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Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg543949
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Texto 1


Obesidade infantil: um prato cheio de desigualdades

Não bastasse contexto socioeconômico que dificulta a alimentação saudável e a atividade física, indústria se aproveita da vulnerabilidade das crianças

Clóvis Francisco Constantino


   A cada ano, o Brasil se distancia do ideal de uma infância saudável. Os dados falam por si: uma em cada três crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos estão com sobrepeso ou obesidade. A Federação Mundial da Obesidade projeta que, em uma década, metade dessa população estará nessa condição. E o problema começa cedo: antes mesmo dos cinco anos de idade, 15% das crianças já convivem com a obesidade, de acordo com o Ministério da Saúde. A pandemia de Covid-19 agravou esse cenário, mas a tendência é anterior – e persistente.

   O problema não se resume à soma de más escolhas. A obesidade é uma doença crônica multifatorial, acentuada pela interação entre fatores genéticos, ambientais e sociais. Nas grandes cidades, famílias de menor renda enfrentam um grande desafio: alimentos ultraprocessados são mais baratos e acessíveis do que os frescos; e bairros periféricos muitas vezes não oferecem segurança, áreas verdes ou estrutura para atividades físicas.

   Não bastasse o contexto urbano obesogênico, a indústria alimentícia se aproveita da vulnerabilidade da infância. Com embalagens coloridas, personagens e brindes, o marketing de alimentos ultraprocessados mira as crianças. É urgente rever essas práticas de publicidade e a composição dos produtos oferecidos à população em geral.

   Nesse panorama, o governo tem papel central. Políticas públicas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), os Guias Alimentares, a rotulagem nutricional frontal e outras estratégias pontuais são iniciativas relevantes, mas precisam de mais investimento, fiscalização e articulação. Os alimentos oferecidos nas escolas, por exemplo, devem ser adequados, e as famílias precisam ter informação clara.

   Os pediatras têm a responsabilidade de acolher, orientar e acompanhar crianças e adolescentes com excesso de peso sem estigma. A boa consulta pediátrica sempre inclui a avaliação do tempo de tela, a promoção da atividade física e a escuta ativa sobre aspectos emocionais. Obesidade está associada a depressão, ansiedade, bullying e baixa autoestima. A abordagem clínica, portanto, precisa ser integral, respeitando a cultura familiar e a realidade socioeconômica.

   As escolas também são aliadas. Aulas de educação alimentar, hortas escolares, ambientes que favoreçam o movimento e o jogo livre devem fazer parte do cotidiano educacional. Mais do que proibir alimentos pouco saudáveis, é preciso ensinar que comer bem pode ser simples, prazeroso e transformador. Afinal, educação é saúde.

   Quanto aos pais e responsáveis, estes possuem um papel intransferível. Não se trata de atribuir culpa, mas de reconhecer a importância na formação de hábitos. Refeições feitas em conjunto, limitação no tempo de telas, incentivo à brincadeira e atenção às questões emocionais são atitudes que, mesmo com poucos recursos, podem fazer a diferença. Quando bem informadas e apoiadas, as famílias tornam-se protagonistas da mudança.

   Combater a obesidade infantil é mais do que conter uma estatística: é enfrentar as desigualdades que pesam no prato das crianças brasileiras.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/06/obesidade-infantilum-prato-cheio-de-desigualdades.shtml. Acesso em 30 jun. 2025.
Assinale a alternativa que analisa corretamente o excerto “Combater a obesidade infantil é mais do que conter uma estatística: é enfrentar as desigualdades que pesam no prato das crianças brasileiras.”.
  1. AA figura de linguagem “hipérbole” é utilizada para expressar que as desigualdades “pesam” no prato das crianças.
  2. BEm “mais do que”, o elemento destacado é uma conjunção integrante que introduz uma oração que funciona de complemento para o verbo “é”.
  3. CEm “que pesam”, o elemento destacado é um pronome relativo que retoma a palavra “desigualdades”.
  4. DÉ possível pressupor que combater a obesidade infantil não é conter uma estatística.
  5. EO uso de dois pontos é obrigatório no excerto, pois introduz uma citação direta.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Em “que pesam”, o elemento destacado é um pronome relativo que retoma a palavra “desigualdades”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise sintática e semântica do excerto final

Gabarito: letra C. No trecho “Combater a obesidade infantil é mais do que conter uma estatística: é enfrentar as desigualdades que pesam no prato das crianças brasileiras”, o “que” em “que pesam” é pronome relativo — retoma “desigualdades” e introduz a oração adjetiva “que pesam no prato das crianças brasileiras”. A prova está na possibilidade de substituir “que” por “as quais”: “as desigualdades as quais pesam…”. As demais alternativas ou classificam mal o termo, ou extrapolam o sentido do texto.

