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Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg544024
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE-RS
Ano
2025
Nível
Superior

Leia o texto a seguir para responder às questões 25 a 30.



A HUMANIZAÇÃO DO ATENDIMENTO



Em setores sensíveis, como saúde e bem-estar, a falta de um canal de voz pode ser frustrante e até prejudicial; nem tudo pode ser resolvido por texto


Rogério Ramos Weymar Professor e mestre em educação, com especializações em neuropsicopedagogia, antropologia, filosofia, sociologia e marketing digital



        A forma como empresas se comunicam com os clientes mudou drasticamente. Antes, a ligação telefônica era essencial para esclarecer dúvidas e resolver problemas. Hoje, muitas empresas eliminaram essa opção, restringindo o atendimento ao WhatsApp e outras plataformas de mensagens. Recentemente, deixei de consumir serviços porque só ofereciam suporte via mensagens e negaram meu pedido de contato por telefone. Isso me fez refletir: essa modernização realmente facilita a vida do consumidor ou estamos perdendo algo essencial?



        O atendimento digital trouxe benefícios inegáveis. Empresas podem atender vários clientes ao mesmo tempo, as mensagens deixam um histórico escrito e o consumidor tem mais flexibilidade para interagir no seu próprio ritmo. Além disso, reduzir custos com telefonia e equipe tornou-se uma vantagem competitiva. No entanto, a eliminação das chamadas telefônicas traz consequências. O tom de voz, a empatia e a personalização do atendimento se perdem. Em setores sensíveis, como saúde e bemestar, a falta de um canal de voz pode ser frustrante e até prejudicial. Imagine um paciente angustiado buscando apoio por mensagens automáticas?



        Nem tudo pode ser resolvido por texto. Muitos clientes se sentem mais confortáveis falando do que escrevendo, especialmente quando lidam com questões urgentes ou complexas. O que poderia ser solucionado rapidamente por telefone se arrasta em longas trocas de mensagens. Além disso, idosos e pessoas com dificuldades de digitação podem ficar excluídos desse modelo. A modernização do atendimento deveria priorizar eficiência sem comprometer o contato humano.



        Paradoxalmente, a digitalização pode criar barreiras entre empresas e clientes. O argumento da “modernização” muitas vezes mascara a desumanização do atendimento. Se a comunicação deve ser eficiente, também precisa ser acessível e empática. O telefone não deveria ser eliminado, mas sim complementado pelos canais digitais, garantindo opções que atendam às necessidades do cliente.



        Acompanho a transformação digital desde os anos 1980 e vi muitas inovações que realmente facilitaram a vida das pessoas. No entanto, tecnologia deve ser aliada, não substituta do contato humano. Empresas que eliminam o telefone sem alternativas viáveis não estão apenas modernizando seus serviços – estão se distanciando dos clientes. 



        Especialmente em áreas essenciais, o canal de voz deveria ser um direito do consumidor. Isso não é nostalgia ou resistência ao progresso. É apenas reconhecer que, por trás de cada mensagem, há uma pessoa que, muitas vezes, precisa mais do que um simples “Como posso ajudar?” digitado automaticamente.



        O verdadeiro progresso está no equilíbrio entre inovação e atendimento humanizado. Afinal, todos queremos ser ouvidos – e não apenas lidos.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/03/ahumanizacao-do-atendimento.shtml. Acesso em: 20 de mar. 2025.

Assinale a alternativa que apresenta corretamente, entre parênteses, a relação sintático-semântica estabelecida entre as orações.
  1. A“[...] essa modernização realmente facilita a vida do consumidor ou estamos perdendo algo essencial?” (adição).
  2. B“Recentemente, deixei de consumir serviços porque só ofereciam suporte via mensagens [...]” (conclusão).
  3. C“Se a comunicação deve ser eficiente, também precisa ser acessível e empática.” (causa).
  4. D“O telefone não deveria ser eliminado, mas sim complementado pelos canais digitais [...]” (adição).
  5. E“Muitos clientes se sentem mais confortáveis falando do que escrevendo [...]” (comparação).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “Muitos clientes se sentem mais confortáveis falando do que escrevendo [...]” (comparação).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações sintático-semânticas entre orações

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que identifica corretamente a relação estabelecida pelo conectivo: em "Muitos clientes se sentem mais confortáveis falando do que escrevendo", a estrutura "mais... do que" instaura uma comparação entre duas ações (falar e escrever). As demais alternativas erram ao atribuir valores semânticos equivocados aos conectivos: "ou" não é adição, "porque" não é conclusão, "se" não é causa e "mas" não é adição.

