Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra QUE — INSTITUTO AOCP 2025
Português›Funções morfossintáticas da palavra QUE
Código
qg543998
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Os impactos ambientais da computação
Intensivo em uso de energia e água, o setor responde
por 1,7% das emissões de carbono na atmosfera;
uma nova área de pesquisa surge para lidar com o
problema
Parte essencial da vida moderna, a computação
está em todos os lugares. É difícil imaginar o
cotidiano sem os recursos do mundo digital, como
internet, redes sociais, streaming de vídeo,
programas de inteligência artificial e os mais variados aplicativos. Governos, organizações e empresas de
diversos setores dependem cada vez mais das
tecnologias da informação e comunicação (TIC). O
crescente aumento da demanda computacional,
contudo, gera impactos no meio ambiente. Estima-se
que entre 5% e 9% da energia elétrica consumida no
mundo se destine à infraestrutura de TI e
comunicações em geral e ao seu uso. A Agência
Internacional de Energia (IEA) alerta para uma
tendência de forte aumento nessa demanda. O gasto
energético de data centers, instalações com robusto
poder de armazenamento e processamento de dados,
e dos setores de inteligência artificial (IA) e
criptomoedas, segundo a entidade, poderá dobrar no
mundo em 2026 em relação a 2022, quando foi de
460 terawatts-hora (TWh) – naquele mesmo ano, o
Brasil consumiu 508 TWh de energia elétrica.
“O uso de energia é inerente à computação”,
constata a cientista da computação Sarajane
Marques Peres, da Escola de Artes, Ciências e
Humanidades da Universidade de São Paulo
(EACH-USP) e pesquisadora do Centro de
Inteligência Artificial C4AI, financiado por FAPESP e
IBM. [...]
“Todas as nossas atividades digitais, como navegar
na internet, acessar redes sociais, participar de
videoconferências e enviar fotos para os amigos, têm,
em última instância, efeitos sobre o ambiente”, aponta
a cientista da computação Thais Batista, presidente
da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e
professora do Departamento de Informática da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN).
A energia destinada aos data centers é usada não
apenas para a operação dos servidores, mas também
para manter em funcionamento seu sistema de
refrigeração. “Por trabalharem sem parar em
processamento numérico, os computadores
aquecem, emitem calor e precisam ser resfriados e
mantidos em uma temperatura razoavelmente baixa”,
ressalta o cientista da computação Marcelo Finger, do
Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP. “A
depender da matriz que produz essa energia, haverá
mais ou menos efeitos nocivos no ambiente”, afirma
Peres, referindo-se à emissão de dióxido de carbono
(CO₂) quando são queimados combustíveis fósseis
para a obtenção da energia elétrica utilizada.
Google, Microsoft, Apple, Amazon e outras grandes
multinacionais de tecnologia, as chamadas big techs,
comprometeram-se a zerar suas emissões de
carbono até 2030 – segundo especialistas ouvidos
pela reportagem, não há indícios de que esse objetivo
possa ser atingido. Em 2023, último ano com dados
disponíveis, as emissões dessas companhias
cresceram principalmente por causa dos sistemas de
inteligência artificial, que demandam grande poder de
processamento – e, portanto, elevada carga
energética – para serem treinados e funcionar.
O aumento do consumo de energia e da emissão
de carbono não é o único fator que preocupa. O uso
intensivo de água por data centers para manter em
operação seus sistemas de refrigeração, bem como a
emissão de calor no ambiente, também acendem um
sinal de alerta. “O consumo hídrico é uma
preocupação mais recente, visto que a maioria dos
grandes data centers usa refrigeração líquida para
seus equipamentos de grande porte”, ressalta o
bacharel em computação científica Álvaro Luiz
Fazenda, do Instituto de Ciência e Tecnologia da
Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp), campus de São José dos Campos. Uma
das soluções é usar fontes de água não potável para
realizar os processos de resfriamento.
A exploração muitas vezes insustentável de
elementos terras-raras e outros minerais, como silício,
cobre e lítio, usados para a produção de discos
rígidos, chips e baterias, e o descarte de
computadores, celulares e outros aparelhos
eletrônicos que rapidamente se tornam obsoletos,
também elevam a pressão da computação sobre os
ecossistemas. [...]
