Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg543940
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Texto 2


Como garantir a dose necessária de vitamina D – sem suplementos

A carência dessa molécula é um problema global.
Mas o excesso também traz riscos. Entenda como fazer o balanço ideal.

Manuela Mourão

   
   De todas as vitaminas que fazem o nosso corpo funcionar, uma das mais conhecidas é a D. A “vitamina do sol” ajuda a manter os ossos fortes, auxilia os músculos e o sistema imunológico.

   Não só: essa molécula desempenha papéis importantes pelo corpo, como nas vias neurológicas e nas cascatas de sinalização relacionadas à saúde mental. [...]

   Muitas pessoas acabam optando pela suplementação para resolver a carência de vitamina D. Sem orientação médica, porém, isso pode ser um problema, já que níveis acima de 100 ng/mL podem indicar risco de toxicidade (esses dados podem ser obtidos por exames de sangue simples).

   Afinal, qual a melhor saída para garantir que os níveis ideais estejam sendo absorvidos pelo corpo?

   A maneira mais fácil é a mais conhecida: pelo sol. Dois tipos de raios ultravioleta chegam até a nossa pele: o UVA, que bronzeia e envelhece, e o UVB, que queima e fabrica vitamina D. Os dois, porém, podem causar câncer de pele. Para quem tem pele clara, bastam de 10 a 20 minutinhos de sol, três vezes por semana, para garantir a dose de vitamina D. Já peles mais escuras precisam de um tempinho maior: até cinco vezes mais.

   Mas não é tão simples: tudo depende da hora do dia, da estação e até de onde você está no planeta. O ideal é pegar sol entre 10h e 15h, quando os raios UVB estão em ação. De manhã cedo, no fim da tarde ou no inverno, esses raios passam por um caminho mais longo e são bloqueados pelo ozônio.

   E não adianta tentar se bronzear pela janela: vidro, nuvem e poluição também barram a vitamina D. A boa notícia? Protetor solar, ao contrário do que se pensava, não atrapalha tanto assim a produção desse nutriente, segundo estudos mais recentes.

   Porém, mesmo nesse país tropical, às vezes falta sol. Esse problema é recorrente em países do hemisfério norte, que lidam com invernos intensos e até meses sem a luz do astro. Nestes locais, a quantidade de vitamina D costuma ser garantida via alimentação.

   Os campeões naturais da vitamina D são os peixes gordurosos – tipo truta, atum, salmão e cavala – além dos óleos de fígado de peixe e cogumelos expostos à luz UV. Dá pra encontrar um pouco também em gema de ovo, queijo e fígado bovino. [...]

   No entanto, tudo tem um limite: muita vitamina D pode causar náusea, fraqueza muscular, confusão, vômitos, desidratação e, em casos mais graves, podem levar a problemas nos rins e no coração.

   Por fim, a recomendação não muda: incluir suplementos na dieta só é necessário e recomendado com acompanhamento médico.


Adaptado de: https://super.abril.com.br/saude/como-garantir-adose-necessaria-de-vitamina-d-sem-suplementos/. Acesso em: 30 jun. 2025.
Assinale a alternativa em que a segunda oração estabelece com a primeira uma relação sintático-semântica de finalidade.
  1. A“Muitas pessoas acabam optando pela suplementação para resolver a carência de vitamina D.”.
  2. B“[...] isso pode ser um problema, já que níveis acima de 100 ng/mL podem indicar risco de toxicidade [...]”.
  3. C“Esse problema é recorrente em países do hemisfério norte, que lidam com invernos intensos [...]”.
  4. D“A carência dessa molécula é um problema global. Mas o excesso também traz riscos.”.
  5. E“[...] tudo tem um limite: muita vitamina D pode causar náusea [...]”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “Muitas pessoas acabam optando pela suplementação para resolver a carência de vitamina D.”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações subordinadas adverbiais: a relação de finalidade

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única em que a segunda oração estabelece com a primeira uma relação sintático-semântica de finalidade: em "Muitas pessoas acabam optando pela suplementação para resolver a carência de vitamina D", a oração "para resolver a carência de vitamina D" expressa a intenção, o objetivo da ação de "optar pela suplementação". A preposição para + verbo no infinitivo, quando equivale a "a fim de", é o marcador clássico de finalidade, como se lê no trecho citado.

