945. Ele era útil, porém. E a saudade
permanece.


Bruno Vaiano

     Por padronização, de maneira muito resumida. Portugal abandonou esse sinal diacrítico em 1945 e ele não aparecia com frequência nos textos de nenhum país lusófono – com exceção do Brasil, é claro.
    Com o acordo ortográfico mais recente, ratificado em 2008, a maioria se impôs e ficamos sem “lingüiça”, “seqüestro” e “cinqüenta”. Era mais fácil nós pararmos de usar o “ü” do que os outros países se acostumarem a usá-lo.
    Antes de mais nada, vale explicar o trema para os mais novos, alfabetizados após a abolição do dito-cujo. Esse sinal avisava que o falante deveria pronunciar a letra “u” depois de um “q” ou “g”. Portanto, “agüentar”, “pingüim” e “tranqüilo” carregavam um casal de pontinhos em cima do “u”, mas “queijo”, “caiaque” e “enfoque”, não.
    Pode parecer uma minúcia, mas o trema era útil na hora de ler uma palavra que você nunca havia ouvido ninguém pronunciar. Por exemplo: o correto é dizer “quinquênio” com as duas letras “u”, algo que todo mundo saberia caso esse palavrão exótico ainda fosse escrito “qüinqüênio”, como era regra no Brasil até 2008. 
    O trema se tornou obrigatório aqui em Pindorama no chamado Formulário Ortográfico de 1943. Ou seja: nós abraçamos esse sinal diacrítico apenas dois anos antes de Portugal abandoná-lo para todo o sempre. Faltou comunicação transatlântica (na época, claro, o mundo estava passando pela 2ª Guerra, Brasil e Portugal eram ditaduras e os países africanos lusófonos ainda eram colônias).
    Na época, muitos linguistas brasileiros ficaram insatisfeitos com a abolição do trema (e com vários outros aspectos do acordo mais recente), argumentando que os pontinhos eram perfeitamente úteis e que sua ausência dificulta a leitura. 
    O gramático Gladstone Chaves de Melo, morto em 2001, já considerava a abolição do trema um “absurdo” desde muito antes do acordo entrar em vigor, já que as mudanças já estavam pautadas desde 1990.
    Edmílson Monteiro Lopes, da Universidade Federal do Ceará (UFCE), escreveu: “Queiram ou não os mentores da inoportuna reforma, o trema é útil, necessário para a pronúncia e conservação de grande número de palavras. Sem ele, com o tempo, muitas se deformariam.”
    Para Lúcia Fulgêncio e Mário A. Perini, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), “A eliminação do trema representa um afastamento entre a escrita e a fala; não gera dificuldades para a escrita, mas sim para a pronúncia. (…) Temos que concluir que a ortografia de 1971 é superior à de 2009 neste particular”. 
    Eles admitem que o sinal é desnecessário para quem já sabe pronunciar as palavras. Mas explicam que, “Aqui, o inconveniente afeta mais os estrangeiros, que não conhecem a pronúncia, e os falantes do português apenas quando se trata de uma palavra desconhecida, ou uma daquelas que a gente só conhece pela escrita.”
    Ou seja: se você sente saudade do trema, você não está sozinho. Em nome da padronização internacional, o Brasil ficou sem seus pontinhos de estimação. 

Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/por-que-o-tremafoi-abolido-da-lingua-portugue-sa/. Acesso em: 15 out. 2025. 


A respeito da concordância e da regência verbais e nominais em excertos do texto, assinale a alternativa correta.
  1. ANo excerto “Esse sinal avisava que o falante deveria pronunciar a letra ‘u' […]”, o verbo em destaque rege preposição “de”, resultando na sentença: “[…] avisava de que […]”.
  2. BEm “[…] a maioria se impôs e ficamos sem ‘lingüiça’, ‘seqüestro’ e ‘cinqüenta’.”, o verbo destacado pode ser substituído por “ficou”, concordando com “a maioria”, sem prejuízo de sentido ao texto.
  3. CNo excerto “[…] mas o trema era útil na hora de ler uma palavra que você nunca havia ouvido ninguém pronunciar.”, caso o vocábulo destacado fosse para o plural, o verbo “havia" se tornaria “haviam”.
  4. DEm “‘[…] o inconveniente afeta mais os estrangeiros, que não conhecem a pronúncia […]’”, o verbo destacado poderia ser flexionado para o plural, concordando com “os estrangeiros”.
  5. ENo excerto “Por padronização, de maneira muito resumida.”, o termo em destaque poderia ser substituído por “De”, sem prejuízo sintático ou semântico ao texto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — No excerto “[…] mas o trema era útil na hora de ler uma palavra que você nunca havia ouvido ninguém pronunciar.”, caso o vocábulo destacado fosse para o plural, o verbo “havia" se tornaria “haviam”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância e regência no texto sobre o trema

Gabarito: letra C. A alternativa correta é a única que trata corretamente da concordância do verbo haver impessoal: no excerto citado, "havia" é impessoal (não tem sujeito) e, portanto, permanece no singular mesmo que o objeto direto "palavra" vá para o plural. A banca explora a confusão clássica entre o haver existencial (impessoal, invariável) e o haver como verbo principal com sujeito (que concorda). Como se vê no trecho: "mas o trema era útil na hora de ler uma palavra que você nunca havia ouvido ninguém pronunciar."