Buscando enfrentar o problema, uma nova área de
estudos, conhecida como computação verde ou
sustentável, tem ganhado força no Brasil e no mundo.
“Ela se refere ao conjunto de práticas, técnicas e
procedimentos aplicados à fabricação, ao uso e ao
descarte de sistemas computacionais com a
finalidade de minimizar seu impacto ambiental”,
explica o pesquisador da UFABC.
A fim de alcançar esse objetivo, várias práticas têm
sido propostas, como elevar a eficiência energética
de hardwares e softwares, permitindo que realizem as
mesmas operações consumindo menos energia.
Projetar sistemas mais duradouros, reparáveis e
recicláveis, que reduzam a geração de lixo eletrônico,
é outra abordagem, assim como priorizar o emprego
de materiais sustentáveis na produção e operação de
dispositivos computacionais e o uso de energias
renováveis em data centers. [...]
Reduzir o gasto energético dos sistemas de
inteligência artificial foi o que tentaram fazer os
pesquisadores da startup chinesa DeepSeek. O
chatbot DeepSeek-V3, lançado no fim de janeiro,
causou surpresa ao apresentar desempenho
comparável ao dos modelos da OpenAI e do Google,
mas com custo substancialmente menor.
“O DeepSeek é um exemplo de que é possível
desenvolver IA de boa qualidade usando menos
recursos computacionais e energia”, ressalta o
cientista da computação Daniel de Angelis Cordeiro,
da EACH-USP. “Investir em pesquisa de algoritmos
mais eficientes e em melhorias na gestão dos
recursos computacionais usados nas etapas de
treinamento e inferência pode contribuir para a
criação de uma IA mais sustentável.” [...]
Adaptado de: https://revistapesquisa.fapesp.br/os-impactosambientais-da-computacao/ Acesso em: 15 mar. 2025.
Assinale a alternativa em que o termo em destaque NÃO pertence à mesma classe de palavras a que pertence o conectivo destacado em “A depender da matriz que produz essa energia [...]”.
A“[...] por causa dos sistemas de inteligência artificial, que demandam grande poder de processamento [...]”.
B“O aumento do consumo de energia e da emissão de carbono não é o único fator que preocupa.”.
C“[...] e o descarte de computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos que rapidamente se tornam obsoletos [...]”.
D“[...] permitindo que realizem as mesmas operações consumindo menos energia.”.
E“Projetar sistemas mais duradouros, reparáveis e recicláveis, que reduzam a geração de lixo eletrônico [...]”.
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GabaritoD — “[...] permitindo que realizem as mesmas operações consumindo menos energia.”.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Funções do "que": pronome relativo × conjunção integrante
Gabarito: letra D. O "que" destacado em "A depender da matriz que produz essa energia" é pronome relativo, pois retoma o antecedente "matriz" e introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva. A alternativa D é a única em que o "que" NÃO é pronome relativo: em "permitindo que realizem as mesmas operações", ele é conjunção subordinativa integrante, pois introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta, sem retomar nenhum termo anterior. As demais alternativas (A, B, C e E) apresentam "que" como pronome relativo, retomando um antecedente e introduzindo oração adjetiva.
O comando
A questão pede que você identifique a alternativa em que o termo destacado NÃO pertence à mesma classe de palavras do conectivo destacado no trecho do texto. Ou seja, você deve comparar a classe gramatical do "que" em cada alternativa com a classe do "que" no trecho original. O conectivo original é pronome relativo; portanto, a alternativa correta será aquela em que o "que" tiver outra classe, como conjunção subordinativa integrante.
O texto e o trecho-base
No trecho "A depender da matriz que produz essa energia", o "que" exerce a função de pronome relativo: ele retoma o substantivo "matriz" e introduz a oração adjetiva "que produz essa energia". Essa oração caracteriza a matriz, restringindo seu sentido. Essa é a função clássica do pronome relativo: substituir um termo anterior (o antecedente) e ligar a ele uma oração subordinada adjetiva.