O comando pede que você reconheça a relação sintático-semântica entre as orações, ou seja, o valor lógico que o conectivo (ou a estrutura) estabelece entre elas. Isso exige conhecimento da classificação das orações coordenadas e subordinadas adverbiais, mas, acima de tudo, exige atenção ao sentido que o conectivo produz no contexto. Não basta decorar a lista de conjunções; é preciso verificar o que cada uma expressa na frase concreta.

No texto, o autor discute a humanização do atendimento, defendendo que o telefone não deve ser eliminado, mas complementado pelos canais digitais. As frases citadas nas alternativas são retiradas desse contexto, mas a relação entre as orações é analisada independentemente do conteúdo temático — o que importa é a lógica interna de cada período.

A técnica central é: identifique o conectivo e pergunte qual relação ele estabelece. Para isso, você pode substituir o conectivo por outro de valor conhecido e verificar se o sentido se mantém. Por exemplo, "ou" pode ser substituído por "ou então" (alternância), "porque" por "pois" (causa), "se" por "caso" (condição), "mas" por "porém" (adversidade). Já a estrutura "mais... do que" é típica de comparação.

A pegadinha da banca está em trocar o valor semântico dos conectivos, oferecendo relações plausíveis, mas incorretas. Veja cada caso:

  • A) "ou" indica alternância (exclusão ou inclusão de possibilidades), não adição. A frase "essa modernização realmente facilita a vida do consumidor ou estamos perdendo algo essencial?" apresenta duas hipóteses que se excluem, típico de oração coordenada alternativa.

  • B) "porque" introduz uma causa (motivo pelo qual o autor deixou de consumir), não conclusão. A oração "deixei de consumir serviços porque só ofereciam suporte via mensagens" tem a segunda oração como explicação da primeira.

  • C) "se" estabelece uma condição (para que a comunicação seja eficiente, é preciso que também seja acessível), não causa. A oração condicional expressa uma hipótese necessária para a realização do fato principal.

  • D) "mas" é uma conjunção adversativa (oposição entre eliminar e complementar), não aditiva. A frase "O telefone não deveria ser eliminado, mas sim complementado" opõe duas ideias.

  • E) "mais... do que" é uma estrutura comparativa (estabelece uma relação de superioridade entre falar e escrever), correta.

1"ou" → Alternância
2"porque" → Causa
3"se" → Condição
4"mas" → Adversidade
5"mais... do que" → Comparação
Conectivos e relações
LEVELsoulevel.com.br
Conectivos e relações: "ou" → Alternância; "porque" → Causa; "se" → Condição; "mas" → Adversidade; "mais... do que" → Comparação

Alternativa A — ❌ Incorreta

"[...] essa modernização realmente facilita a vida do consumidor ou estamos perdendo algo essencial?"

O conectivo "ou" estabelece alternância entre duas possibilidades: ou a modernização facilita, ou estamos perdendo algo. Não há soma de ideias, mas uma escolha entre elas. A banca trocou o valor de alternância por adição, um erro clássico de troca de conceito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Recentemente, deixei de consumir serviços porque só ofereciam suporte via mensagens [...]"

A conjunção "porque" introduz uma causa (o motivo pelo qual o autor deixou de consumir). A relação é de causa e consequência, não de conclusão. A banca confundiu causa com conclusão, outro erro de troca de conceito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Se a comunicação deve ser eficiente, também precisa ser acessível e empática."

A conjunção "se" estabelece uma condição (a eficiência é condição para a acessibilidade e empatia). Não há relação de causa, mas de condicionalidade. A banca trocou condição por causa, mais um caso de troca de conceito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"O telefone não deveria ser eliminado, mas sim complementado pelos canais digitais [...]"

A conjunção "mas" é adversativa, pois opõe a ideia de eliminar à de complementar. Não há adição, mas contraposição. A banca trocou adversidade por adição, repetindo o padrão de troca de conceito.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Muitos clientes se sentem mais confortáveis falando do que escrevendo [...]"

A estrutura "mais... do que" é típica de comparação de superioridade: falar é mais confortável do que escrever. A relação é de comparação entre duas ações, e a alternativa a identifica corretamente. Nenhum outro conectivo das demais alternativas tem esse valor.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os valores dos conectivos: "ou" (alternância) é apresentado como adição; "porque" (causa) como conclusão; "se" (condição) como causa; "mas" (adversidade) como adição. A única correta é a comparação, que é o valor mais direto.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a relação entre orações, substitua o conectivo por outro de valor conhecido. Se "ou" puder ser trocado por "ou então", é alternância; se "porque" por "pois", é causa; se "se" por "caso", é condição; se "mas" por "porém", é adversidade. A estrutura "mais... do que" sempre indica comparação.

Gabarito: letra E.

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