Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2025
Português›Sintaxe
Código
qg544007
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Os impactos ambientais da computação
Intensivo em uso de energia e água, o setor responde
por 1,7% das emissões de carbono na atmosfera;
uma nova área de pesquisa surge para lidar com o
problema
Parte essencial da vida moderna, a computação
está em todos os lugares. É difícil imaginar o
cotidiano sem os recursos do mundo digital, como
internet, redes sociais, streaming de vídeo,
programas de inteligência artificial e os mais variados aplicativos. Governos, organizações e empresas de
diversos setores dependem cada vez mais das
tecnologias da informação e comunicação (TIC). O
crescente aumento da demanda computacional,
contudo, gera impactos no meio ambiente. Estima-se
que entre 5% e 9% da energia elétrica consumida no
mundo se destine à infraestrutura de TI e
comunicações em geral e ao seu uso. A Agência
Internacional de Energia (IEA) alerta para uma
tendência de forte aumento nessa demanda. O gasto
energético de data centers, instalações com robusto
poder de armazenamento e processamento de dados,
e dos setores de inteligência artificial (IA) e
criptomoedas, segundo a entidade, poderá dobrar no
mundo em 2026 em relação a 2022, quando foi de
460 terawatts-hora (TWh) – naquele mesmo ano, o
Brasil consumiu 508 TWh de energia elétrica.
“O uso de energia é inerente à computação”,
constata a cientista da computação Sarajane
Marques Peres, da Escola de Artes, Ciências e
Humanidades da Universidade de São Paulo
(EACH-USP) e pesquisadora do Centro de
Inteligência Artificial C4AI, financiado por FAPESP e
IBM. [...]
“Todas as nossas atividades digitais, como navegar
na internet, acessar redes sociais, participar de
videoconferências e enviar fotos para os amigos, têm,
em última instância, efeitos sobre o ambiente”, aponta
a cientista da computação Thais Batista, presidente
da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e
professora do Departamento de Informática da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN).
A energia destinada aos data centers é usada não
apenas para a operação dos servidores, mas também
para manter em funcionamento seu sistema de
refrigeração. “Por trabalharem sem parar em
processamento numérico, os computadores
aquecem, emitem calor e precisam ser resfriados e
mantidos em uma temperatura razoavelmente baixa”,
ressalta o cientista da computação Marcelo Finger, do
Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP. “A
depender da matriz que produz essa energia, haverá
mais ou menos efeitos nocivos no ambiente”, afirma
Peres, referindo-se à emissão de dióxido de carbono
(CO₂) quando são queimados combustíveis fósseis
para a obtenção da energia elétrica utilizada.
Google, Microsoft, Apple, Amazon e outras grandes
multinacionais de tecnologia, as chamadas big techs,
comprometeram-se a zerar suas emissões de
carbono até 2030 – segundo especialistas ouvidos
pela reportagem, não há indícios de que esse objetivo
possa ser atingido. Em 2023, último ano com dados
disponíveis, as emissões dessas companhias
cresceram principalmente por causa dos sistemas de
inteligência artificial, que demandam grande poder de
processamento – e, portanto, elevada carga
energética – para serem treinados e funcionar.
O aumento do consumo de energia e da emissão
de carbono não é o único fator que preocupa. O uso
intensivo de água por data centers para manter em
operação seus sistemas de refrigeração, bem como a
emissão de calor no ambiente, também acendem um
sinal de alerta. “O consumo hídrico é uma
preocupação mais recente, visto que a maioria dos
grandes data centers usa refrigeração líquida para
seus equipamentos de grande porte”, ressalta o
bacharel em computação científica Álvaro Luiz
Fazenda, do Instituto de Ciência e Tecnologia da
Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp), campus de São José dos Campos. Uma
das soluções é usar fontes de água não potável para
realizar os processos de resfriamento.
A exploração muitas vezes insustentável de
elementos terras-raras e outros minerais, como silício,
cobre e lítio, usados para a produção de discos
rígidos, chips e baterias, e o descarte de
computadores, celulares e outros aparelhos
eletrônicos que rapidamente se tornam obsoletos,
também elevam a pressão da computação sobre os
ecossistemas. [...]
Buscando enfrentar o problema, uma nova área de
estudos, conhecida como computação verde ou
sustentável, tem ganhado força no Brasil e no mundo.
“Ela se refere ao conjunto de práticas, técnicas e
procedimentos aplicados à fabricação, ao uso e ao
descarte de sistemas computacionais com a
finalidade de minimizar seu impacto ambiental”,
explica o pesquisador da UFABC.
A fim de alcançar esse objetivo, várias práticas têm
sido propostas, como elevar a eficiência energética
de hardwares e softwares, permitindo que realizem as
mesmas operações consumindo menos energia.
Projetar sistemas mais duradouros, reparáveis e
recicláveis, que reduzam a geração de lixo eletrônico,
é outra abordagem, assim como priorizar o emprego
de materiais sustentáveis na produção e operação de
dispositivos computacionais e o uso de energias
renováveis em data centers. [...]
