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Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg543969
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE-RS
Ano
2025
Nível
Superior

O Texto 2 refere-se à questão.


Texto 2


Doar sangue com frequência pode deixar suas

células sanguíneas mais saudáveis


Em estudo, as células de doadores frequentes

apresentaram uma mutação que pode ajudar a

suprimir células cancerígenas.


Por Eduardo Lima


    Doar sangue frequentemente não é só uma questão de altruísmo e preocupação com o coletivo. De acordo com um novo estudo, doar sangue também pode aumentar as habilidades do doador de produzir células sanguíneas saudáveis, possivelmente reduzindo o risco de desenvolvimento de leucemia – tipo de câncer que afeta a formação das células do sangue, especialmente dos glóbulos brancos.


    Cientistas do Instituto Francis Crick, um centro de pesquisa biomédica em Londres, analisaram os dados genéticos de 217 homens da Alemanha, a partir de células sanguíneas doadas por eles. Todos os participantes do estudo tinham entre 60 e 72 anos de idade, e já haviam doado sangue mais de 100 vezes ao longo da vida


    Além dos super-doadores, os cientistas também investigaram amostras de sangue de 212 homens de idade parecida, mas que doaram sangue menos de 10 vezes durante a vida. Depois da comparação, eles perceberam que os homens que doavam sangue frequentemente tinham maior probabilidade de ter mutações no gene DNMT3A.


    O estudo dos pesquisadores do Instituto Francis Crick, publicado no periódico Blood, sugere que a mutação é benéfica e ajuda a suprimir células cancerosas na corrente sanguínea.



Mais rápido que células cancerosas 


    Para entender por que as mutações se espalharam entre os doadores frequentes, os cientistas criaram, em laboratório, algumas células-tronco geneticamente editadas para carregar essas modificações. Elas foram comparadas a células que não passaram por nenhum processo de edição. Para simular os efeitos da doação de sangue, eles adicionaram o hormônio eritropoietina (EPO), que é produzido pelo corpo depois da perda de sangue.


    Um mês depois, as células com mutações haviam crescido 50% mais rápido do que aquelas sem edição genética, mas só nos casos em que houve adição de EPO. Isso mostra que o hormônio favorece o crescimento de células com a mutação no gene DNMT3A. Quanto maior a exposição à eritropoietina, mais as células sanguíneas com a modificação se multiplicam.


    Para descobrir se ter mais células com mutações era algo benéfico, a equipe de cientistas misturou elas a outras células, com edições genéticas que aumentam o risco de leucemia. De novo, quando em contato com o hormônio EPO, as células com a mutação cresceram mais rápido, suprimindo o crescimento das cancerosas.


    Mais estudos são necessários para confirmar se é realmente isso que acontece com os doadores de sangue frequentes. O resultado pode ser diferente dentro de um laboratório, que tem variáveis controladas, em comparação a uma análise de pessoas de diferentes etnias e faixas etárias. É importante lembrar, também, que esse estudo só analisou casos de homens. [...] 


Adaptado de: https://super.abril.com.br/saude/doar-sangue-comfrequencia-pode-deixar-suas-celulas-sanguineas-mais-saudaveis/. Acesso em 30 jun. 2025. 

Assinale a alternativa que analisa corretamente o excerto “Um mês depois, as células com mutações haviam crescido 50% mais rápido do que aquelas sem edição genética, mas só nos casos em que houve adição de EPO.”
  1. AAs expressões “com mutações” e “sem edição genética” exercem a função sintática de adjunto adnominal, caracterizando um substantivo.
  2. BSe a palavra “edição” estivesse no plural (edições), o verbo deveria estar flexionado também no plural (houveram).
  3. CA troca de “mas” por “porém” tornaria o excerto mais adequado no que concerne ao uso da norma-padrão.
  4. DAs palavras “haviam” e “houve” são flexões do verbo “haver”, sendo empregados, nas duas ocorrências, com a mesma função e o mesmo sentido.
  5. EO termo “só” apresenta a mesma classificação morfológica e o mesmo sentido que em “Aos domingos, ele se sente só”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — As expressões “com mutações” e “sem edição genética” exercem a função sintática de adjunto adnominal, caracterizando um substantivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise sintática do excerto: adjunto adnominal e termos acessórios

Gabarito: letra A. As expressões “com mutações” e “sem edição genética” são adjuntos adnominais, pois caracterizam os substantivos “células” e “aquelas”, respectivamente, atribuindo-lhes uma qualidade sem exigir preposição obrigatória do nome. A prova está na função de caracterização que essas locuções exercem sobre os núcleos nominais, exatamente como define a função de adjunto adnominal.