A técnica: como distinguir pronome relativo de conjunção integrante
A distinção é simples e decisiva:
Pronome relativo: retoma um termo anterior (o antecedente) e introduz uma oração subordinada adjetiva. Pode ser substituído por "o qual", "a qual", "os quais", "as quais". Ex.: "O livro que comprei é ótimo" → "O livro o qual comprei é ótimo".
Conjunção subordinativa integrante: não retoma termo anterior; apenas liga a oração principal à oração subordinada substantiva, que funciona como sujeito, objeto, complemento etc. Não pode ser substituída por "o qual". Ex.: "Espero que você venha" → não cabe "o qual".
Aplicando ao trecho-base: "A depender da matriz que produz essa energia" → substituindo: "A depender da matriz a qual produz essa energia" → funciona. Logo, é pronome relativo.
Análise das alternativas
Função do "que"
Trecho-base
Alternativa D
Classe
Pronome relativo
Conjunção subordinativa integrante
Retoma antecedente?
Sim ("matriz")
Não
Oração introduzida
Subordinada adjetiva restritiva
Subordinada substantiva objetiva direta
Substituível por "o qual"?
Sim
Não
"Que" pronome relativo
1Retoma antecedente
2Introduz oração adjetiva
3Substituível por "o qual"
4Ex.: matriz que produz
5"Que" conjunção integrante
Não retoma termo
Introduz oração substantiva
Não substituível por "o qual"
Ex.: permitindo que realizem
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"[...] por causa dos sistemas de inteligência artificial, que demandam grande poder de processamento [...]"
Aqui o "que" retoma "sistemas de inteligência artificial" e introduz a oração adjetiva "que demandam grande poder de processamento". Substituindo: "os sistemas de inteligência artificial, os quais demandam..." → funciona. Portanto, é pronome relativo, mesma classe do trecho-base. Erro: não é a resposta, pois pertence à mesma classe.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"O aumento do consumo de energia e da emissão de carbono não é o único fator que preocupa."
O "que" retoma "fator" e introduz a oração adjetiva "que preocupa". Substituindo: "o único fator o qual preocupa" → funciona. É pronome relativo, mesma classe. Erro: não é a resposta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"[...] e o descarte de computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos que rapidamente se tornam obsoletos [...]"
O "que" retoma "aparelhos eletrônicos" e introduz a oração adjetiva "que rapidamente se tornam obsoletos". Substituindo: "aparelhos eletrônicos os quais rapidamente se tornam obsoletos" → funciona. É pronome relativo, mesma classe. Erro: não é a resposta.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"[...] permitindo que realizem as mesmas operações consumindo menos energia."
Aqui o "que" não retoma nenhum termo anterior. Ele introduz a oração "que realizem as mesmas operações", que funciona como objeto direto do verbo "permitir" (permitir algo: que realizem...). Trata-se de oração subordinada substantiva objetiva direta, e o "que" é conjunção subordinativa integrante. Não é possível substituir por "o qual": "permitindo o qual realizem" não faz sentido. Portanto, é a única alternativa em que o "que" não é pronome relativo, sendo a resposta correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Projetar sistemas mais duradouros, reparáveis e recicláveis, que reduzam a geração de lixo eletrônico [...]"
O "que" retoma "sistemas" e introduz a oração adjetiva "que reduzam a geração de lixo eletrônico". Substituindo: "sistemas... os quais reduzam" → funciona. É pronome relativo, mesma classe. Erro: não é a resposta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o "que" pronome relativo (que retoma um antecedente) e o "que" conjunção integrante (que introduz oração substantiva). A alternativa D parece semelhante às outras, mas o "que" ali não retoma nada — ele apenas liga a oração principal à subordinada substantiva.
PEGA ESSA DICA!
Para testar se o "que" é pronome relativo, tente substituí-lo por "o qual", "a qual", "os quais" ou "as quais". Se a substituição for possível sem alterar o sentido, é pronome relativo; caso contrário, é conjunção integrante (ou outra classe).
Conclusão: a única alternativa em que o "que" não é pronome relativo é a letra D, pois ali ele é conjunção subordinativa integrante. Nas demais, o "que" retoma um antecedente e introduz oração adjetiva, exatamente como no trecho-base.