Reduzir o gasto energético dos sistemas de
inteligência artificial foi o que tentaram fazer os
pesquisadores da startup chinesa DeepSeek. O
chatbot DeepSeek-V3, lançado no fim de janeiro,
causou surpresa ao apresentar desempenho
comparável ao dos modelos da OpenAI e do Google,
mas com custo substancialmente menor.
“O DeepSeek é um exemplo de que é possível
desenvolver IA de boa qualidade usando menos
recursos computacionais e energia”, ressalta o
cientista da computação Daniel de Angelis Cordeiro,
da EACH-USP. “Investir em pesquisa de algoritmos
mais eficientes e em melhorias na gestão dos
recursos computacionais usados nas etapas de
treinamento e inferência pode contribuir para a
criação de uma IA mais sustentável.” [...]
Adaptado de: https://revistapesquisa.fapesp.br/os-impactosambientais-da-computacao/ Acesso em: 15 mar. 2025.
A conjunção destacada em “O crescente aumento da demanda computacional, contudo, gera impactos no meio ambiente.” poderia ser substituída, sem prejuízo de sentido, pelas seguintes expressões, EXCETO por
Anão obstante.
Bentretanto.
Cdestarte.
Dtodavia.
Eporém
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GabaritoC — destarte.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Conjunções adversativas: substituição sem prejuízo de sentido
Gabarito: letra C. A conjunção "contudo" é uma conjunção coordenativa adversativa, que expressa oposição/contraste entre as ideias. A única alternativa que NÃO pode substituí-la sem prejuízo de sentido é "destarte", pois essa palavra é uma conjunção conclusiva (equivale a "portanto", "por isso"), e não adversativa. As demais opções — "não obstante", "entretanto", "todavia" e "porém" — são todas sinônimas de "contudo" e mantêm a relação de oposição.
O comando pede que se identifique a expressão que NÃO pode substituir "contudo" sem prejuízo de sentido. Isso significa que precisamos encontrar, entre as alternativas, aquela que não é sinônima da conjunção destacada. A questão testa o conhecimento das relações semânticas estabelecidas pelos conectivos — especificamente, a diferença entre conjunções adversativas e conclusivas.
No trecho do texto, a conjunção "contudo" introduz uma quebra de expectativa: o autor afirma que a computação é essencial e que a demanda cresce, mas, em oposição a essa ideia positiva, "gera impactos no meio ambiente". A relação é de contraste entre o crescimento da demanda e seus efeitos negativos.
"O crescente aumento da demanda computacional, contudo, gera impactos no meio ambiente."
Aqui, "contudo" poderia ser substituída por "mas", "porém", "entretanto", "todavia", "no entanto", "não obstante" — todas adversativas. Já "destarte" é uma conjunção conclusiva, que introduz uma conclusão ou consequência lógica do que foi dito antes, e não uma oposição. Usar "destarte" no lugar de "contudo" mudaria completamente o sentido da frase, pois indicaria que os impactos ambientais são uma consequência do aumento da demanda, e não um contraste com ele.
Conjunções coordenativas
1Adversativas (oposição)
contudo
porém
entretanto
todavia
não obstante
2Conclusivas (conclusão)
destarte
portanto
logo
por isso
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Alternativa A — ✅ Correta
"Não obstante" é uma locução conjuntiva adversativa sinônima de "contudo", "porém", "mas". Mantém a relação de oposição. Pode substituir sem prejuízo de sentido.
Alternativa B — ✅ Correta
"Entretanto" é uma conjunção adversativa clássica, sinônima de "contudo". Pode substituir sem prejuízo de sentido.
Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
"Destarte" é uma conjunção conclusiva (equivale a "portanto", "por conseguinte", "assim"). Introduz uma conclusão, não uma oposição. Substituir "contudo" por "destarte" alteraria o sentido da frase, pois trocaria a relação de contraste por uma relação de conclusão. É a única que não pode substituir.
Alternativa D — ✅ Correta
"Todavia" é uma conjunção adversativa sinônima de "contudo". Pode substituir sem prejuízo de sentido.
Alternativa E — ✅ Correta
"Porém" é uma conjunção adversativa sinônima de "contudo". Pode substituir sem prejuízo de sentido.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre conjunções adversativas (oposição) e conclusivas (conclusão). "Destarte" parece erudita e pode enganar quem não sabe seu valor semântico — mas é justamente por ser conclusiva que ela é a resposta.
PEGA ESSA DICA!
Ao encontrar uma questão de substituição de conectivo, pergunte-se: qual relação lógica a conjunção original estabelece? Se for oposição, a substituta deve ser adversativa (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante). Se for conclusão, deve ser conclusiva (logo, portanto, por isso, destarte, assim).
Gabarito: letra C — "destarte" é a única que não é adversativa, pois expressa conclusão, não oposição.