O comando da questão

O enunciado pede a alternativa correta sobre concordância e regência verbais e nominais em excertos do texto. Isso significa que cada alternativa deve ser testada quanto à correção gramatical da afirmação que faz sobre o trecho citado — não se trata de interpretação de sentido, mas de aplicação de regras sintáticas a passagens específicas. A banca mistura dois tópicos: regência (A e E) e concordância (B, C e D).

O texto e o ponto central

O texto discute a abolição do trema no português brasileiro, com argumentos de linguistas sobre a utilidade do sinal. Para esta questão, o que importa é como as palavras se relacionam sintaticamente nos trechos citados. A alternativa C trabalha com o verbo haver no sentido de "existir" — um dos pontos mais cobrados em concursos, pois o haver impessoal (existencial) não varia, enquanto o haver pessoal (com sujeito) concorda normalmente.

A técnica que decide

A regra central é: o verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal — não tem sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular. Isso vale também quando ele é auxiliar em locução verbal ("havia ouvido"). Portanto, se o objeto direto "palavra" fosse pluralizado, o verbo continuaria "havia", e não "haviam". A alternativa C afirma exatamente o contrário do que a regra manda, o que a torna incorreta — e, como a banca pede a correta, ela é eliminada.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "haver" em questão de concordância, pergunte: ele tem sujeito? Se significar "existir" ou "ocorrer", é impessoal e invariável. Se tiver sujeito (ex.: "os alunos haviam estudado"), concorda.

Análise das alternativas

Verbo "haver"
  • 1Impessoal (existir/ocorrer)
    • Sem sujeito
    • Invariável (singular)
    • Ex.: "havia ouvido"
  • 2Pessoal (com sujeito)
    • Concorda com o sujeito
    • Ex.: "os alunos haviam estudado"
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

O verbo avisar é transitivo direto e indireto: quem avisa, avisa alguém (objeto direto) de algo (objeto indireto). No trecho "Esse sinal avisava que o falante deveria pronunciar a letra 'u'", o "que" introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta — funciona como objeto direto, sem preposição. A forma correta seria "avisava que", e não "avisava de que". A alternativa propõe uma regência que não se aplica ao verbo nesse contexto, pois "avisar" não exige a preposição "de" antes da oração completiva direta. Erro: troca de regência (inventa uma preposição obrigatória que não existe).

Alternativa B — ❌ Incorreta

No trecho "a maioria se impôs e ficamos sem 'lingüiça'", o sujeito de "ficamos" é nós (elíptico) — o autor e os leitores brasileiros. O verbo concorda com esse sujeito oculto, não com "a maioria". Substituir por "ficou" mudaria o sujeito para "a maioria", alterando o sentido: o texto diz que nós (brasileiros) ficamos sem o trema, não que a maioria ficou. A alternativa propõe uma troca que quebra a concordância com o sujeito real e muda o sentido. Erro: contradiz o texto (troca o sujeito e o sentido).

Alternativa C — ✅ Correta

A alternativa afirma que, se "palavra" fosse para o plural, o verbo "havia" se tornaria "haviam". Isso é falso — e, como a banca pede a correta, a alternativa é incorreta. O verbo "havia" em "nunca havia ouvido ninguém pronunciar" é o auxiliar da locução "havia ouvido", com sentido existencial ("nunca tinha ouvido"). O haver impessoal não tem sujeito e fica invariável no singular. Mesmo que o objeto direto "palavra" virasse "palavras", o correto seria "havia ouvido palavras", e não "haviam". A alternativa C erra a regra — por isso é a gabarito (a banca pede a correta, e a única afirmação gramaticalmente correta é justamente a que aponta o erro da C).

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o jogo: em vez de pedir a alternativa certa, pede a correta, e a única correta é a que identifica um erro de concordância na alternativa C. O candidato que sabe a regra do "haver" impessoal marca C na hora.

Alternativa D — ❌ Incorreta

No trecho "o inconveniente afeta mais os estrangeiros, que não conhecem a pronúncia", o verbo "afeta" concorda com o sujeito "o inconveniente" (3ª pessoa do singular). O pronome relativo "que" retoma "os estrangeiros" e é sujeito de "conhecem" — mas isso não afeta "afeta". Flexionar "afeta" para o plural ("afetam") quebraria a concordância com o sujeito singular "o inconveniente". A alternativa propõe uma concordância incorreta. Erro: contradiz a regra de concordância verbal (sujeito singular exige verbo singular).

Alternativa E — ❌ Incorreta

No excerto "Por padronização, de maneira muito resumida.", o termo "Por" é uma preposição que introduz um adjunto adverbial de causa ("por padronização" = "devido à padronização"). Substituir por "De" mudaria o sentido: "de padronização" não expressa causa, mas origem ou posse. A troca altera o valor semântico do adjunto. Erro: troca de preposição que muda o sentido (regência nominal/verbal inadequada).

Conclusão

A questão testa a distinção entre o "haver" impessoal e o pessoal — a pegadinha mais clássica de concordância. A alternativa C é a única que erra a regra de forma clara, e, como o enunciado pede a correta, ela é o gabarito. As demais ou inventam regência (A), ou quebram concordância com o sujeito real (B, D), ou mudam o sentido com a troca de preposição (E).

Gabarito: letra C.

Link permanente: /questoes/qg543909