O comando pede que você identifique a relação sintático-semântica de finalidade entre duas orações. Isso significa que você deve procurar a alternativa em que a segunda oração responde à pergunta "para quê?" ou "com que objetivo?" em relação à primeira. Não se trata de uma questão de compreensão global do texto, mas de análise sintática e semântica de um conectivo específico: a preposição para (ou locuções como "a fim de") antes de um verbo no infinitivo.

No texto, a passagem que contém a resposta está no terceiro parágrafo:

"Muitas pessoas acabam optando pela suplementação para resolver a carência de vitamina D."

Aqui, a oração "para resolver a carência de vitamina D" indica o propósito da ação de "optar pela suplementação". A pergunta "por que as pessoas optam pela suplementação?" tem como resposta "para resolver a carência". Essa é a essência da relação de finalidade: a segunda oração expressa o objetivo da primeira.

A técnica para resolver questões como esta é testar cada alternativa substituindo o conectivo por "a fim de". Se a substituição fizer sentido e preservar o significado, a relação é de finalidade. Nas demais alternativas, os conectivos estabelecem outras relações: causa, explicação, restrição e explicação, respectivamente.

1Finalidade
"para" + infinitivo
equivale a "a fim de"
responde a "para quê?"
2Causa
"já que"
responde a "por quê?"
3Adjetiva
pronome relativo "que"
caracteriza/restringe
4Adversativa
"mas"
oposição
5Explicativa
dois-pontos
especifica
Orações subordinadas adverbiais
LEVELsoulevel.com.br
Orações subordinadas adverbiais: Finalidade ("para" + infinitivo, equivale a "a fim de", responde a "para quê?"); Causa ("já que", responde a "por quê?"); Adjetiva (pronome relativo "que", caracteriza/restringe); Adversativa ("mas", oposição); Explicativa (dois-pontos, especifica)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Muitas pessoas acabam optando pela suplementação para resolver a carência de vitamina D."

A oração "para resolver a carência de vitamina D" expressa a finalidade da ação de "optar pela suplementação". A preposição para + infinitivo, equivalendo a "a fim de", é o marcador típico de finalidade. A pergunta "para quê?" encontra resposta direta: "para resolver a carência". É a única alternativa em que a segunda oração indica o objetivo da primeira.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"[...] isso pode ser um problema, já que níveis acima de 100 ng/mL podem indicar risco de toxicidade [...]"

A locução já que estabelece relação de causa (ou explicação): a segunda oração apresenta o motivo pelo qual "isso pode ser um problema". Não há finalidade, pois não se responde a "para quê?", mas a "por quê?". A banca troca o valor semântico do conectivo: causa por finalidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Esse problema é recorrente em países do hemisfério norte, que lidam com invernos intensos [...]"

O pronome relativo que introduz uma oração subordinada adjetiva (restritiva ou explicativa), que caracteriza "países do hemisfério norte". A relação é de restrição/caracterização, não de finalidade. A segunda oração funciona como um adjetivo, não como um adjunto adverbial de objetivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A carência dessa molécula é um problema global. Mas o excesso também traz riscos."

A conjunção mas estabelece relação de oposição/adversidade entre as duas orações. A segunda oração contrapõe-se à primeira, apresentando uma ideia contrária. Não há qualquer noção de finalidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"[...] tudo tem um limite: muita vitamina D pode causar náusea [...]"

Os dois-pontos introduzem uma explicação ou especificação do que seria "o limite". A segunda oração explica, detalha a primeira, mas não expressa finalidade. A relação é de explicação/especificação, não de objetivo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca do valor semântico dos conectivos. A alternativa B usa "já que" (causa) para tentar confundir com finalidade; a C usa o pronome relativo "que" (adjetiva); a D usa "mas" (adversativa); e a E usa os dois-pontos (explicação). A única com "para" + infinitivo no sentido de "a fim de" é a A.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar finalidade, pergunte "para quê?" e teste a substituição por "a fim de". Se a troca preservar o sentido, é finalidade. Desconfie de conectivos como "já que" (causa), "mas" (oposição) e "que" (adjetiva).

Gabarito: letra A — a única em que a segunda oração expressa o objetivo da primeira, marcado pela preposição para + infinitivo.

Link permanente: /questoes/qg543940