O comando da questão

O enunciado pede que você analise corretamente o excerto, ou seja, que identifique a alternativa que faz uma afirmação verdadeira sobre a estrutura sintática e semântica do trecho. Isso não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao texto: você precisa reconhecer funções sintáticas, comportamento de verbos, classes de palavras e relações de sentido dentro do período.

O texto e o trecho analisado

O texto fala sobre os benefícios da doação frequente de sangue, mencionando um estudo que observou mutações no gene DNMT3A em doadores frequentes. O excerto analisado é:

“Um mês depois, as células com mutações haviam crescido 50% mais rápido do que aquelas sem edição genética, mas só nos casos em que houve adição de EPO.”

Aqui, temos duas orações coordenadas adversativas (ligadas por “mas”): a primeira afirma que as células com mutações cresceram mais rápido; a segunda restringe essa afirmação, dizendo que isso só ocorreu com adição de EPO. A análise sintática correta depende de identificar a função de cada termo dentro dessa estrutura.

A técnica que decide: adjunto adnominal × complemento nominal

O adjunto adnominal é o termo que caracteriza um substantivo, atribuindo-lhe uma qualidade, estado ou posse, sem que haja uma preposição obrigatória exigida pelo nome. Ele pode ser expresso por adjetivo, locução adjetiva, artigo, pronome ou numeral. Já o complemento nominal é o termo que completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) que exige preposição, funcionando como um objeto indireto do nome.

No trecho, “com mutações” e “sem edição genética” são locuções adjetivas (preposição + substantivo) que caracterizam os substantivos “células” e “aquelas”. Elas não são exigidas pelo nome; são informações acessórias que qualificam. Por isso, são adjuntos adnominais.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir adjunto adnominal de complemento nominal, pergunte: o nome exige a preposição para ter sentido completo? Se não, é adjunto adnominal. Ex.: “células com mutações” — “células” não exige “com”; é uma qualidade acrescentada.

Análise das alternativas

Adjunto adnominal × Complemento nominal
  • 1Adjunto adnominal
    • Caracteriza o substantivo
    • Sem preposição obrigatória
    • Ex.: "células com mutações"
  • 2Complemento nominal
    • Completa o sentido do nome
    • Exige preposição
    • Ex.: "medo de altura"
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

As expressões “com mutações” e “sem edição genética” são adjuntos adnominais, pois caracterizam os substantivos “células” e “aquelas”, respectivamente. A prova está na função de caracterização que essas locuções exercem sobre os núcleos nominais, exatamente como define a função de adjunto adnominal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Se a palavra “edição” estivesse no plural (edições), o verbo não deveria ser flexionado no plural (houveram). O verbo “haver” no sentido de existir é impessoal e fica sempre na 3ª pessoa do singular: “houve edições”, “houve mutações”. A flexão para o plural seria um erro de concordância, não uma obrigação. A alternativa contradiz a regra do verbo impessoal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A troca de “mas” por “porém” não tornaria o excerto mais adequado à norma-padrão. Ambas são conjunções coordenativas adversativas e podem ser usadas indistintamente para expressar oposição. A alternativa extrapola ao sugerir que uma é mais adequada que a outra, o que não procede.

Alternativa D — ❌ Incorreta

As palavras “haviam” e “houve” são flexões do verbo “haver”, mas não são empregadas com a mesma função e o mesmo sentido. Em “haviam crescido”, “haviam” é verbo auxiliar (locução verbal com o particípio “crescido”), indicando ação concluída. Em “houve adição”, “houve” é verbo principal no sentido de existir, impessoal. A alternativa confunde os dois usos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O termo “só” no excerto é um advérbio com sentido de “somente”, “apenas” (restringe a condição). Em “Aos domingos, ele se sente só”, “só” é um adjetivo com sentido de “sozinho”. A alternativa troca a classe gramatical e o sentido, pois são usos distintos.

Conclusão: A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra A, que identifica corretamente as locuções como adjuntos adnominais. As demais cometem erros de concordância, confundem usos do verbo “haver” e trocam a classe e o sentido de “só”.

Gabarito: letra A

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