O comando pede que você analise corretamente o excerto — ou seja, exige conhecimento de sintaxe (função do “que”) e de semântica (figuras, pressuposição, pontuação). Não é uma questão de mera compreensão global; é uma questão de gramática aplicada ao texto. Por isso, o método é: identificar a classe e a função de cada elemento destacado e confrontar com o que o texto realmente diz.

No excerto, temos dois “que”: o primeiro, em “mais do que”, faz parte da locução comparativa “mais do que” (não é conjunção integrante); o segundo, em “que pesam”, é um pronome relativo que retoma “desigualdades”. A oração “que pesam no prato das crianças brasileiras” é uma oração subordinada adjetiva restritiva — restringe quais desigualdades: aquelas que pesam no prato. O verbo “pesam” concorda com “desigualdades” (3ª pessoa do plural), o que confirma a referência.

A banca adora armar a pegadinha da troca de termo: confundir pronome relativo com conjunção integrante. A conjunção integrante introduz oração substantiva (substituível por “isso”), enquanto o pronome relativo retoma um antecedente e introduz oração adjetiva (substituível por “o qual/a qual”). Aqui, “que pesam” não pode ser trocado por “isso” — “as desigualdades isso pesam” não faz sentido. Já “as desigualdades as quais pesam” funciona perfeitamente.

Outra armadilha é a hipérbole (alternativa A): o verbo “pesar” está em sentido figurado, mas não há exagero intencional — é uma metáfora (as desigualdades são como um peso sobre o prato). Hipérbole seria “pesam toneladas”. A alternativa D tenta uma pressuposição que o texto não autoriza: o autor não diz que combater a obesidade NÃO é conter estatística; ele diz que é “mais do que” isso — ou seja, é isso E algo além. A alternativa E erra ao afirmar que os dois pontos introduzem citação direta; na verdade, introduzem uma explicação/especificação.

"Que" no excerto
  • 1"mais do que"
    • Locução comparativa
    • Não é conjunção integrante
  • 2"que pesam"
    • Pronome relativo
    • Retoma "desigualdades"
    • Substituível por "as quais"
    • Oração adjetiva restritiva
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que há hipérbole em “pesam”. Hipérbole é o exagero intencional (ex.: “chorei rios de lágrimas”). No texto, “pesam” é usado em sentido conotativo — as desigualdades são um fardo simbólico sobre o prato das crianças. Isso é metáfora, não hipérbole. Não há exagero; há transferência de sentido. A banca tenta confundir figura de palavra com figura de pensamento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que “mais do que” é conjunção integrante. Conjunção integrante introduz oração substantiva (substituível por “isso”) — ex.: “quero que você venha” = “quero isso”. No excerto, “mais do que” é uma locução comparativa — estabelece comparação entre “conter uma estatística” e “enfrentar as desigualdades”. Não introduz oração que funcione como complemento do verbo “é”. O “que” aqui faz parte da expressão “mais do que”, e não tem função de conector integrante.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que “que pesam” é pronome relativo que retoma “desigualdades”. Confirma-se pela substituição: “as desigualdades as quais pesam no prato…”. O pronome relativo retoma o antecedente “desigualdades” e introduz a oração adjetiva “que pesam no prato das crianças brasileiras”. O verbo “pesam” concorda com “desigualdades” (3ª pessoa do plural), o que reforça a referência. É a única análise sintaticamente correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que é possível pressupor que combater a obesidade infantil não é conter uma estatística. O texto diz: “Combater a obesidade infantil é mais do que conter uma estatística”. Isso significa que é conter uma estatística e também enfrentar as desigualdades. Não há pressuposição de negação; há uma gradação — o autor eleva o conceito, não o nega. A alternativa extrapola ao transformar “mais do que” em “não é”.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os dois pontos são obrigatórios e introduzem citação direta. No excerto, os dois pontos introduzem uma explicação — “é enfrentar as desigualdades…” — que esclarece o que significa “mais do que conter uma estatística”. Não há citação direta (discurso alheio transcrito). Além disso, o uso dos dois pontos não é obrigatório; poderia ser substituído por vírgula ou travessão. A alternativa contradiz a função real do sinal de pontuação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o termo — faz você achar que “que” é conjunção integrante (B) ou que “pesam” é hipérbole (A). O teste decisivo: substitua “que” por “o qual/a qual” (pronome relativo) ou por “isso” (conjunção integrante).

PEGA ESSA DICA!

Em questões de análise sintática, sempre identifique o antecedente do “que”. Se houver um substantivo antes e o “que” puder ser trocado por “o qual”, é pronome relativo. Se não houver antecedente e puder ser trocado por “isso”, é conjunção integrante.

Gabarito: letra C.

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